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  • Pensar em ciclo de vida útil das roupas tem a ver com descarte, ce já se deu conta? A gente não tem como fugir desse pensamento quando trabalha a revitalização dos guarda-roupas das nossas clientes: o que fazer com o que não tem a ver com quem se é e com a vida que se vive? Com o que já foi usado demais e tá puído, manchado, furado? Com o que já vestiu um corpo que não tem mais as mesmas medidas, ou com o que tá estagnado sem uso há anos só ocupando espaço no armário?

    O que a gente faz com as peças que não vão mais atravancar o guarda-roupa tem super a ver com a gente e com o momento que se vive: não tem certo nem (tão) errado, mas, sim, muitas possibilidades. Muito muito importante é exercitar a habilidade de gerenciar o desperdício, pra minimizar necessidade de descartes futuros. ***E essa idéia, pessoal, não avaliza comprar mais pra então descartar “corretamente”: tamos falando de consciência e responsabilidade, e não de consumismo justificado (por nada!).

    descarte

    Quem tem criança pode reavaliar o que usou na gravidez pensando no que pode voltar a funcionar; quem trabalha com muitas outras mulheres pode organizar uma venda no escritório – imagina vender tudo por R$ 10, R$ 15 e R$ 20 e ganhar na quantidade? :)

    Dá pra chamar a família em casa (alô tias, primas, sobrinhas, agregadas) e distribuir as coisas legais que vão ser mais legais pra elas do que pra gente; é possível organizar uma tarde festiva de trocas entre amigas, ou ainda fotografar as peças e montar brechós online (sites como o Mercado Livre e o Enjoei podem ser boas opções pra montar lojinhas).

    Existem brechós que recebem peças consignadas ou que já pagam na hora (vale pesquisar aí na sua cidade, viu?) e instituições que buscam doações em casa e encaminham pra trabalhos sérios de caridade (como o Exército da Salvação e muitas igrejas). Mas, ó: mesmo roupa que vai pra caridade tem que estar digna, sem furos, sem costuras desfeitas, sem sujeira.

    E se uma roupa não tem condição de ser vendida, repassada ou doada, então a gente procura reusos pra fazer a vida útil do material durar (como pano de limpeza, já imaginou?) – no Brasil não tem reciclagem industrial de tecido, sabia?  Assim a gente evita ao máximo jogar roupas no lixo, compensa os custos ambientais de produção, tingimento e transporte dessas peças e alivia a quantidade de descarte enviada pra aterros sanitários em volta da gente.

    E mais:

    “O ciclo de tudo que descartamos não acaba quando jogamos as coisas no lixo. Existe uma desconexão na nossa cultura de varejo entre pensar em como o que compramos foi feito e como nossas roupas continuam a ter um impacto depois que já não precisamos delas. Nossa relação com roupas é fortemente influenciada pelo marketing do comércio. É difícil tomar decisões baseadas em necessidades racionais, quando o marketing de varejo é tão poderoso. A indústria têxtil não é transparente, e deveríamos fazer mais, coletivamente, para torná-la transparente. Se consumidores soubessem mais a respeito de todo o ciclo das roupas, eles seriam mais capazes de avaliar suas próprias relações com esse ciclo.”Tem um documentário sobre isso, pessoal! Vamos todas assistir!


  • [ insira aqui o emoji das velhinhas ]

    A gente completa 10 anos de internet em 2016 \o/ e tem uma galera que se espanta quando se dá conta de que a Oficina já existia/funcionava 3 anos antes, desde 2003 na ativa da consultoria de estilo. Fizemos nosso 1º post em fevereiro de 2006 e desde então seguimos compartilhando insights e aprendizados que nossa carreira rende na prática, através do atendimento às nossas clientes, na vida real.

