6.
abr.
07.
conversas sobre arte e moda
Existem tendências para museus e galerias de arte, assim como para a moda. E a tendência mais forte para museus/galerias hoje é… a moda. De um tempo pra cá a gente leu sobre exposições dos trabalhos de Vivienne Westwood, dos figurinos da Kylie Minogue, retrospectiva da carreira do Giorgio Armani e aqui no BR tivemos a Fashion Passion, lembram? E todo mundo debate de vez em quando sobre as ligações entre uma coisa e outra, né? Mario Mendes acha “perigoso falar de moda como arte, até porque essas coisas a gente não decide sozinho, quem decide é a posteridade”. Alexandre Herchcovitch já falou que, para ele, “moda é business, mas que se o outro considera o que ele faz como arte, então para o outro é arte sim – mesmo que ele não faça com esse propósito”.

obras do arthur bispo do rosário, que foi quem iniciou o debate! (do flickr da marina)
Essa semana eu ouvi o Ricardo Oliveros dizer que “arte é produzida com propósito de ser arte”, então parangolés e peças confeccionadas com finalidade de conversar com outros trabalhos em mostras e exposições específicas são arte sim – mas roupa feita pra usar ou pra desfilar não é: “(artistas) não produzem somente em roupas para vestir, mas criam, a partir de códigos da própria moda, trajes repletos de mensagens, atitudes, conceitos que alargam os sentidos do que é o ato primordial do paraíso perdido: cobrir-se.”
O Ricardo sabe do que tá falando, é jornalista de moda dos mais inteligentes (quem trabalha com Regina Guerreiro é nosso amigo instantâneo!) e participa dessa conversa de arte há tempos, como curador, produtor, estudioso e entusiasta. E de presente (e por generosidade) ele vai dividir com a gente, aqui na blogolândia, seus pensamentos e insights no Fora de Moda, blog recém inaugurado mas já recheado de conteúdo preciosíssimo.
Que uma das super características da arte contemporânea é a mistura de meios: fotografia com vídeo com música com design com performance… e, em moda, um exemplo de manifesto de arte, é o desfile de papel do Jum Nakao, de 2004 (roupas de papel, meninas-playmobil, tudo rasgado no fim… lembram?). Foi ‘manifesto de arte’ porque não foi desfile de moda, mas sobre moda (quem falou foi a GK). O estilista quis chamar atenção para o luxo e para o preciosismo, mas ao mesmo tempo pra inevitabilidade da perda (quando se trata de roupa). E criou o objeto e o design (as roupas), e fotografou, e promoveu a performance (desfile) e filmou e fez virar livro. E o Ricardo postou no blog dele o melhor texto já escrito sobre esse evento e sobre a relação arte x moda.

a costura do invísivel: alargamento de horizontes
“Quando a moda se relaciona com outras linguagens, especialmente a arte, é preciso muito mais do que uma imagem que vai ser consumida pela massa; essa relação tem de ser pensada a partir de um rompimento de códigos pertinentes a cada uma para que se estabeleça um outro lugar, que não resulta em mais um produto, e sim em uma obra. Investir nessas relações, ainda que de forma experimental, traz novas reflexões para ambos os campos de criação.”

Então, queridos do blog, ficamos assim: a gente pode até ter aquelas roupitchas mega especiais, que a gente ama de paixão e super valoriza por causa da estampa, por causa do bordado, por causa do tecido ou da forma (mesmo por causa do que vivemos com elas – roupa tem história, né?!). E a gente pode guardá-las e amá-las como se fossem obrinhas de arte particulares, mas moda como arte é outra coisa. E a gente vai saber que outra coisa é essa, com mais clareza, a cada post novo do Fora de Moda – que aprender e crescer nunca é demais. O link já tá aqui do lado e é visita diária obrigatória!
** tem um post incrível no Moda Pra Ler com endereços e referências de museus que cuidam de moda e indumentária no mundo todo! super mini-guia-essencial de viagens! **









Bispo do Rosário foi um artista sensacional! Louco na visão da medicina e visionário na mente de artistas. As obras que ele fez no manicômio são coisas impressionantes, se pensarmos, principalmente que ele fazia tudo com objetos que encontrava por lá mesmo e com linhas que recebia de presente de parentes de outros internos. A capa que ele bordou para entrar no céu é uma das peças mais divulgadas pela internet.