17.
jul.
08.
herchcovitch, alcino, babados e bethânia
Se o que a gente veste é tão importante, especialmente pra informar ao mundo quem a gente é, então a última coisa que a moda devia gerar (em forma de sentimento) é opressão. Ou receio, ou frustração. Se uma das funções da moda fosse oprimir, só gente oprimida ia curtir se vestir e experimentar e tals – gente que se deixa agredir, gente que não se impõe, gente que deixa a vida passar. Mas – na teoria – é tudo ao contrário: a moda tem função de ajudar a gente a construir uma imagem reflexiva do que se é por dentro, deve fazer feliz e libertar; ao mesmo tempo que a gente é o contrário do tipo de pessoa reprimida. E isso daí vale pras mínimas coisas, pra detalhes no nosso vestir de todo dia.

a roupa começa dura e bege e militar, mas a seda e o colorido e os babados querem aparecer, ó
Que se a gente estuda e conhece o próprio tipo físico, as limitações que ele pode apresentar ficam fáceis fáceis de ser dribladas. Ponto pra moda. E se a gente tá mais preocupada com a ‘construção da imagem reflexiva de quem a gente é por dentro’ do que com o ‘em volta’, não tem tanto limite pro que pode e o que não pode. Ou pro que é adequado ou não, ou pro que vai chocar – e o ‘em volta’ pode ficar sem entender – ou não. Ponto pra moda de novo. Mais importante é afirmar quem a gente é através do que a gente escolhe, experimenta e carrega no look. Claro que com cuidado, devagarzinho, tateando. Mas tem que ser assim, gente, de algum jeito. Não pode se deixar oprimir pela moda, pelo tipo físico (ninguém é perfeito! clichê super válido!), pelo povo em volta, pelo que vão pensar. Tem que experimentar, tem que desfilar vontades, tem que ser feliz.

é tanta vontade de ser mulherzinha que os babados vão quebrando a dureza da roupa, “nascendo rompendo rasgando” (rá!)
Um dos top musos desse blog, Alcino Leite Neto – jornalista à frente da moda do jornal Folha de SP – escreveu num texto recente que “a moda deveria ser uma apologia da beleza e da feminilidade, como a que se viu na coleção de Alexandre Herchcovitch.” E continuou explicando a coleção apresentada pelo Herchcovitch na última edição de SPFW de um jeito tão lindo, tão sensível, tão verdadeiro… ó: “O designer fez babados explodirem por sobre uniformes militares – a começar da região púbica – propondo a graça e o gozo femininos como escapatória à belicosidade dos homens e à selvageria do mundo.” Alcino tá certinho, amigas. Pra tudo em volta ser mais legal, a gente tem que começar o dia sendo A GENTE MESMO mais legal no look, sabe como? E somos todas meninas queridas, fofas, inteligentes e mais – porque então às vezes a gente se priva de usar elementos que reforçam isso tudo? Nééééam?

até a forma ser feita do babado em si, numa “armadura de leveza”
Esse post pode ser um manifesto em favor de looks mais femininos, pelo menos pra agora. Por mais babados (explodindo no meio da roupa de todo dia, do comum pra gente), por mais brincões, por mais decotes, por mais cinturas marcadas, por mais pernocas de fora, por mais delicadeza nos acessórios e por mais coordenações inteligentes de cores. Que moda só vale a pena – e só tem como ser amada – se propõe imagens que a gente reproduz (feliz!) na vida real. Se segura o humor durante um dia inteiro. Se faz a gente se divertir no processo e sorrir com o resultado. Que o Alcino também essa coleção do Herchcovitch deixa pra gente a clara mensagem de que “a moda não deveria ser uma forma de opressão, mas um ato de liberação”.
Pra ler ouvindo: não dá mais pra segurar =)









oi meninas! concordo plenamente! precisamos de um look lady-like sempre! nada mais bacana do que dar um up no visual, com um detalhe “mulherzinha”, né? acho mt fofo! bjs e apareçam lá no blog!
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