O André Felipe deixou um mega comentário no post do videozinho da Anna Wintour, e o que ele escreveu rende mais tantos outros posts. Esse aqui quer começar pensando a divisão que o André “propôs” pro mundo da moda brasileiro (isso existe?) e não sabe onde vai parar. A gent ereproduz do nosso jeito, assim ó:
• mainstream: grandes marcas que “fazem moda” (a intenção pode até ser boa!) mas vendem mesmo o combo jeans + camiseta
• estilistas novos talentos: podem ser geniais, mas não têm mercado - vivem de edredons, celulares, melissas e frigobares (adoro!) ou “exportam toda a sua produção” de 60, 70 peças
• bom retiro + grandes magazines: não dão bola pras tendências, pegam o que está nas revistas, transformam rapidamente em produto e movimentam grande parte do volume do comércio

E a gente concorda. Marcas que deveriam criar tendências quase sempre só as reproduzem, medindo o que mais vendeu no mercado internacional. Os novos talentos não são expressivos além dos Jardins (como o Dalton sempre clama!) e, mesmo que muitos desses façam coisas incríveis, as propostas deles não chegam às ruas. Ou chegam via C&A, Renner e afins, integrantes do terceiro grupo mencionado pelo André. Esses sim são hit: vendem, vendem, vendem, têm nas vitrines (e em larga grade de numeração!) tudo que a gente vê nas novelas da Globo e sim, cada vez mais têm anúncios na Caras como o André apontou. O povo-consumidor do terceiro grupo veste Prada, Chloé, Marc Jacobs, Fendi e afins, sem nem saber do que se trata.
De um outro comentário: “vem um investidor, compra uma marca de muita personalidade (como a Sommer, por exemplo), injeta recursos e quer que ela arrebente de vender. Para isso, populariza e descaracteriza o produto, despede o criador e acaba transformando a marca numa “coisa” sem identidade.” E no mesmo post o Luigi ainda comentou que “o público alvo das grandes revistas de moda nacional são a minoria da minoria desse “brasilzão”. A gente dá graças a Deus pela FFW MAG e pela KEY e pela Simples, mas pensamos que o que se lê mesmo no Brasil, como revista de moda, é a Cláudia (sem desmerecer, of course). Daí não tem espírito criativo que se materialize.
Mario Mendes já disse uma vez que “os estilistas falam com 6 pessoas, as novelas falam com 6 milhões”. E disse mais:
“Um programa que atinja os milhões de pessoas que as novelas globais atingem, ditam muito mais do que uma simples tendência de moda. Então, o que se usa na rua é mesmo o que se usa na novela. Não desprezemos os figurinistas de novelas (alguém ditou mais moda do que Marília Carneiro e suas meias Dancin’Days?), mas sim observemos o trabalho deles e a tremenda influência que têm no mercado consumidor. (…) O caso dos figurinistas de novelas no Brasil é um fenômeno local. A comunicação da moda com o grande público aqui acontece assim. E não é a moda da rua que vai pra novela, é ao contrário. As pessoas querem o que viram na novela na noite anterior.”
E o que o povo usa comprado na C&A é moda? Ou é roupa?
Precisa ter informação pra ser moda?

As figurinistas são “donas” das modas no lugar dos estlistas - no universo BR?
(Hoje na Folha de SP tem matéria sobre o que vai ser tendência no verão. O Alcino Leite Neto entrevistou, pra saber, a Rita Wainer - estilista/dona da Theodora, o povo do coletivo P’tit, o Felipe Veloso, a Patrícia Ruas - dona do Acervo Benjamim e…. Marie Salles, figurinista de “Pé na Jaca”.)
O André termina o comentário dizendo que “quando o mercado brasileiro de moda amadurecer em termos de mkt, as marcas (novas ou velhas) tiverem gestões mais sofisticadas e profissionais (como as de NY, Paris e Milão) e passarem a criar e não importar tendências, aí sim vamos ter assunto e espaço pra reflexão.” Considerando que o país tem uma semana de moda organizada e oficial há pelo menos 10 anos, o povo já não devia ter evoluído??
Mas até lá vamos continuar reféns de uma moda sem quawn??
E o que a gente faz pra contribuir com o amadurecimento da “indústria-local”??? A gente não tem como fazer alguma diferença???? Somos reféns resignados???