14.
nov.
06.
sutilezas do meu estilo
A gente trabalha (aqui na Oficina) todo dia investigando personalidades e comportamentos, definindo estilos. E a gente se supera a cada trabalho tentando personalizar ainda mais um trabalho que já na sua nomenclatura é identificado como personalizado. Ninguém é igual a ninguém – por mais amigos que sejam, por mais grudados que andem, por mais que se amem, ou mesmo por mais que admirem o outro.
Subjetividade: existências particulares produzem “modos de ser” particulares – modos de pensar, de agir, de sonhar, de amar, de trabalhar, de libertar, de comunicar. “Cada história singular é atravessada por aspectos culturais, políticos, econômicos, científicos, afetivos, familiares, etc”.*

Teorizar não é a parte mais divertida desse trabalho (by far!), mas gera reflexão que pode gerar aperfeiçoamento (pra todo mundo). E a gente adoraria “visitar” os guarda-roupas de todo mundo que prestigia esse blog pra definir estilos e ajudar a comprar/vestir melhor, mas como não dá resolvemos dividir ‘ferramentas’ que usamos pra isso: a gente tem que identificar essas subjetividades no ’ser’ e traduzí-las nas peças de roupa e coordenações que compõem estilos de vestir (aparecer). “Existência e aparência são forçados a se interligar na constituição da subjetividade contemporânea”.*
Se estilo é identidade, quem é você?
O primeiro passo para um trabalho bem-sucedido de consultoria de imagem é conhecer o cliente – conhecer mesmo. A gente faz com cada um uma mega entrevista (e um exercício com referências visuais) que possibilita conhecer preferências, objetivos, estilos de vida, receios, ambições/aspirações, bagagens e valores. O objetivo é apresentar o cliente a ele mesmo: fazer com que ele se conheça e tenha mais e mais intimidade com a sua essência, para que sua aparência possa revelar suas subjetividades! Quem se conhece sabe escolher melhor, sabe coordenar melhor e, como disse a Ana num comentário aqui no blog, sabe se encontrar nas roupas que usa.

“sua obra-prima – você”: a criação e expressão do ‘eu’ é a forma mais alta da criatividade!*
Quando a gente coloca características de quem se é (e do que curte!) no que se veste, a gente tá comunicando estilo. O que é importante pra gente (e que certamente constrói nossa subjetividade) tem que aparcer objetivamente no que a gente veste – seja via cores, modelagens e caimentos, texturas, acessórios, tecidos ou estampas. “A sociedade que valoriza por demais a imagem naturalmente privilegia os discursos através da aparência.”*
Maaas, teorizar é bem chato e às vezes serve pra abafar a não-experiência (e a experiência é fundamental pra acertar por exclusão, pelo menos!). Escolher conforto, ou escolher chamar atenção, ou escolher beleza, ou funcionalidade, ou praticidade, ou refinamento, ou sedução/desejo de, ou cores (muitas, juntas), ou versatilidade… todas essas escolhas (nossas escolhas ao comprar/vestir) falam alguma coisa sobre a gente mesma. A sacada é saber manipular porções dessas preferências e características pra traduzir no look de todo dia quem a gente é, com coerência e segurança!
“Conheça primeiro quem você é, depois adorne-se de acordo”, disse Epictetus (filósofo grego, 50-100). E depois de tanto teorizar, esse post convida todo mundo a se conhecer hoje pra já amanhã identificar como se adornar de acordo, na prática mesmo.

(as fotinhos são do sartorialist e do google)
* todas essas citações vêm de um texto incrível da Cristiane Mesquita, publicado na Fashion Theory de junho de 2002
** esse é um pedaço de uma música de Kleiton & Kledir, pra confirmar que na prática a gente é bem mais legal que na teoria!









Olá, insone. Obrigado pelo coment. E sim, ficaremos juntos sempre, haha. Amo a minha Administradora.
Você é estudante de moda? Já leu as teorias de moda do sociólogo Gilles Lipovetsky? Interessantíssimas.
Cheguei há pouco da facul e estou estudando. Sabe para quê? Para o meu post de amanhã, no blog. Já viu isso? hahh.
Você deve ter orkut. Coloquei link para o meu lá no blog, find-me.
See ya.
[Responder]