    E isso é um fundamento: antes de comunicar o nosso serviço, a gente presta esse serviço! Com a nossa entrega profissional (como personal stylists) temos vivenciado demais a independência de escolha e o consumo inteligente como potenciais geradores de empoderamento das nossas clientes. Nos consideramos boas comunicadoras-compartilhadoras de idéias libertadoras do pensar (e do vestir) — mas não queremos evangelizar ou assumir posto de porta-voz de coisa alguma. Compartilhar tem a ver com a nossa natureza e com o nosso propósito: assim acreditamos que estendemos os bons efeitos do questionamento e do autoconhecimento praticados na consultoria de estilo pra quem mais quiser se apropriar e usufruir.

    Versão 2

    Com essa consciência, nesse aniversário de 10 anos, nossa vontade na internet tá se voltando pras nossas origens. Em 2006 a gente conversava via blog e pronto: não existia rede social e se usava o espaço de auto-publicação pra conversar sobre idéias de uma forma um pouco mais aprofundada, em mais do que pequenas legendas ou 140 caracteres apenas — com menos likes e mais troca significativa.

    Tamos sentindo que a voracidade e a velocidade das redes sociais tem mais a ver com consumismo do que com consciência — a gente se propõe a exercitar nossa expertise na prática com nossas clientes, e então organizar idéias pra compartilhar de maneira inclusiva (todo mundo pode usufruir!), e isso demanda tempo, reflexão. Tem mais a ver com postagens semanais ou quinzenais no blog e também com mais proximidade com as idéias de quem lê o que a gente posta (alô campo dos comentários). Tamos sentindo saudade dessa dinâmica e vamos, nesse novo ano, abrir espaço pra re-experimentar isso daí.

    A gente ainda curte demais documentar os bastidores do nosso trabalho no Instagram, ainda distribui indicações de links legais no Twitter e ainda usa o Pinterest pra fazer nossas pesquisas de trabalho. A gente mantém nossos “lotes” nesses territórios com a mesma animação, mas aqui nessa terra que é genuinamente NOSSA é que a nossa energia vai estar nesse 2016.

    Adiante!


  • Um exercício bastante versatilizador (e alongador de silhueta, pra quem tem interesse) que a gente ensina pras nossas clientes é este: se nos pés a gente tem um pontinho escuro, é bom procurar criar “correspondência” com algum elemento escuro perto do rosto. Tipo sandália marinho e colarzão cinza-chumbo, ou mocassim vinho e casaqueto roxo. Como se a gente conectasse o que tá lá embaixo com o que tá no alto (do look), pra dar liga e convidar nossos olhos pra esse percurso na direção da altura (e não da largura!).

    correspondencia

    Vale não só pra escuros, mas também pra tudo que cria contraste com o resto do look todo: pontos coloridos, brilhosos etc. etc. etc. Testa e diz pra gente se não harmonizou a coisa toda!

    Mais:
    pontos de cor perto do rosto
    “teoria do sapato vermelho”
    neutros legais com pontos de cor
    ninguém é só “pedaços de corpo”

     


  • UM CHECKLIST PRÁTICO E EFICAZ (DE VERDADE) PRA LIQUIDAÇÕES E BAZARES \o/

    Tem esse ditado sueco que diz que “quem compra coisas de que não precisa ou que não usa está roubando de si mesmo”. E consumir aleatoriamente, sem ter por quê definido, além de pouco inteligente é também bastante démodé (haha!). Com essas duas idéias em mente a gente compartilha aqui uma sequência de comportamentos que podem render compras eficazes, em especial quando é tempo de se usufruir de valores reduzidos em mudanças de estação. Ó!

    liquidações bazares compras inteligentes consumo consciente

    PREPARO
    Liquidação bem aproveitada começa antes mesmo de se passear pelas vitrines: é no próprio guarda-roupa que a gente pode ter idéia do que vale a pena comprar pra incrementar o acervo ali acomodado. Vale pensar no que pode estar fazendo falta (roupa de calor? roupa de frio? roupa de trabalho, de lazer? pra alguma ocasião específica, pra alguma mudança específica de corpo ou de vida?) e também no que se tem demais: se tem muita cor-colorida, pode ser que peças neutras sejam especialmente complementares; se tem muita malha, pode ser que tecidos planos dêem uma sofisticada geral… sabe como?

