16.
nov.
06.

fakin’ it

publicado por: Fernanda

Lembram que eu me dei de presente a carteira do Marc Jacobs?? Pois a gente foi com uma cliente na Shoestock na semana passada e não tinha só uma, mas vááárias carteiras iguais à minha – em cores que nem o prórpio Marc Jacobs fez. A gente sabe que lá na Shoestock sempre tem um monte de “homenagens”, e a gente acha até que isso faz parte do ‘perfil’ da loja: é (quase) um galpão que vende quantidade por preço bem beeem baixo e com qualidade algumas vezes questionável (e vejam bem: a gente adora ir lá, mas tem que garimpar!). A loja chama ’shoestock’ – meio auto-explicativo, não?

E daí que dias depois a gente viu na vitrine do Lenny uma bolsa Fendi. E, de novo, em muitas cores e variações de material. Gente, uma bolsa Fendi do Lenny. É possível?? Não é cara-de-pau??? Porque uma coisa é a Shoestock (ou a 25 de Março, ou whatever) fazer “homenagem”, mas o Lenny abriu uma loja com o nome dele! Ele não tem que “homenagear” ninguém, ele tem que mostrar as criações dele mesmo! Ou não?

homenagens1.jpg
a primeira é a Fendi mesmo, as outras 3 são as variações do Lenny

[[A gente não tá dizendo que o Lenny é o culpado pela cultura de cópias no universo dos produtos de moda, tem mais um milhão de outros exemplos bem pertinho da gente (a Beth Salles tem uma "homenagem" à gaucho da Dior na vitrine essa semana, igualzíssima à original). Mas é bem extremo alguém ter uma marca com seu próprio nome (próprio!) e fazer o que outrem já tinha feito.]]

A Káthia Castilho escreveu que “seguir a moda é adotar figurativamente uma identidade e declará-la, norteando-se pelas regras que garantem o reconhecimento e a identidade do sujeito, e, consequentemente, sua integração a um determinado grupo”. Eu e a Cris, pelo telefone, começamos a fazer força pra “pensar fora da caixa”: e se a consumidora da Shoestock não tem informação de moda, não sabe (e nem quer saber) de onde vêm o conceito? (A Fernanda do mkt de moda já disse que “falta de informação é quase nula num mercado com o da moda”, a gente concorda!) E se a intenção dela é apenas se sentir linda com a bolsa, e não ser reconhecida por usar essa ou aquela marca? E se ela simplesmente curtiu a bolsa e quis ter?? Tipo emocionalmente?

homenagens2.jpg
Marc Jacobs e Lenny, Prada e Lenny

Por outro lado, (aproveitando a onda de citações que tá rolando nesse blog lately) a Cristiane Mesquita diz que “a indústria das cópias possibilita mas fácil e mais rápido acesso aos fetiches de cada estação, (…) que podem não custar 10% do valor do exemplar verdadeiro”. E se o Lenny identificou um desejo da sua cliente em ter a bolsa Prada, pagando menos – e daí resolveu atender a demanda da consumidora, decidiu satisfazer a cliente? E se a cliente dele quer ter o design, quer ser ‘reconhecida’, mas não pode/não quer pagar um mega valor?? E se ele, de um jeito, tá agindo certo com a empresa dele e com a sua cliente????

A gente não deciciu ainda o que acha… mas a gente sempre frisa a importância de se valorizar o conteúdo intelectual de qualquer peça – seja de roupa, de arte, de informação… E vocês, o que acham???? Têm opiniões sobre quem faz cópias e sobre quem compra cópias????

17 Comentários para fakin’ it

  1. Jane diz:
    17 de nov 2006 às 0:38

    Cópia, cópia, pura cópia não é “politicamente correto”, pois o designer faz pesquisa, gasta tempo e usa de suas habilidades para desenvolver um produto…mas as inspirações artítisticas são muitas vezes de imagens que vimos em algum lugar, numa foto, numa vitrine, um sonho, etc….e também tem o consciente coletivo, ou seja, muita gente pensando a mesma coisa.

