“Às vezes Beyoncé exagera, mas ainda assim a gente acha divertido. Como no preview do seu novo clipe, “Kitty Kat”, que chegou à Internet nesta semana. No vídeo, Beyoncé aparece vestida de onça dos pés à cabeça – literalmente, incluindo as unhas, o brinco e a inacreditável maquiagem sobre os olhos. Como se não bastasse, ela ainda contracena com um gato gigante, com direito a bordoada do brinquedo do bichano. E olha que é só um preview. Imagina até onde vai o clipe inteiro?”

A nota veio do CHIC e a gente concorda com cada vírgula. Tem que ver o vídeo AGORA. Porque pra ela, onça is the new black.
Mesmo que desde os primórdios carregue o status de diferenciador social, no decorrer do século XX a moda foi se tornando cada vez mais acessível a um número maior de pessoas… num mundo onde só existia couture surgiu o ready to wear (que apareceu primeiro na América pra depois se tornar o pret-a-porter francês) e o que era pra pouquíssimos sofreu uma grande difusão.

Mona Bismarck foi a maior consumidora de alta costura da história!!!
Não é de se estranhar que depois um período de acessibilidade a moda tomasse o caminho oposto e tentasse se valorizar, certo!?! Foi na década de 70 que surgiu o conceito de griffe, a etiqueta e a logomarca que sempre tiveram seus lugares reservados no interior das peças, passaram a ser exibidas do lado de fora. Assim a moda voltou a ser objeto de diferenciação social!!!
E se a gente pensar no cenário atual? Existem algumas marcas que produzem moda de grande difusão, em que se pode consumir fast-fashion (termo que anda em alta neste blog!) em quantidade, mas não necessariamente com qualidade… Ou seja, hoje muitos têm acesso imediato ao que existe de mais novo na moda, o que antes era privilégio de poucos. Se tanta gente consegue adquirir design de ponta significa que a moda se popularizou? Mais ou menos…
Vivemos um momento de reglamurização. De um tempo pra cá se ouve e se lê cada vez mais sobre a relação entre luxo, moda e comportamento! E luxo é pra pouquíssimos: vai além do valor investido, tem relação com exclusividade… “luxo é prazer e não necessidade” diz João Braga, o professor de história da moda mais querido do Brasil!
É nessa de ceder um pouquinho e em seguida tomar de volta que a moda consegue sobreviver… Inúmeras marcas estão se subdividindo pra atender várias categorias de consumidores. Um exemplo? O Grupo Forum hoje é composto pelas marcas Forum Jeans, Forum, Forum Tufi Duek e Tufi Duek, seguindo a sequência crescente em exclusividade, preço e qualidade do material e decrescente em acessibilidade. Ainda pertecem ao grupo a Triton (público jovem) e Carina Duek (meninas-fofitas-românticas-e-descoladas)!!! Outras tantas marcas adotaram o conceito de mastígio (massa + prestígio) em sua estratégia comercial: levam o seu prestígio atravé de pequenos (e acessíveis) acessórios às “massas”. E dessa forma a gente consegue sentir um pouquinho do gostinho do brioche, né!?!

Se eu não posso ter uma bolsa Karen de piton Marc Jacobs por US$2.800… pode ser que eu consiga comprar um guarda-chuva fofo de bolinhas (beeeem Oficina de Estilo, hein!?!) Marc by Marc Jacobs por US$58,00!!! (Ambos no Net-a-Porter). E MJ, que não é nada bobo, já está lançando uma terceira marca…
Depois de quase um ano de boatos, o estilista Hedi Slimane deixou a direção criativa do masculino da Dior para abrir sua própria marca de roupas. Hedi vai ser substituído por Kris Van Assche, estilista belga que já foi seu assistente e que também tem marca própria – aqui tem vídeo do último desfile do estilista pra gente começar a imaginar como vão ser as coisas na Dior Homme agora! A Dior disse que escolheu o jovem designer pelo seu conhecimento da empresa e da sua reputação em alfaiataria fina. Diz que a marca quer dar uma nova direção ao seu masculino – sem deixar pra trás que a silhueta mais sequinha que Slimane estabeleceu através de suas coleções para a Dior Homme ainda é o que há de mais novo na moda para meninos.