    E revistas, Pinterest e conversas com amigas podem também render idéias do que pode fazer a diferença nos nossos acervos, viu!

    PLANEJAMENTO
    (LIMITAÇÃO ESTIMULA CRIATIVIDADE!)

    A gente propõe com segurança e sabe que pode ser legal: experimenta, no lugar de rodar aleatoriamente toooodos os andares do shopping, fazer um roteiro de possíveis lojas legais pra conhecer — mais legais ainda se essas lojas tão na rua (fora do shopping!), num bairro legal, com possibilidades de se encontrar gente diferente/interessante em volta em outras atividades: cafés, restaurantes, espaços abertos, etc.

    Experimenta também rascunhar uma lista de possibilidades, a partir desse nosso 1º tópico, o do preparo: que peças ce quer encontrar? em que cores, com que tipo de modelagem? é sapato, é acessório, é roupa? com que tipo de decote, com que amplitude de perna, com que altura de barra, com que detalhes?

    Por fim, quanto $$$ é possível gastar sem complicar o resto do seu orçamento de moça adulta, responsável, disciplinada e comprometida com tantas outras importâncias além de (só) roupa?

    OPORTUNIDADE DE EXPERIMENTAR
    Uma coisa é perceber o que mais se usa, o que sempre dá certo nos looks de todo dia; outra coisa é comprar um monte do mesmo! Todo mundo, quando tem alguma coisinha que funciona, naturalmente procura mais dessa coisinha: por isso a gente tem essa mania de comprar 3 cores da mesma saia, ou as versões manga-curta e manga-longa da mesma camiseta… Mas né, roupa repetida faz sempre os mesmos looks – pequenas variações não fazem diferença. O que faz diferença MESMO é o que é novo e complementar, o que ainda não existe no nosso acervo.

    E aí que preço reduzido dá mais coragem pra experimentar! Liquidação é tempo bom pra ir pro provador de coração aberto porque né, moda não é ciência exata: o que parece maluco pode ficar ótimo quando vestido no corpo (a gente aqui na Oficina tem tanta surpresa com as nossas clientes, ces nem imaginam!). Vale perder o medo e vestir modelagens novas, peças nunca usadas antes, cores diferentonas, materiais inusitados. E se não der certo, tudo bem tudo ótimo: ninguém é obrigada a comprar somente por que levou pro provador. É “muito obrigada e até uma próxima oportunidade”, aquele axé e TCHAU!

    TEM QUE PROVAR TUDO
    Especialmente porque liquidação não tem política de troca super bem definida aqui no BR, né? Tem que ir pra qualquer liquida/bazar usando lingerie boa – que seja versátil e que não marque! -, tem que ir vestindo 2 peças (vai que não tem provador decente e você tem que tirar o vestido/o macacão inteiro pra provar só uma blusinha?), tem que provar cada peça e então sentar, simular dirigir, andar, se olhar de costas e até dançar, se for o caso. E se for o caso de comprar um vestido ou look de festa é bom levar junto os sapatos da ocasião pra provar junto.

    EXERCITAR QUESTIONAMENTO
    (E FAZER TUDO DURAR, E VALORIZAR O PRÓPRIO DINDIN)

    Mas né, quem passa or tudo isso daqui de cima, chega no provador, experimenta e se vê linda :) ainda pode pensar na vida útil, no valor real de cada possível compra. A gente hoje começa esse questionamento pelo por quê de cada peça nas nossas próprias vidas, na esfera individual:

    -A cor e a modelagem valorizam atributos, deixam linda, são confortáveis?
    Dá certo com pelo menos outras 3 peças que já existem no armário? Vai ser MUITO usada?
    -Tem material gostoso de vestir, durável, possível de se manter bonito por muito tempo? (É possível cuidar em casa? Demanda cuidados custosos?)