    É um assunto bastante polêmico, até porque hj vc pode encontrar por exemplo, bolsas fakePrada no Stand Center, por R$100,00, que se a plaquinha não estiver torta, passam muito bem por uma original (principalmente, dependendo do estilo da pessoa que usa) :>

    cherrie, tô indo para Brasília no sábado, não creio que tenha tempo hábil para encontrar a Cris lá…Mas eu volto para SP logo mais…Kisses

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  2. Ilana Berenholc diz:
    17 de nov 2006 às 7:08

    A questão para mim é se a pessoa compra por atração pelo design, muitas vezes sem saber se é uma cópia, ou pelo desejo de um status fake. Se for pelo segundo, acho uma bobagem!

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  3. 17 de nov 2006 às 7:23

    É o que vocês disseram: tem que garimpar. Até para comprar uma peça fake há se ter alguma seletividade. Tais “homenagens” são quase, eu diria, oficiais. Mas sempre com aquele pé atrás.

    Fêr, acabo de ler seu e-mail. Assim que tiver um tempinho, eu respondo, okay?

    Vou ter que me atualizar nesse Last Fm… hah.
    Abraço.

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  4. Luigi diz:
    17 de nov 2006 às 8:49

    Li uma entrevista do MJ para i-D de setembro, na qual ela fala que prefere comprar um Timex do que um Rolex falso. E eu super concordo com ele! Se não posso comprar um original, compro algo diferente, dentro do que posso, mas nunca um fake.

    Mas como vcs falaram, e o MJ tb na mesma entrevista, e daí se a pessoa não pode comprar uma Prada verdadeira, mas se sente seduzida e satisfeita ao comprar uma imitação? Que seja feliz! Vai de cada um, se a pessoa tem seus desejos satisfeito, não tem problema nenhum! E não vem dizer que prejudica a venda das grandes marcas, pq quem tem poder de compra para comprar uma Fendi, uma Burberry, uma Chloé, não vai comprar nada fake!

    Mas quanto a questão da informação, tirando aglumas marcas como LV, Fendi, DKNY, duvido que muito gente saiba o que Balenciaga, Burberry etc… e mesmo que souber, a pessoa tem que ser muito antenada pra saber se o produto que está consumindo é cópia de alguma outra criação. Acho que a informação é essencial para você conseguir pegar diversos produtos do “supermercado de estilos” que mais se adequam a sua personalidade. É fundamental para selecionar o que é mais sua cara das últimas tendências e adaptar a seu próprio estilo. Sem informção é o reino das modinhas, de todo mundo vestido igual…. bem, é o que a gente mais vê, né?

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  5. Lino Resende diz:
    17 de nov 2006 às 12:53

    Quem não tem criatividade para criar, copia.
    Simples assim.

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  6. Mannu diz:
    17 de nov 2006 às 13:05

    Puxa, sempre que vou à São Paulo passo na Shoestock e garimpo mesmo. Dá pra achar coisas legais e de qualidade por um preço maravilhoso, mas claro ne tudo lá e mil maravilhas.
    beijo!

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  7. Rebeca diz:
    17 de nov 2006 às 19:25

    Eu acho que cópia – ou réplica, como uma vendedora da minha cidade prefere dizer hehehe – é algo inevitável. Ir contra é nadar contra a maré. E olha que essas marcas gringas se uniram e tem tentado muito barrar a pirataria. Mas pelo meu olhar isso é praticamente impossível.

    Mas, compartilho da opinião de vcs: ok uma Shoestock copiar, mas uma Lenny já é demais, né? Uma coisa é copiar uma bolsa de 5 mil pra vender por 50. Outra é copiar pra vender por 2,5 mil, né?

    Mesmo assim eu, pessoalmente, não curto comprar cópias. Como não posso – e sei lá se quero, pra ser sincera – pagar uma grana x pra comprar uma bolsa, prefiro comprar outra que seja bacana e cópia de ninguém. Se bem que sabem, né, “na natureza nada se cria, tudo se copia”. Então como saber se o seu original não é cópia de nada? God!