O que importa pra gente (na vida real) é que a Dior Homme é super referência de moda masculina moderninha. Então pode ser que a gente veja mudanças no masculino na próxima temporada de moda, pode ser que esses dois estilistas, cada um no seu novo trabalho, proponham inovações e imagens originais pra uma moda que é tradicionalmente mais estática que a feminina. Bom pros meninos, que vão ter um movimentinho a mais nos seus guarda-roupas! A notícia é da Vogue UK.
Deu na coluna da Alexandra Farah ontem que tem um boato FORTE de que vai ter H&M no Brasil até o fim do ano, três lojas. A H&M é a versão sueca de lojonas tipo Zara (espanhola) e Top Shop (inglesa), que vendem tudo que tá mega na moda, tendência versão vida real: coisas que a gente quer usar logo depois de ver desfiles, mas com precitos beeem diferentes dos designers que desfilaram. E as coisas são produzidas bem rapidinho, logo depois que desfilma meeesmo – por isso o termo ‘fast-fashion’. Foi com essas lojas, inclusive, que começou a história toda de super designers e celebrities desenvolverem coleções pra muita muita gente, populares mesmo.

mulherada enlouquecida no lançamentoda coleção da Madonna pra H&M
Acontece que ao mesmo tempo em que a gente quer comprar itens de qualidade, que durem pra sempre, a gente também têm vontades que não duram tanto (quero ver quem vai continuar usando vestido camiseta e sapatilha metalizada pra sempre!). A gente (aqui na Oficina) acha que super dá pra ter no guarda-roupa uma base “atemporal”, que dura mesmo e que independe das modas. Mas a gente também é fã de incrementar essa base com peças-tendência, baratinhas e quase descartáveis – e é nessa hora que as lojas que fazem fast-fashion viram nossas melhores amigas. Quer usar sapatilha de onça? Vai na Shoestock! Quer usar jaquetinha metalizada? Vai na Zara! Quer o look da Kate Moss? vai na Top Shop… Que o investimento não é super grande e não dá consciência pesada de enjoar logo.

tem um monte de “vontades” no site da H&M
A novidade é que essa mesma H&M (que diz que vem – “tomare”!) também acha que a gente tem que ter uma quantidade de peças de qualidade, atemporais e que dê suporte ao nosso estilo pessoal, e por isso desenvolveram um “novo conceito de moda” que chamaram COS – Collection of Style. As lojas vão ser abastecidas com a mesma frequência do fast-fashion (quase todo dia tem coisas novas!), mas as peças terão mais qualidade nos tecidos e acabamentos e serão produzidas em cores e modelagens propositalmente mais clássicas, com o propósito de durarem bem bem beeeeem mais.

no site da COS tem vááários looks – eu queria esse cardigan cinza!
Diz que o foco da COS é fazer moda e longevidade andarem de mãos dadas, produzindo peças dignas de serem “classificadas” como pret-à-porter, mas com preços super mais acessíveis (preços quase como no fast-fashion). Diz que vai ter um monte de clássicos reinventados e muitos materiais naturais (a gente a-do-ra), inclusive cashmere e couro. Até o projeto da loja foi pensado pra acompanhar o conceito: é tudo super clean e clássico, mas bem moderninho – a gente viu essas fotos no blog do estúdio de design que fez as lojas e o Michell, que tá lá na Holanda, vai visitar a COS e vai mandar fotos originais pra gente ver!

E a gente vai super torcer pra ter mesmo aqui, tanto H&M quanto COS, que vai ser tudo de bom pra todo mundo.
• tem resumo do primeiro dia de palestra da Marie Rucki no Moda Sem Frescura, e resumo do segundo dia no About Fashion (updating!) – dá pra saber de tudo como se a gente também tivesse assistido!
• o Paul Smith, designer britânico dos maaaais legais, tem campanha nova, fotografada só com não-modelos, mas com um monte de gente especial tipo o cantor fofo Mika – a gente adora!
• no Descolex tem post contando TUDO no Mercado Mundo Mix, que vai acontecer de novo com promessa de ser mais legal que antes: eu li e fiquei empolgadíssima!
• a revista online Paradoxo tem uma fashion issue no ar, com editorial e matérias incríveis – as referências de xadrez e de mangas volumosas + textinho falando da marca masculina Mustache são bacanérrimos!

Agora em abril vai ter curso de Produção de Moda com ninguém menos (!!!!!!) que Giovanni Frasson, na Escola São Paulo. O Giovanni é editor da Vogue BR e stylist de marcas tipo Zoomp e Rosa Chá, e pela minha conta ele deve ter mais de 20 anos de moda brasileira. Só por ter trabalhado um tempão com a Regina Guerreiro (quando ela editava a Vogue) ele já teria assunto pra um mês de aula. Mas ele vale mais, bem mais: “Eu sou da escola que passa fita crepe no sapato para não estragar a sola. Um produtor que chegasse no set sem a camisa cheia de alfinetes não servia.”