    E então, se as nossas demandas pessoais/individuais tão supridas, pode ser uma experiência e tanto se questionar pra além da esfera pequenina-particular e pensar num espaço maior de atuação política através do que a gente consome (óóóóóó!!!). A gente tem procurado avaliar:

    A confecção do produto é própria da marca ou terceirizada (e quão terceirizada é)?
    Tem chance do dinheiro gasto ser bem distribuído entre um grupo razoável de funcionários que mantém contato pessoal com quem comanda a marca de perto? Ou vai ajudar grandes empresários a comprar mais um iate ou o 25º apartamento?
    O produto demandou processos ultraquímicos detonadores de meio-ambiente pra existir? Tem valor baratíssimo justificado pela falta de dignidade nas condições de quem produziu, vem do sofrimento de alguém?

    Por fim, a gente tem pensado no descarte: quando a vida útil desse produto acabar, o que eu vou fazer com ele? Já tenho planos de doação, revenda, encaminhamento pra reciclagem têxtil, customização ou re-uso?

    PODE PENSAR!
    No nosso trabalho de consultoria aqui na Oficina ninguém compra nada que gera dúvida: se a cliente não tem certeza, então a gente pede à vendedora pra reservar durante um tempo e olha mais lojas, toma um café, conversa, pensa e aí sim, volta pra buscar a peça ou pra des-reservar. Se depois de uma ou duas horas (e outras vitrines!) a compra ainda tá rendendo vontade, então tá valendo.

    MODA É PRA SER FELIZ
    Compra boa é a que faz a gente feliz – e achar uma “peça dos sonhos” com valor pela metade (ou com descontão) é sempre mais gostoso. Se rolou AMOR pela peça, se ficou per-fe-i-ta no corpo e tem uso certo na vida real, vale ir pro caixa. E muitas vezes pra peça ficar ‘perfeita’ ela precisa de ajustes e tals — mas quando é amor, amor de verdade, a gente sabe, né? Tem que partir da gente: corpo ou vida não tem que se adaptar à roupa, é a roupa que tem que servir na gente!


  • A gente aprendeu há algum tempo que nossas roupas duram mais (e melhor) se a gente lava menos. Trucão maravilhoso pra estender vida útil, então, é esse “desodorante de roupas”: uma misturinha natureba que ajuda a refrescar o cheiro de uso das peças, possibilitando mais usos antes de lavar.

    borrifador_blog

    A sacada é essa, ó: a gente usa a peça, chega em casa e –no lugar de despejar a roupa usada uma vez só na máquina de lavar– pendura do lado avesso num cabide. Legal é estar num lugar arejado pra dar umas borrifadas dessa receitinha aqui:

    _100ml de água
    _200ml de álcool 70
    _200ml de vinagre de vinho branco

    Então é deixar que a mistura evapore durante a noite (ou por um periodão) e usar de novo. A receita é da Ingrid Lisboa da Home Organizer, a gente ainda acrescentou umas gotinhas de essência refrescante (por nossa conta e risco), testou e funcionou demais, viu!


  • O cycle chic é um movimento super legal feito por pessoas que adotaram a bicicleta como meio de transporte, mas nem sempre acham tranks se vestir de ciclista todo dia. Sabe aquelas fotos lindas que de vez em quando a gente vê nos sites de streetstyle, em que uma pessoa super bem vestida posa do lado de sua bicicleta? Pois então, o espírito é esse mesmo. Quem cunhou o termo “cycle chic” foi o blogueiro Mikael Colville-Andersen, do Copenhagen Cycle Chic, site muito bom pra conhecer mais desse tema (e ver mais looks!).

