17.
nov.
08.
pense moda: pensamento estratégico em moda
A primeira palestra do dia foi feita pela Geni Ribeiro, consultora da Abit (que é a Associação Brasileira daIndústria Têxtil). Ela foi ao Pense Moda pra fazer uma “palestra de sensibilização” e falou um monte de verdades, sugeriu boas fórmulas de pensamento/funcionamento e ensinou que, pra gente crescer com a moda aqui no BR, tem que ter “pensamento estratégico”. Ela mostrou números que animam quando contextualizados no mercado interno (tipo muitos empregos gerados, muitas empresas, grande parte do pib e mais), mas que desanimam quando comparados com o mercado externo (tipo nossas exportações são menores que as da Holanda – e tipo, quem é Holanda na noite da moda, néam?). E aí que o BR é país jovem em moda e blá blá blá, mas tem que se virar nos 30 e formatar estratégias muito próprias pra enfrentar um mercado exigente e mega globalizado. E vejam bem, amigos, pensar nisso daí não tem efeito prático nem imediato nas nossas vidas de consumidoras que somos, mas ajuda a conscientizar todo um mercado e assim, quem sabe, empurrá-lo pra frente.
Geni falou do non-sense que é essa tradição de se fazer “viagens de pesquisa” pra fora do país. Tem quarenta anos (diz ela) que todo mundo, tipo duas vezes por temporada (mais até), viaja pra fotografar vitrines, comprar “peças-piloto”, conhecer “o que tá usando” lá fora. Daí as malas desse povo voltam cheias de roupas que vão ser copiadas aqui, pra vender fácil e sem muito esforço. Geni chamou atenção pra o fato de que isso é pretensioso (tipo a Prada é boba, quem copia é que é esperto – ahãm) e que atrasa o crescimento criativo do mercado. Pra dar certo de verdade o produto tem que ter qualidade, inovação, adequação e design (tem no vídeo!). E que vale até pesquisar pra evoluir, pra se desenvolver mais e melhor, mas que não vale copiar (não meishmo). E aí ela diz que a indústria precisa sair do lugar comum, deixar a sua zona de conforto pra pensar, planejar e se organizar – em criação, em desenvolvimento de temas, em seleção de matérias primas, em investimento em maquinário de qualidade, em cronograma de lançamentos, em apresentação de coleções, em distribuição e em pontos de venda. Mointo trabalho.
Isso tudo sem se deixar levar pela coisa das tendências, da banalização do “tá usando agora”, sem massificar ou deixar o consumidor sem opção diferenciadas – não pode ter tudo igaul em todo lugar! O BR tem elementos super diversos e bacanas de inspiração, e quem apostou nisso já se deu bem – é a essência do país, de um jeito globalizado: Beatriz Milhazes fazendo cores sensuais/formas simpáticas e alegres, irmãos Campana fazendo móveis inspirados nas favelas, Ronaldo Fraga extraindo das nossas “lendas urbanas” material de desenvolvimento de coleção. Diz a Geni que a gente é pequeno em relação ao mundo, mas que desde agora o nosso mercado de moda tem que propor novidade, tem que inovar – pra, no dia em que a gente for grande (ou atrair de verdade os olhos dos grandes), a moda daqui não seja só “mais do mesmo”. O BR não tem tradição em moda, por isso seria mooointo fácil ser criativo – não tem nenhum movimento pra ser rompido, não tem barreira (criativa) a ser transpassada. Não é?









Acho que o problema, quando se fala em cópia e viagens ao exterior, é que quem vai acha bonito e só pensa a curto prazo – só pensa na venda que vai fazer. Em fotografar vitrines e tirar ‘inspirações’ que nem combina com o perfil nacional. Só que esquecem que, talvez, criando algo novo, algo que seja a nossa cara, as vendas vão ser bem maiores e a possibilidade de exportação vai estourar! Quem de fora quer comprar moda brasileira com cara de produto de outro canto do mundo?! O povo precisa parar de ter preguiça de pensar – precisam contratar funcionários mais qualificados e largar apadrinhamentos: parentes e afins. Pelo menos é isso que acontece em mg.
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