16.
dez.
06.
muitos mundos da moda aqui no BR
O André Felipe deixou um mega comentário no post do videozinho da Anna Wintour, e o que ele escreveu rende mais tantos outros posts. Esse aqui quer começar pensando a divisão que o André “propôs” pro mundo da moda brasileiro (isso existe?) e não sabe onde vai parar. A gent ereproduz do nosso jeito, assim ó:
• mainstream: grandes marcas que “fazem moda” (a intenção pode até ser boa!) mas vendem mesmo o combo jeans + camiseta
• estilistas novos talentos: podem ser geniais, mas não têm mercado – vivem de edredons, celulares, melissas e frigobares (adoro!) ou “exportam toda a sua produção” de 60, 70 peças
• bom retiro + grandes magazines: não dão bola pras tendências, pegam o que está nas revistas, transformam rapidamente em produto e movimentam grande parte do volume do comércio

E a gente concorda. Marcas que deveriam criar tendências quase sempre só as reproduzem, medindo o que mais vendeu no mercado internacional. Os novos talentos não são expressivos além dos Jardins (como o Dalton sempre clama!) e, mesmo que muitos desses façam coisas incríveis, as propostas deles não chegam às ruas. Ou chegam via C&A, Renner e afins, integrantes do terceiro grupo mencionado pelo André. Esses sim são hit: vendem, vendem, vendem, têm nas vitrines (e em larga grade de numeração!) tudo que a gente vê nas novelas da Globo e sim, cada vez mais têm anúncios na Caras como o André apontou. O povo-consumidor do terceiro grupo veste Prada, Chloé, Marc Jacobs, Fendi e afins, sem nem saber do que se trata.
De um outro comentário: “vem um investidor, compra uma marca de muita personalidade (como a Sommer, por exemplo), injeta recursos e quer que ela arrebente de vender. Para isso, populariza e descaracteriza o produto, despede o criador e acaba transformando a marca numa “coisa” sem identidade.” E no mesmo post o Luigi ainda comentou que “o público alvo das grandes revistas de moda nacional são a minoria da minoria desse “brasilzão”. A gente dá graças a Deus pela FFW MAG e pela KEY e pela Simples, mas pensamos que o que se lê mesmo no Brasil, como revista de moda, é a Cláudia (sem desmerecer, of course). Daí não tem espírito criativo que se materialize.
Mario Mendes já disse uma vez que “os estilistas falam com 6 pessoas, as novelas falam com 6 milhões”. E disse mais:
“Um programa que atinja os milhões de pessoas que as novelas globais atingem, ditam muito mais do que uma simples tendência de moda. Então, o que se usa na rua é mesmo o que se usa na novela. Não desprezemos os figurinistas de novelas (alguém ditou mais moda do que Marília Carneiro e suas meias Dancin’Days?), mas sim observemos o trabalho deles e a tremenda influência que têm no mercado consumidor. (…) O caso dos figurinistas de novelas no Brasil é um fenômeno local. A comunicação da moda com o grande público aqui acontece assim. E não é a moda da rua que vai pra novela, é ao contrário. As pessoas querem o que viram na novela na noite anterior.”
E o que o povo usa comprado na C&A é moda? Ou é roupa?
Precisa ter informação pra ser moda?

As figurinistas são “donas” das modas no lugar dos estlistas – no universo BR?
(Hoje na Folha de SP tem matéria sobre o que vai ser tendência no verão. O Alcino Leite Neto entrevistou, pra saber, a Rita Wainer – estilista/dona da Theodora, o povo do coletivo P’tit, o Felipe Veloso, a Patrícia Ruas – dona do Acervo Benjamim e…. Marie Salles, figurinista de “Pé na Jaca”.)
O André termina o comentário dizendo que “quando o mercado brasileiro de moda amadurecer em termos de mkt, as marcas (novas ou velhas) tiverem gestões mais sofisticadas e profissionais (como as de NY, Paris e Milão) e passarem a criar e não importar tendências, aí sim vamos ter assunto e espaço pra reflexão.” Considerando que o país tem uma semana de moda organizada e oficial há pelo menos 10 anos, o povo já não devia ter evoluído??
Mas até lá vamos continuar reféns de uma moda sem quawn??
E o que a gente faz pra contribuir com o amadurecimento da “indústria-local”??? A gente não tem como fazer alguma diferença???? Somos reféns resignados???









Fê,
eu acrescentaria algumas coisas no meu comment, que pensei de ontem pra hj. Aquela minha divisão em grupos proposta no comment reflete uma realidade do mercado brasileiro enquanto relaçâo da produção de moda com o público consumidor, ou seja, o varejo.
Portanto vale um adendo importante: o mercado de moda brasileiro, enquanto criação, design, estilo, ainda que jovem e talvez ainda um pouco inexperiente, se desenvolveu muito – por que saiu praticamente do zero – nos últimos 10 anos no sentido da transformação da moda em consumo, cultura, comportamento e atitude, e isso eu posso dizer, por nossas conversas com o Paulo Borges, que foi graças ao trabalho e todo o impulso promovido pelo SPFW.
Antes do advento da semana de moda brasileira, desfiles, se havia, eram restritos, exclusivos, fechados aos olhos do mercado consumidor. Hoje isso é diferente, e quando vc pergunta se existe moda (no sentido NY/Paris/Milão) no Brasil, eu acho que até existe, mas ainda está concentrada na vontade (que não é pouca) de alguns poucos e bons, que tem interesse legítimo (e vão aos poucos chegando lá) em transformar a moda brasileira em um expoente internacional. Complicado, porque como disse o Mario Mendes, não é fácil desenvolver uma cultura de consumo num país em que o próprio consumo em geral ainda não chegou nem perto do primeiro mundo, além de ser teleguiado pelas novelas da Grobo.
Mas nem tudo está perdido. (hahaha). Hoje, se vc ver bem, as modelos brasileiras dominam esse mundo internacional (eu vi ontem o show da Victoria Secret na TV, dava pena das modelos “não brasileiras”), e o beachwear brasileiro, isso sim, exporta e exporta bem, é referência no mundo todo. Muito mais que as 60, 70 peças que eu mencionei (maldade…).
Mas é sempre bom questionar, acho que é isso que provoca e estimula o “pogresso”, é isso que faz pensar. Trabalhei como publicitário para marcas de todos os tipos e tamanhos na moda brasileira, Arezzo, Forum, Triton, Adriana Barra, até Banca de Camisetas (que é moda, por que não?), além de outras milhares, e vi a coisa de dentro, vi desde as dificuldades até as frivolidades, e temos que torcer a favor, trabalhar pra isso, é o nosso trabalho at the end of the day.
É isso aí queridas, e a gente vai se falando.
Bjs
AF
[Responder]