    Aqui no Brasil já tem um monte de meninas aderindo ao cycle chic. Umas usam a bicicleta para percursos curtinhos, tipo mercado, café, voltinhas pelo bairro; outras simplesmente fazem tudo de bicicleta: trabalho, festa, faculdade. Elas pedalam de calça jeans, de vestidinho, rola até um salto. Quem quiser se inspirar pode passear pelo painel que a gente preparou com muitos looks ótimos no Pinterest.

    bici-blog1

    Dicas para manutenção da dignidade facial-vestual
    Pra quem tá gostando da idéia e quer se aventurar por aí usando como combustível apenas o feijão com arroz, Verônica Mambrini, jornalista que já teve um blog sobre o assunto, dá algumas dicas de como manter a dignidade facial-vestual sendo ciclista:

    _alfaiataria muito justa e saias muito curtas podem dar um pouco de trabalho — basta escolher uma modelagem confortável que tá tudo bem;
    _minissaias, vestido envelope, saia lápis e saia tulipa pedem um shortinho de lycra por baixo;
    _lenços e bandanas ajudam a proteger o cabelo;
    _independente do tamanho do salto, é importante o calçado prender os calcanhares. Tamanco e clogs, por exemplo, não rolam (a forma correta de pedalar é com a frente do pé, portanto, o salto não atrapalha!);
    _essa é pras ciclistas mais frequentes: luvas são úteis para trocar correntes e pneus e previnem calos. Não precisam ser esportivas; podem ser de couro ou de tecidos sintéticos (como as disponíveis em lojas de aventura), neutras e mais estilosas;
    _em dias muito quentes, vale levar uma blusa reserva para trocar no destino;
    _no verão, vale ter lencinhos higiênicos e desodorante na bolsa;
    _protetor solar é item de beleza indispensável;
    _bolsa, blusas e pastas podem ser acomodadas no cestinho ou em alforges. É bom deixar as costas livres (de mochilas, por exemplo) para evitar transpiração;
    _em época de chuva, vale a pena levar uma capa, jaqueta impermeável ou poncho impermeável. Há várias opções levinhas e que, dobradas, cabem na bolsa.

    Mais dicas ainda!
    Thais Moura, educadora física que usa a bicicleta como principal meio de transporte aqui em SP, lembra a gente de escolher caimentos que por si só funcionem como ajudadores de ciclistas interessadas em estilo-e-conforto, ó só:

    _cinturas mais altas garantem cofrinhos cobertos com qualquer curvatura de costas e braços no guidão ;-)
    _cavalos mais confortáveis também rendem conforto na sentada do banquinho (cavalo = costura vertical que dá a volta nos nossos corpos desde o umbigo, passando pela ppk e pelo bumbum pra terminar na base da coluna nas costas)
    _camisetas com recortes na diagonal nos ombros, tipo raglã, permitem movimento mais livre de braços
    _tem marcas brasileiras fazendo roupas 100% pensadas pra cliclistas : e tem calcinhas sendo produzidas já com um colchãozinho pra amortecer impacto na ppk, ó!

    Adaptação é tudo
    Claro que o calor, a chuva e o trânsito pedem adaptações na roupa-de-pedalar, tipo usar um shortinho de ciclista por baixo do vestido —  mas né, tanto as pessoas quanto as roupas possuem uma capacidade maravilhosa de adaptação. E adaptar não significa ficar chinfra ou feiosinha. Ocasiões, pessoas e lugares diferentes pedem roupas diferentes, mas nunca piores. Seria incrível se todo mundo percebesse que não é só quem vive nas tais condições climáticas, financeiras e corporais ideias que tem o direito e a possibilidade de se sentir confortável/adequada com o que escolhe vestir.

