29.
dez.
08.

as donas da personalização

publicado por: Fernanda

A legendária Regina Guerreiro disse num seminário fashion no ano passado que “o mundo ficou um lugar meio tedioso, as pessoas estão se vestindo igual, estão industrializando a mesmice.” A gente concorda. Falamos em estilo pessoal, em individualização e personalização o tempo todo, mas ninguém é tão original quando se depende do mercado: tudo que a gente veste vem das mesmas lojas, dos mesmos shoppings, dos mesmos lugares, não?

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as costureiras da tarsila!

Durante a segunda guerra mundial a recessão e o racionamento de tecidos obrigou a mulherada a se virar pra conseguir um look bom: “devido ao aproveitamento de sobras de tecido tornou-se moda o debrum de outra cor nas golas, mangas, etc; ou a gola, tampos de bolsos e acabamentos em outro tecido, servindo de enfeite para os momentos de crise econômica”, foi o que o professor João Braga escreveu num artigo antiguinho para a revista Costura Perfeita. As melheres da década de 30 customizaram por uma necessidade. A gente acha que hoje há uma outra necessidade, diferente da delas: só dá pra individualizar (de verdade!) quando a gente mesmo põe “a mão na massa”. Como não dá pra tecer o prórpio tecido, tingir em casa, criar, modelar, costurar… quem salva a gente são as costureiras! Tipo tem que ter, essas senhorinhas que salvam a gente na hora dos ajustes e acertos também podem salvar a gente no look todo.

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infância na costureira: montação pra festas juninas!

Uma delícia adaptar uma peça pra que fique perfeita pra gente: mudar uma manga, diminuir uma prega, subir uma bainha (fundamental!) ou acrescentar um botãozinho a mais pode fazer toda a diferença. Mais delícia ainda ver materializada, pelas mãos dessas fofas, uma criação/inspiração/invenção autoral, nossa! Tipo parte de cima do vestido da celebrity com a parte de baixo vista numa vitrine – na medida perfeita, construída sobre o corpo, com cuidado e carinho, com as mãos. Escolher tecidos, então…! Quem mais tem looks assim, “desenvolvidos” em conversinhas entre duas pessoas apenas, na intimidade de ateliês quase sempre simples? Só quem tem uma costureira incrível!

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vestido de casamento TEM QUE ser personalizado, né?

Mais do João Braga: “interferir naquilo que já está pronto ou mesmo criar uma nova peça que seja única ou individualizada; pegar alguam coisa e transformá-la em outra – a palavra ideal da língua portuguesa para identificar esse processo é ‘personalização’. E nisto brasileiro é craque, talvez até mesmo por necessidade de expressar criatividade. Qualquer costureira das mais simples sabe o que é fazer uma reforma de roupa e inventar alguma coisa nova a partir de algo já existente.” E se a gente tem repertório, se tem história pra contar, a gente tem estilo. E dá pra imprimir isso em vontade autêntica, super pessoal, não dá?

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ronaldo fraga homenageou: suas costureiras foram pra passarela! – a gente tá no mesmo time

Mas será que a gente é craque nisso mesmo? Que todo mundo quer ‘expressar criatividade’, mas e o medo? E o preconceito? Fora de SP a coisa rola muito mais tranquila, mas aqui tem meio uma tensão em relação à costureiras e à “roupa mandada fazer”! Se for por falta de indicação de gente super bacana e cheia de habilidade, aqui tem a listinha de profissionais que trabalham com a Oficina, sempre incríveis. E todo mundo pode contribuir nos comentários com contatos de costureiras bacanas de outros lugares, pra gente montar uma agenda exteeeensa. Que tal?

Tamos de férias, amigos! Esse post foi escrito há um tempão e programado pra reaparecer aqui desde antes! A gente explicou essa “programação piloto-automático” aqui, ó! ;-)

5 Comentários para as donas da personalização

  1. Mari diz:
    29 de dez 2008 às 2:47

    Eu tinha um vestido junino IGUAL ao da primeira foto da direita pra esquerda!
    Será que nossas costureiras copiaram da mesma revista!? haha

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  2. Alessandra diz:
    29 de dez 2008 às 6:17

    em Santarém-PA, eu reencontro neste sábado, minha costureira amiga desde a infância!! o grande problema é que não há casas com tecidos de algodão, por exemplo. grande parte é só sintético… uó. bj

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  3. Camilla diz:
    30 de dez 2008 às 16:36

    Ah!!! Tenho muitas costureiras na família(a maioria já se aposentou e2 suas filhas não quiseram nem saber do ofício!).
    Eu aprendi a costurar desde menina, fazendo roupas pras minhas filhas bonecas, depois pras Barbies, customizando as minhas próprias na adolescência, sempre à mão.
    Ganhei uma máquina de costura esse ano passado, assinei “Manequim” e dei minha cara tapa. Errei bastante, aprendi mais ainda. Hoje, (quase)só visto o que eu mesma faço.
    É muito legal ouvir todo mundo elogiar meu trabalho, sai bem mais barato(principalmente roupa de festa) e estou sempre diferente, mesmo que eu tenha copiado “aquele modelito daquela marca” que todo mundo tá usando(ou querendo)!
    Beijo pra todas!

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  4. claudia diz:
    01 de jan 2009 às 15:28

    nossa, meninas, li esse post num dia super especial. vesti para trabalhar um vestido que eu mexi: é caramelo, liso, de manga, da C&A e foi comprado por R$ 29. Pra quebrar a monotonia, comprei feltro, cortei flores e colei três perto da barra. saí de casa toda orgulhosa do meu feito.
    ontem, pro reveillon, vesti um vestido novo saído do forno da minha costureira, que fica do outro lado da minha rua! ô privilégio…. o vestido foi copiado de um modelito da vogue teen. sucesso!

    e feliz 2009 pra nós

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  5. Adri Garrido diz:
    02 de jan 2009 às 10:22

    Por muitos anos eu tive este habito de procurar tecidos legais, buscar inspiraçao e mandar fazer roupas. Pode ser que algumas das minhas roupas de hoje sejam mais bem acabadas, mas eu com certeza me divertia muito mais e tinha mais estilo. Hoje eu so procuro costureiras para pequenos consertos. Que pena!!! Que saudades dos meus vinte e poucos anos!!!!!!!!

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A Oficina


A Fê e a Cris são personal stylists de gente da vida real e dividem, aqui no blog, tudo que aprendem nesse trabalho.