11.
fev.
08.

sobre o manifesto da vivienne westwood

publicado por: Fernanda

No mês passado, durante o SPFW, todo mundo super falou da vinda de Vivienne Westwood por conta dos seus sapatinhos pra Melissa. Acontece que a estilista aproveitou sua vinda pra divulgar seu “Manifesto de Resistência Ativa à Propaganda”. A estilista promoveu uma leitura desse manifesto meio em forma de jogral, com várias pessoas lendo pedaços do texto – foi tudo escrito meio como um teatrinho, com personagens e falas e tals. Dá pra ler tudo em inglês aqui (alguém podia traduzir, néam?).

vivi_ar.jpg
“a gente vê além da propaganda quando forma nossa própria opinião e tem idéias novas: e assim a gente é vanguarda e ainda inspira a imaginação de todo mundo em volta”

O manifesto trata de consumo consciente (e não do “não-consumo”). A mensagem que a gente mais entendeu foi a de que se a gente procurar sentido em tudo que a gente consome, as coisas em volta invariavelmente melhoram. Tipo intelectualizar as compras e não consumir sem motivo/sem razão, não comprar só por comprar. Ela dá a dica pra gente refletir sobre necessidade, identificação, emoção e aí sim, fazer nossas compras. E a parte mais legal é pensar nisso em relação à moda e suas propagandas! Vivienne diz que a gente tem que procurar a arte em tudo, tem que ir atrás do belo e do que desperta pensamento e questionamento, que assim a gente tem idéias próprias, idéias novas e faz o mundo melhorar só com as nossas escolhas (escolhendo o que tem sentido e deixando pra trás o que não tem – o que quer vender só por vender).

E ela fala mais: se a gente tem grandes obras de arte disponíveis ao olhar (e ao pensamento e ao questionamento) e se elas foram feitas há tanto tempo (usando exemplos de grandes pintores, antigões), isso é uma certeza de que o ser humano é capaz de fazer coisas lindas, de criar arte que emociona e que “conversa” de algum jeito com quem a admira – e não é disso que o texto (top nosso favorito!) ‘eye contact x voice control’ fala?!?? As propagandas mais legais são as que conseguem conectar nosso universo pessoal de algum jeito com o produto, e a compra tem mais sentido assim – isso é intelectualizar a imagem no lugar de apenas se vestir! Dá mais trabalho, mas é mais legal e, de acordo com a Vivienne Westwood, ajuda a melhorar o mundo!

Mais do mesmo!
Eye contact x voice control
Pra comprar menos e melhor
Ninguém precisa de tanto
As marcas e o envolvimento emocional
Roupa de amor
Abrindo espaço físico e mental no guarda-roupa

12 Comentários para sobre o manifesto da vivienne westwood

  1. Ale diz:
    11 de fev 2008 às 5:08 pm

    Taí, meu top 3 (atrasado!) está nesses posts:
    * Pra comprar menos e melhor
    * Ninguém precisa de tanto
    * Abrindo espaço físico e mental no guarda-roupa
    Não há nada mais útil na moda do que ensinar a “exercitar o desapego” para se vestir melhor….
    bjooo

  2. Maria diz:
    11 de fev 2008 às 7:13 pm

    Muito legal aproveitar o gancho deixado pela Vivienne Westwood pra falar em consumo consciente. Além de pensar, vivenciar as compras, acho legal pensar no fluxo dos produtos. Legal poder trazer peças novas todos os meses, né? E mais legal ainda poder passar pra frente em ótimo estado o que não se usa mais. Eu adoro desopilar meus armários e doar coisas, não só roupas, que as pessoas amam receber. Além disso, tenho o prazer de receber a moça que me ajuda com a casa com uma bolsa da Santa Marinela, da outra Arezzo… tudo novinho, super bem-cuidado. Luxinhos para todos, né não?!
    Beijos.