    Pra quem quer muito virar ciclista hoje!
    medo de pedalar: perca o seu
    cartilha do ciclista, do ministério das cidades
    sete boas idéias pra por em prática ao usar a bicicleta como transporte diário

    Mais sites legais sobre andar de bicicleta
    pedal glamour
    bela na bike
    biCHICleta
    bike chic
    de bicicleta na cidade

    ((esse conteúdo é uma reedição atualizando um texto originalmente escrito pela maravilhosíssima Juliana Cunha pro nosso blog em 2010!))


  • Tempos atrás, em junho de 2012, o Alexandre Herchcovitch convidou a gente pra conversar sobre os ‘códigos de vestir do ambiente formal de trabalho’ com um grupo de profissionais do escritório de advogados com que ele trabalha desde sempre. Foi então que a gente resolveu pensar numa maneira clara e eficaz de transmitir idéias de adequação de acordo com quem a gente é e com a vida que a gente vive. Na real, de verdade.

    Já que feio e bonito são definições feitas 100% subjetivamente e que “pode” e “não pode” é super antigo, pode ser bem inteligente enxergar o que é importante de verdade e escolher o que vestir pensando em se valorizar e valorizar o trabalho. Direção certeira pra todo dresscode/código de vestir pode ser o CONFORTO, em três versões: conforto pessoal, conforto do outro e conforto da empresa/do trabalho. A gente explica, ó.

    dresscode profissional

    CONFORTO PESSOAL
    Código de vestir que toma por direção o conforto pessoal aceita todo tipo de roupa que proporciona conforto físico, de sentir mesmo. Roupa que permite sentar e levantar sem que a gente precise se ajeitar o tempo todo, roupa que não restringe movimentos (alô curtos e justos demais), roupa que permita a gente dobrar os braços pra segurar pastas, buscar coisas no alto sem mostrar a barriga, andar uns quarteirões na hora do almoço ou pegar o transporte com tranquilidade. Se trabalhar é o que a gente mais faz na vida toda, então roupa de trabalho não pode machucar, pinicar, tirar atenção do que a gente tem que fazer. Tecidos naturais e caimentos soltinhos, que acompanham a silhueta sem grudar, podem ser boas pedidas. Roupa de trabalho tem que deixar a gente à vontade pra viver a melhor vida que a gente pode viver enquanto ganha dindin.

    CONFORTO DO OUTRO
    Falando em não tirar atenção, o ‘conforto do outro’ é direção sutil-mas-eficaz pra definir o que cabe e o que não cabe em códigos de vestir, especialmente nos mais formais. Se o que a gente usa interefere de algum jeito na zona de conforto (visual/sensorial/intelectual) de quem tá junto com a gente no trabalho, então não rola usar. Mesmo! Pensa no que constrange ou faz com que o outro se desligue do que tá fazendo: decotes exagerados, cabelo descontrolado, corpo demasiadamente delineado, perfume cheiroso demais da conta, bolsa super estufada ou bagunçada, pulseiras e sapatos que fazem barulho, maquiagem espalhafatosa (qualquer idéia espalhafatosa, de repente até coordenações de cores super extravagantes, dependendo do trabalho!), alça de sutiã que insiste em aparecer e afins. Sabe? Tem aqui uma listona de sabotadores de aparência pra garantir esse checklist aí, ó.

    CONFORTO DA EMPRESA
    Todo-qualquer contratante tem expectativa em relação a como cada funcionário/prestador de serviço representa a empresa. Vale estudar valores e missões dos lugares em que a gente trabalha, assim como observar com olhar crítico e estético os clientes que a empresa atende. O que a empresa/o contratante vende? Pra quem? A gente tem aparência pessoal coerente com a imagem que a empresa quer projetar? Tem uma direção geral a ser seguida de acordo com os valores da empresa — conservadora, moderna, sustentável, comprometida — que pode ser personalizada pra se adequar a quem a gente é? Especialmente quando a gente vende serviço, o produto passa a ser a gente mesma. Vale alinhar expectativas, ter em mente o que a empresa quer da aparência de quem trabalha junto e então encontrar como esses valores podem aparecer no guarda-roupa profissional.