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  8. O Menino diz:
    17 de nov 2006 às 19:45

    não vêm não. por que a cópia de bolsas e de roupas não pode, e pode baixar músicas pela Internet, ou comprar o cd no camelô? quem nunca fez isso?
    acho ótimo que existam cópias, réplicas, e homenagens. As marcas, por mais que neguem, também gostam. Ninguém vai copiar uma bolsa horrenda, ou que não tenha nenhum valor de status agregado. As cópias somente enaltecem e exageram ainda mais o valor e o status de ter uma peça “verdadeira”. Com status maior, as originais vendem mais. Vai ter gente se endividando pra comprar. Então, no fim, é bom pra todo mundo. E, só pra finalizar, basta ver o que Miranda Priestley diz do suéter da Anne Hathaway no diabo veste Prada. É a ordem natural das coisas. A moda surge nas maisons, e vai sendo digerida até chegar na Zara, depois termina no Saara.

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  9. 18 de nov 2006 às 6:06

    Concordo em parte com “O Menino” (comentarista aqui), não vejo mal em comprar uma “réplica” ou um “genérico” se eu acho que o preço do verdadeiro é muito caro. E como eu não gosto de exibir marcas, dificilmente compraria algo com etiqueta forjada.

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  10. Silvia diz:
    18 de nov 2006 às 8:51

    Fe

    Em 1o lugar, gostaria de agradecer sua delicadeza em responder as mens. , vc e mto fofa dg. vcs …..bem qto as “homenagens” sabemos que elas existem mesmo, eu q trabalho com moda, (desenvolvimento de produto), mtas vezes o cliente ja quer q vc leve a colecao pronta para ele…eu acho um problema isso…. Sou fa da shoestock, claro que tem de tudo la (qualidade/quantidade de modelos), mas nao me baseio no que e replica ate pq detesto sair com alguma coisa que alguem faz la fora…..tudo e uma questao de satisfacao pessoal, se alguem gosta de andar com 1bolsa c/ placa da Prada ou outra grife qualquer original ou pirata e se sente bem acho que e isso q importa…como ja disse e tudo uma questao de satisfacao pessoal.

    Alias…acabei de comprar um macacao curto da Maria Bonita mto fofo…nossa q peca linda….
    Bjs

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  11. 19 de nov 2006 às 1:45

    cópia é uma descaso à criação. Tanta gente criativa procurando 1 espaço no mercado e assim fica difícil este espaço surgir… é uma pena mesmo!!!

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  12. hpg diz:
    19 de nov 2006 às 17:22

    ah, o fetiche da mercadoria… o cerne da questão é bem outro do que a relação da cópia com o original! prescinde da mercadoria já. enquanto isso, o negócio é piratear mesmo, por mais que a ordem do capital não se abale!

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  13. Fabio Ishi diz:
    19 de nov 2006 às 23:43

    Shoestock eh uoh cara!

    [Responder]

  14. 19 de nov 2007 às 8:02

    [...] A gente até aposta numas possíveis novas it bags, que agora são só “hit bags”: a fivelona do Fendi pode super ficar pra sempre como uma imagem forte, o matelassado novo e grande do Marc Jacobs pode [...]

  15. Isabella diz:
    23 de fev 2008 às 15:20

    “Nada se cria, tudo se copia!” ;)

    O Lenny já não é mais aquele de 4 anos atrás, acho que tá meio desesperado e sem foco!

    Aceito pagar até 200 reais numa fake… agora pagar 2.300 numa Lendi ou numa Fenny não dá!!!!!

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  16. sonia lucia bruno ramalho diz:
    05 de mar 2008 às 0:09

    gostaria muito de comprar imitação das bolsas prada, mas nao conheço sao paulo oivi dizer que na 25 de março uma custa 15 reais, se alguem souber de algum representante, mande um email pra mim. agradeço muito.

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  17. 04 de dez 2008 às 7:45

    [...] aí ou de bolsas “inspiradas” em power bolsas que a gente encontra em muitas lojas – lembra que a gente até já debateu sobre elas? Porque comprar “homenagens” é muito mais uma questão de gosto e algumas vezes de [...]

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A Oficina


A Fê e a Cris são personal stylists de gente da vida real e dividem, aqui no blog, tudo que aprendem nesse trabalho.