12.
dez.
06.
moda, ícones e exclusividade
O sociólogo Georg Simmel (1858-1918) escreveu que a moda depende do conflito entre “adaptação à sociedade e afastamento individual de suas exigências”. Mary Ellen Roach e Ellen Eicher sugeriram que “a sobrevivência emocional do ser humano depende, de certa maneira, de sua habilidade para alcançar um equilíbrio entre conformar-se à sociedade e preservar um senso de identidade própria”. Moda e indumentária são modos pelos quais os indivíduos podem diferenciar-se como indivíduos e declarar alguma forma de singularidade. (M. Barnard)
A gente já escreveu um tanto aqui sobre as vontades que a roupa nos desperta: vontade de se sentir especial, vontade de pertencer a um grupo definido e ao mesmo tempo se destacar dos demais integrantes do grupo, vontade de definir identidade… e depois dessa trapalhada entre globais e maria bonita extra deu vontade de escrever mais:

É a síndrome da classe média? Tipo cada um tem os ícones que merece? Porque a gente ama Kate Moss, Gweneth Paltrow, Stella McCartney e Sofia Coppola, prestamos atenção no que elas vestem e tal. Mas não tem budget pra vestir tudo que elas vestem, então a gente recorre a marcas brasileiras procurando peças fofitas, descoladas, com alguma qualidade (ainda assim com preço “diferenciado”) e o que acontece?? Globais usam tudo que a gente tem e ainda se dão mal ao serem fotografadas usando ao mesmo tempo. Filme queimado duas, três mil vezes.
(Também tem post sobre essa mesma trapalhada (anterior ao nosso!) com observações bem valiosas no Cute Underwear)
Marcos Mion (sim! eu leio ele e ouço Paris Hilton!) ecreveu numa coluna antiga que “se você não pode ser o único a ter aquela roupa então pelo menos que você seja o primeiro a usá-la”. E quem me conhece lembra do episódio em que eu comprei um vestido bem lindo dessa mesma marca, pra usar no casamento de uma amiga querida (aeeee, Paula!), e a Sol usou o mesmo vestido em Boiadeiros (alguém mais assistiu América?), uns dois dias antes da minha vez de usar. Eu fiquei bem brava e assassinei mentalmente todo mundo da assessoria de imprensa da maria bonita extra.
E aí que eu tenho que pedir licença pra continuar o raciocínio me expondo e talvez me submetendo ao ridículo (sejam bonzinhos no julgamento, please).
Na ocasião (desse episódio do vestido) o que mais me deixou brava foi o vestido ter sido usado numa cena corriqueira, num lugar horroroso (era Boiadeiros, for God’s sake!), por uma atriz de quem eu não sou fã. Tipo nada nela me atrai, nem eu gostaria de associar nenhum valor dela ao que eu uso. A Sol era a última pessoa que podia servir de referência pras pessoas reconhecerem a minha escolha. E as pessoas reconheceram o vestido por causa dela (e alguns riram muito da minha cara), e eu não fiquei feliz at all.
Ao mesmo tempo, no último sábado eu usei num casamento um vestido incrível da Adriana Barra, que eu comprei porque vi a própria usando (sou 100% vítima da história do ‘espelho mágico’). O casamento não era aqui em SP e acho que ninguém na festa conhece Adriana Barra ou reconheceria uma estampa dela. E eu fui bem elogiada, mas ninguém (fora dos Jardins) identifica o vestido como uma criação especial porque não apareceu na novela. E eu (kinda) fiquei meio frustrada porque as pessoas me acharam fofa mas não alcançaram o “valor” do vestido: criação, estampa, modelagem, exclusividade….
E olha com o que eu vivo desde então: se o vestido tivesse sido usado numa novela e eu fosse “identificada”, eu ficaria feliz? Se ele fosse usado por alguém trash, ia perder a graça ou ainda valia pelo reconhecimento? E se Adriana Barra fosse assim, super “identificável”, eu ainda ia querer usar? E se outra pessoa, alguém que eu admiro e com quem eu poderia querer parecer, tivesse usado o meu vestido maria bonita extra (na época do casamento da minha amiga Paula), ia ter problema?
Então a moda se afirma como cíclica e paradoxal (again and again) pra me fazer enxergar que o que é um problemão pra mim pode ser uma mega solução pra outra fofa qualquer. Que o que me irrita nas fotinhos que ilustram esse post pode ser exatamente o que faz alguém feliz.
Sim, de um jeito, cada um tem os ícones que merece. Não tem fundamento?
Alguém se identifica????









Gente a fotinho faz minha irmã mega feliz!! Ela vive vindo me pedir ajudar p/ escolher roupas p ela sair ou vestidos para ir nas festeenhas de 15 anos. Eu, com meu gosto ás vezes peculiar, acabo escolhendo combinações ou peças mais descoladinhas, diferente do que toda menina com seus 14, 15 anos estariam usando. Mas pergunta se minhas opiniões são aceitas? “Magina se eu vou usar isso, só eu vou estar assim!” é o que eu mais escuto.
Graças a Deus se só eu estiver assim! Não gosto, nem tento ficar igual a todo mundo! Mas infelizmente não é assim que a grande maioria pensa.
A possível exteriorização do subjetivo e uma maior identidade que a moda pode propiciar à alguém, acaba sendo deixada em segundo plano, quando milhôes tentam seguir as mesmas tendências e se vestir igual. Nada contra seguir tendência – eu mesmo sigo algumas – mas adaptar a tendência ao seu estilo é fundamental.
Uma vez li um texto do Ted Polhemus falando que cultura de moda é fundamental para que a pessoa possa entrar no “super mercado de estilo” e a partir das diversas referências – e por que nâo tendências – montar seu estilo próprio.
E acho que é bem isso o que acontece aqui… Como cultura de moda é coisa rara por aqui, todo mundo acaba caindo nas “modinhas”.
E agora vamos parar com essa chuva de post que eu preciso trabalhar!!! heheh!
Bxos,
Lu
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