    A gente vive num tempo de olhar pra dentro pra buscar referências (de tudo!) e não pra fora. Não tá mais em época de se considerar qualquer bobagem que tenha a ver com certo-ou-errado, especialmente no vestir. Levando em conta conforto pessoal, conforto do outro e deixando também o próprio contratante confortável, é possível ser mais e mais a gente mesma. E além desses “limites” confortáveis a gente ainda pode escolher cores, texturas, caimentos, tecidos, sapatos, bolsas e acessórios (benditos personalizadores de aparência profissional!) que garantam coerência e consistência.

    MAIS DE CÓDIGOS DE VESTIR
    todo um mural no nosso pinterest cheio de referências boas
    (quase) todos os posts que a gente já fez sobre roupa de trabalho


  • A gente, que trabalha com consultoria de estilo deeeesde 2003, só vem sentindo mais e mais calor a cada inverno (ahãm!) — e também vem comprovando que escolhas espertas podem refrescar tanto quanto um ventilador portátil. Se roupa é segunda pele, que essa pele seja tão preparada pra vencer com dignidade o calorzão quanto possível. Ó que apanhadão de sugestões fresquinhas pros dias mais quentes:

    nova-calor

    _tecidos naturais (algodão, seda, lã, linho) permitem maior ventilação que os não-naturais (poliéster, poliamida, acrílico, etc). Vale mais usar uma camiseta com mangas 3/4 em algodão fino do que uma regata em material sintético, viu?

    _caimentos soltinhos fazem o ar circular entre pele e roupa, e deixam secar qualquer suor mais rapidamente do que peças super justas — as justas, no calorzão, ficam desconfortáveis e meladas roçando o corpinho de quem usa, é ou  não é?

    _cores mais claras refletem o calor (a gente te promete que é de verdade!), e as cores escuras seguram o quentinho na própria roupa, perto da gente ;-)

    _comprimentos mais curtos em barras e também nos punhos: mangas 3/4 bem soltinhas ou calças mais curtas e bermudões dão aquela ventilada. Alô pernocas refrescadas.

    _cavas, fendas, recortes e decotes podem refrescar pra caramba quando bate um ventinho mais fresco — tem que ficar de olho no dresscode profissional, e se couber, dá-lhe pele à mostra! Vale também pra materiais vazados, tipo rendas e tramas de crochê em fios naturais.

    _mesmo raciocínio vale pro que vai calçar pezinhos calorentos: quanto mais dedo de fora, melhor. Calorzão é tempo de escolher sandálias bem abertinhas, frentes não-tão-pontudas (não esmagadoras de pé!), tirinhas e fechos confortáveis, amarrações que não prendem demais.

    _prender o cabelo no calorzão é um recurso incrível de estilo (e de praticidade), então vale já sair de casa com madeixas arrumadinhas, presas com decência, pra que os fios não despenquem ao longo do dia — e cabelo preso de jeito criativo vale como um acessório! Parcimônia também na maquiagem, que nossas carinhas bonitas não precisam derreter por calor nenhum desse mundo!

    _por fim, pode ser uma boa escolher um power acessório pra brilhar sozinho no look, no lugar de se pendurar com várias coisas. No calor a gente quer mais é se sentir leve, nénão?

    Mais ajuda pro calorzão
    (quase) todos os posts que a gente já fez sobre temperaturas quentíssimas

    (esse post foi ao ar pela 1ª vez em outubro de 2008, e agora tá aqui de volta quase 100% reescrito e atualizado!)


