22.
jul.
08.
todo mundo tem alguma coisa pra dizer
Ainda tem assunto sobre o ‘evento de blogs’ da semana passada, gente – quando a gente ouviu seis donos-de-blogs dividirem suas experiências pra que houvesse discussão e reflexão sobre a blogolândia. A palestra mais impactante daquela tarde toda foi a do Vitor Ângelo, jornalista (de moda) colaborador da Folha de SP e editor do blog Dus Infernus. O Vitor disse mil coisas importantes, todas pra fazer todo mundo ter vontade de ter o seu próprio blog de moda. E explicou que os blogs e a moda se deram tão bem porque os dois têm como função individualizar, representar o “eu”: a moda como instrumento de personalização do visual e os blogs como marcação de território pessoal na internet. Tudo a ver, né?

“um passo à frente e você não tá mais no mesmo lugar”
Vitor é amigo de vida real, e já tinha me ensinado que sem crítica a gente não evolui – a gente e ninguém mais. E já tinha me mostrado que aqui no BR a gente tem hábito de achar tudo lhindo (como diz uma amiga querida), de só elogiar e de achar tudo fofucho o tempo todo. E se alguém faz alguma coisa e o tempo inteiro só ouve elogios, então pra que mudar ou procurar aperfeiçoar? O Vitor diz – com razão – que tem que haver crítica pra que haja também o desenvolvimento. E não precisa chochar pra criticar, claro. Mas tem que, com sensibilidade e alguma delicadeza, apontar no que é possível crescer e melhorar. E por mais que a moda tenha mil maneiras de afastar quem “é de fora” e mesmo reprimir críticas dos que estão mais perto, quem tem um blog pode ter uma opinião, tem voz e faz questão de falar – e tem quem reconheça essa opinião! Por isso a importância de se ter um blog consistente, coerente com quem a gente é verdadeiro em relação ao que a gente sente: pra individualizar e pra contribuir pra que se tenha boas e inteligentes discussões de moda.
Poder opinar assim, tão livremente, é novo no meio da moda. E quem opina depois de estudar, de se interessar, com propriedade, pode mais do que veículos tradicionais que têm amarras com publicidade/anunciantes e com o melindre do meio em si (rá!). Em blog não tem censura, nem de longe. Só em blog o Ricardo Oliveros pôde discutir o ponto de vista dele sobre moda não ser arte; o próprio Vitor discutiu o racismo na moda sem ser “poliana”, ser ficar na superfície. Em blog todo mundo pode opinar, todo mundo pode receber comentários (bons ou ruins) de volta, e daí oportunidades surgem. Todo mundo pode dividir alguma coisa interessante de verdade, todo mundo pode trocar referências originais. E assim, se um desses blogs ganha (certa) projeção, se gera amizades, contatos e oportunidades, o meio todo cresce e ganha alguma coisa com isso.
E depois de ouvir o Vitor falar, eu fiquei pensando que blogs de moda – os que discutem, os que levantam questões importantes, os que educam visualmente e os que têm opinião – são bem importantes pra nossa moda e por nosso momento, pra fomentar uma discussão. A Susanna Lau, que faz o blog Style Bubbles, fez post pra contar do impacto da fala do Vitor na sua maneira de pensar e de fazer o blog (pra você ver, menina). E pra ser inteligente (pra fazer um blog valer a pena) não precisa se levar à sério, não precisa ser sisudo ou apontar o dedo com maldade; precisa achar o que tem de mais legal na gente mesmo e usar isso como viés do nosso próprio questionamento – pra crescer! – em moda.
Pra ouvir (e pra não-ver o Vitor no escuro!):
Sobre a relação entre individualidade, blogs e moda
Sobre a função e sobre o papel dos blogs de moda
Sobre como blogs de moda podem ser a coisa mais legal do mundo
Sobre o racismo – de verdade – na moda









OIE,
Parece mesmo que estamos em sintônia, mesmo que isso não exista na rede!
Estou montando o meu blog e todos os posts de vcs têm me ajudado tanto. Esse então, mais ainda.
Parabéns pelo trabalho árduo de vcs
e vê se passa lá, ok?
http://www.jornalismodemodaeafins.blogspot.com
abraços,
Cecília Bacha