Eu fiz o curso (acho que em 2002…) e aprendi sim a crepar um sapato com primor. Também aprendi tudo sobre as etapas do processo de criação de imagem de moda e sobre os profissionais que participam dele. Aprendi que atenção, agilidade, zêlo e uma super disposição são o começo de um bom produtor. Aprendi que tem que amar muito pra fazer direito e que no fim, a emoção que a imagem nos causa compensa qualquer nervoso (e quem é produtor/stulist passa por momentos teeensos!). Mas nada disso se compara à experiência da convivência com o editor. Saber das opiniões do Giovanni, das suas histórias, e enxergar um pouquinho através dos olhos dele é o maior aprendizado.
Porque se alguém quer ser bem sucedido nessa área, nada melhor do que começar estudando com O dono do sucesso, não? Que ele mesmo diz: “As pessoas têm pouco preparo. Todo mundo vira stylist sem sequer ter passado por um estágio, uma escola. Por essas e outras alfinetadas acham que eu sou antigo. Como bem falou Diana Vreeland, ‘não quero ser moderno, quero ser eterno’.”
Tem toda a info do curso no site da Escola São Paulo. E nas fotinhos tem a minha turminha do mesmo curso (old times, old times…), o Giovanni me enforcando (muito amor!) e do lado um momento ternura com Miranda Priestly versão brasileira (é brincadeira! ele é super querido!).
Já é aposta pro Oscar do ano que vem o figurino de “The Golden Age”, continuação de “Elizabeth”, com Cate Blanchett de novo no papel principal. Os figurinos são mais uma vez da Alexandra Byrne, indicada 3 vezes ao prêmio (uma delas por Elizabeth mesmo), e já tem fotinhos pela internet.
Também (já!) é favorito o trabalho novo do Ang Lee, chamado “Lust”. Até agora não tem tanta informação, mas tem tudo pra ser um “thriller erótico”. Já se sabe que o filme é todo ambientado na segunda guerra, provavelmente em Taiwan.
Por último, se “Mamma Mia” sair ainda esse ano, é o meu favorito da lista (senão, só no ooooutro Oscar). O filme é a reprodução do musical da Broadway que conta a história dos integrantes do Abba – com figurinos que super prometem! Diz que tem Meryl Streep e Pierce Brosnan no elenco, tá?!?

Nas fotinhos tem prévia dos figurinos de ‘Lust’ e de ‘Golden Age’.
O Michell mandou um tempo atrás esse link com um monte de imagens de aeromoças dos anos 60: as modelagens e comprimentos que elas estão usando nas fotos não podia ser mais atual! Tem umas que estão de ankle boots, inclusive!

E na Vogue América do mês passado (a nova já chegou, com Scarlett Johansson na capa, com make super Cate Blanchett em ‘Aviator’ – mais aviões!) tem editorial de acessórios futuristas fotografado……… num avião! Um monte de coisas prateadas, super Courréges, suepr anos 60!

Mais aviões no site da Ralph Lauren: a animação da abertura do site adianta o clima da coleção – tudo bem anos 40, com aviões estilosos no fundo…. O look dos anos 40 é bem diferente do dos anos 60, mas as duas épocas ficaram marcadas pela força das mulheres: as de 40 por causa da guerra e as de 60 por causa do engajamento político dos jovens e da revolução sexual.

Dá pra fazer um monte de conexões legais, não dá?
Francisco Costa dirige hoje a criação de uma das marcas mais elegantes do planeta, a Calvin Klein, e não por acaso ele está onde está. Deu entrevista pra Veja que chegou nas nossas casas no sábado e recheou as páginas amarelas com sabedoria-fashion válida pra todo mundo!
O estilista falou que Carine Roitfeld é exemplo de elegância pra ele (”ela se conhece bem e seu estilo não dá espaço para umminuto de tédio sequer”) e se disse lisonjeado quando tem seu trabalho copiado por redes de fast-fashion tipo H&M (”essas lojas são craques, têm uma boa visão do mercado, do que vai cair na boca do povo”). Disse que odeia barriga de fora (a gente na Oficina também não curte…) e quando falou do vestido de casamento da Wanessa Camargo, que ele próprio está fazendo, disse que não sabia que ela era tão celebridade assim!

Mas a melhor parte é a que ele fala do conceito de “ser chique”. Vê se não tem a ver com o que a gente faz/fala aqui:
“Não dá para ser chique usando tudo o que se quer. É claro que hoje existem muitas opções na moda. Mas ser chique é conhecer o próprio corpo, entender de proporção. Se você tem pernas bonitas, pode ter como assinatura uma saia num determinado comprimento que as mostre.E também acho que ser chique é ser clássico, não é seguir todas as tendências que aparecem. Isso é coisa para um mercado mais popular. O estilista tem a função de instigar, de agir como antena do dia-a-dia, do mundo em que vivemos hoje. Mas a mulher não pode ir atrás de todas as novidades.”

Tá?

Saiu a edição de março da U_Magazine do Romeuuu e do Matheus Evangelista. Tem os meninos de super-óculos que a gente mostrou aqui nesse post e tem muita muita coisa que a gente ainda vai ver na rua, na tv e nos ipods dos mudérnos. Vale o clique e vale clicar nas fotos pra aumentar e ler os textinhos (em inglês).