  • Diz que quase todo o algodão que se usa no mundo é produzido principalmente nos Estados Unidos, na China, na antiga União Soviética, no México, aqui no Brasil, no Peru, no Egito e na Turquia. Com tanta produção, os agricultores usam fertilizantes químicos e pesticidas no solo pra prevenir doenças e bichinhos nos pés de algodão (e pra assim, aumentar a colheita, minimizar perdas, aumentar o lucro). Diz que pés de algodão sempre tiveram propensão ao ataque de insetos e que, com o tempo, esses insetos foram ficando imunes aos venenos… então os agricultores põem mais e mais remédio nas plantas. A coisa é de um tamanho que nos EU, na Índia e na China (top produtores) essa química toda é despejada nas plantações POR AVIÕES.

    algodão orgânico consultoria de estilo

    O resultado é que as terras onde se planta vão ficando inférteis, a água que corre em volta desses espaços tá ficando mais e mais contaminada e gente começa a morrer por conta do contato tão intenso/profundo com os pesticidas. E a real é que a gente tem financiado esse esquema com cada camisetinha 100% algodão que a gente compra. Mais: é tanto tanto mas TANTO produto químico nas plantas, que o algodão absorve geral e retém durante todo o processo de fiação, industrialização e tecelagem. Então ó, a gente tá vestindo remédio todo dia toda hora, botando de propósito esses tóxicos todos em contato com a nossa pele.

    Por ser cultivado e produzido sem fertilizantes artificiais ou pesticidas, o algodão orgânico não tem impacto ambiental pro mal, é mais saudável pra quem trabalha na sua agricultura e pra gente, que veste todo dia. Por ser menos popular, esse é um material mais caro — daí a NECESSIDADE da gente começar a perguntar nas lojas se há produtos disponíveis em algodão orgânico, e procurar online quem oferece produtos confeccionados sem remédio, e pedir que as nossas lojas favoritas façam uso do material limpo, e mandar emails pra tecelagens e grandes marcas de moda pedindo pra comprar peças feitas sem algodão tratado com pesticidas mil.

    (E no lugar de se espantar por que o preço é caro, a gente deveria treinar nossas mentes pra questionar por que o algodão tóxico é tão barato.)

    Tá na nossa mão a responsabilidade de fazer crescer o uso do algodão orgânico na indústria da moda — pra que a gente, como consumidora, possa ESCOLHER o melhor e assim criar a demanda. Só assim, a partir da ‘querência’ geral, é que há chance desse material popularizar de verdade e, por consequência, baratear um tantinho.

    Mais:
    5 atitudes sustentáveis em moda
    idéias importantes pra construir um guarda-roupa-ético
    algodão orgânico: diferenças e vantagens
    ter menos, melhor e mais de perto

    ((A info técnica desse post, publicado originalmente em abril de 2010, veio do ótimo livro Tecidos e Moda, de Jenny Udale e da editora Bookman))


  • Ou: “abandonando essa visão-açougueira da silhueta feminina”.

    Quando a gente se olha no espelho, vê um conjunto de coisas, todas parte de uma mesma aparência. Ninguém é só quadril, ou só peitinho, ou só barriga (seja ela positiva ou negativa), ou só coxa grossa. A idéia de conjunto pode ser libertadora, porque dá possibilidade da gente encontrar pontos fortes pra valorizar na aparência — de mais de um jeito, sob mais perspectivas.

    consultoria de estilo personal stylist substitua consumo por autoestima

    Ao mesmo tempo, esse conjunto de lindezas dá chance de harmonização, de compensação: se fosse tudo uma coisa só e se a gente não curtisse essa coisa, tava tudo perdido… mas não! Não tá tudo perdido — pelo contrário: se a gente não curte uma coisinha que seja, essa coisinha pode ser “neutralizada com amor”quando a gente valoriza outras coisas, e então desvia a atenção de um ‘desgosto’ para um ‘gosto’. Bom, né?

    Corpo faz parte da aparência que a gente tem, mas todo mundo é muito mais que só aparência. Diz um ditado indiano que “não somos corpos que têm uma alma, mas almas que têm corpos” — ó que lindeza de pensamento pra vida!


curtimos

ideias complementares às da Oficina