  3. Oliveros diz:
    11 de fev 2008 às 10:59 pm

    Falei com a Cris e ficamos de marcar algo tipo quinta…Amanhã vou no Bureau Verão 2009 da Santista, recebi o convite da Fafa de Oliveira, but…quarta vou ver minha amiga sapateira…

  4. Angela diz:
    12 de fev 2008 às 9:43 am

    Oi Fê! Quando vc encontrar o Pedro Beck, vc me conta o que ele te explicou, pelamor????
    Beijos

  5. Beck diz:
    12 de fev 2008 às 11:53 am

    Caso eu traduza, contará como um freela para a Oficina? Huahuauha.

  6. Cadija diz:
    12 de fev 2008 às 2:49 pm

    Ótimo post, seria tema para várias discussões, se eu fosse Vivienne Westwood (piada claro) mudaria o título do texto, críticamos muito a publicidade e esquecemos do nosso papel enquanto cidadão e consumidor consciente.

  7. 12 de fev 2008 às 6:59 pm

    Dame Westwood falou e disse! Faz parte do universo da Moda pensar o mercado, a sociedade, o meio ambiente. Valeu pela visita, Fe! Amei o post! Abçs

  8. Yuri diz:
    12 de fev 2008 às 8:11 pm

    Talvez alguns achem contraditório a própria Vivienne falar sobre essa conscientização. Mas, pra mim, isso prova mais uma vez que as roupas dela são atemporais. Quem compra algo com a marca Vivienne Westwood, compra um objeto de arte, algo que vai durar por muito tempo. É o tal investimento que vale a pena, né?

    Beijos, meninas! Desculpem o sumiço!

  9. 13 de mar 2008 às 3:48 pm

    [...] só quantas coisas interessantes poderíamos encontrar no lixo. Com tanto consumismo, (lembra do manifesto da Vivienne Westwood sobre o consumo consciente?) muita coisa vai fora mesmo, uma pena. De um lado temos esse movimento [...]

  10. 26 de mar 2008 às 2:02 am

    [...] conhecer o trabalho da estilista (ainda!); e alcança quem é fã do trabalho e vai ter chance de consumir tudo com preços suuuuper amigos. [...]

  11. Neide diz:
    13 de abr 2008 às 2:07 pm

    O manifesto é mais um indicativo de que finalmente estamos passando do paradigma antropocêntrico para o BIOCÊNTRICO, onde é considerado o direito à vida para todos os seres existentes no planeta TERRA.

  12. Lu Machado diz:
    17 de mar 2009 às 10:54 pm

    Consumo inteligente
    O não consumir fashion.

    Como designer (estilista, criadora, pesquisadora, ou qualquer outra designação) deparei-me com a tal situação de crise, e com o paradigma de inventar o que não é para ser consumido.
    O que criar para aqueles que não querem ser “fashion victims” ou para aqueles que são, mas querem ser conscientes?
    No momento em que as embalagens vai e vem viraram it obrigatórios, o que colocar dentro delas?
    A moda também quer resgatar o “tempo”. Uma carta virou elemento de inspiração, poder escrevê-la, faz dela algo muito mais precioso. Um abraço ao vivo mais do que abs no final de um correio eletrônico, assim como um tea às cinco, no meio da semana, puro sonho de consumo.
    Resgatar os valores, valorizar o tempo e as simples coisas da vida. Com essa idéia, como tema, inventar quem sabe um novo espelho, menos crítico, exigente e consciente, que não “mostrasse” o tempo, que permitisse um cabelo molhado, uma regata meio amassada, um velho jeans rasgado e desbotado (voltou a ser moda) e nós pés, mesmo sem a sola vermelha de um Louboutin, uma vontade de bater perna, nem que seja só pra dar uma olhadinha.
    No momento em que tudo é permitido, o importante mesmo é se permitir, nem que isso signifique até não consumir, e quem sabe ser fashion, sempre, mas nem de longe, victim.

COMENTE TAMBÉM!

A Oficina


A Fê e a Cris são personal stylists de gente da vida real e dividem, aqui no blog, tudo que aprendem nesse trabalho.