11.
nov.
06.
porque a gente veste o que veste
Desde a semana passada eu sabia que tinha ontem uma foto pra fazer, como personagem de uma matéria a ser publicada em dezembro (mais pra frente explico melhor). E a foto tava desde sempre marcada pra hoje. E eu surtei porque precisava de uma roupa incrível pra foto. A gente tá todo dia de um jeito, mas a foto vai me mostrar pra sempre de um jeito só – e eu queria que a imagem captada fosse coerente, que carregasse símbolos e “pistas” que deixassem claro quem eu sou e o que eu faço (tanto quanto fosse possível!).
Há 3 semanas o livro da socióloga Diana Crane, chamado “A Moda e seu Papel Social – Classe, Gênero e Identidade das Roupas”, tá na minha cabeceira (na fila da leitura). A autora deu entrevista pra Folha de SP no domingo e nela disse que “a sociologia da moda explica por que as pessoas consomem e de que maneira (…) e que torna claro ao público por que se usam determinadas roupas e como são escolhidas”. Ela ainda diz que “a moda não está mais atrelada a classes, mas sim a significados e identidades“.
Tipo a gente escolhe o que quer usar de acordo com valores que associamos à determinadas peças, pra poder comunicar esses valores e construir uma identidade própria. Comunicar e valores são palavras-chave nessa seara, I guess. Valerie Steele (pesquisadora e editora da Fashion Theory) escreveu que “embora o status conferido pela classe social ainda conserve sua importância, (…) outras categorias – como estilo de vida, gênero e preferências sexuais – podem revelar-se mais significativas para os indivíduos quando se trata de criar uma aparência com roupas”. E não é verdade?
Na quarta-feira, depois da Cori, eu voltei pra casa à pé e parei na Is/Bella, na Pelu, na Mandarinna… e nada rolava (mentira, comprei uma camisetinha na Is/Bella, mas que não servia pra bendita foto). E no dia seguinte acordei e, antes de tomar café da manhã, fui pra Adriana Barra – que me salvou! A foto aparece num texto em que eu sou só ‘personagem’: o texto não é sobre mim ou sobre o meu trabalho, mas vai vir num veículo importante e bem lido pelo “meio”. Eu precisava comunicar que trabalho com moda, que sou bem-sucedida no que faço (aaaêêêêêê!!), que valorizo qualidade e que estou em contato com o que há de mais legal nessa área – valores que considero importantes para o meu crescimento/reconhecimento profissional. E acho que deu certo!
(E a teoria super faz sentido na vida real, a gente não tá perdendo tempo estudando… e é uma delícia conscientizar o vestir! Na prática outras questões ainda entraram em cena: eu precisava estar bem bonita pra me sentir segura e transmitir todos esses valores com credibilidade. Eu tinha dois looks preparados pra esa foto e a minha camisinha nova da Adriana Barra não passou no teste da câmera: todo mundo vai me ver linda na foto vestindo camisinha Isabela Capeto + saia Maria Bonita Extra.)

a capa do livro é essa aí, o outfit do meio foi o que eu vesti e o último, com a camisa mais-que-linda e nova, ficou pra próxima… (super já vou usar no finde)
E o povo do blog, escolhe o que vai vestir com que motivação? Em que vocês pensam na hora de escolher o que vão vestir? O que cada um quer comunicar quando se veste?? E as motivações pra comprar coisas novas, quais são??? (A Diana Crane também fala mointo sobre consumo e como “consumir faz parte da concepção da sociedade atual e não pode ser desconsiderado”, mas esse é um assunto pra outro post.) Manifestem-se nos comentários!









E AI A SAIA FICO BOA? JA USOU? BJS ENE.
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