22.
jun.
09.
a gente ama maria bethânia
Às vezes um vestidão salva a nossa vida. Mesmo que seja praquela festinha de sempre, às vezes um modelón SE FAZ NECESSÁRIO – e só quem é muito mulherzinha entende essa necessidade. E aí, quando a ocasião peeeeeede (às vezes pede mesmo) e a gente tem o tal do vestido, a vida é maravilhosa e o mundo é perfeito – nem que seja só na chegada triunfal que esse look dá de presente pra quem usa. Quando os vestidos do André Lima entram na passarela a gente imagina em que circunstância a gente podia lançar mão de um deles pra conseguir esse efeito daí: o de chegar chegando, arrasando, deixando todo mundo de queixo caído como se a gente fosse top celebridade universal poderosa rica segura até a alma. Que é essa a mensagem de uma roupa tão trabalhada tecnicamente, tão colorida, tão cheia de vida – e de drama!

E na falta de um desses, o André Lima tratou de encher a gente com um repertório de idéias pra reproduzir em casa. Porque né, às vezes a gente precisa de um vestidão mas muuuitas vezes uma sacada incrível levanta o look e faz com que ele funcione na coisa chegada-arrasante-cheia-de-segurança. A base da graça das roupas desse desfile era uma estampa gráfica em preto e branco. Imagina que essa estampa era como o nude pro AL, e a partir dele tudo acontecia: tinha coordenação com outras estampas (super coloridas), combinação com transparência, formas gigantes e drapeados aplicados bem juntinho da modelagem. Mas assim, tudo juntando opostos. ((Pausa pra gente lembrar que tocava Fera Ferida com Maria Bethânia o tempo todo. E na música ela tá “ferida” mas ainda assim toca o terror com todo mundo, sai por cima mesmo machucada. Volta agora pro desfile.))
Essas necessidades que a gente tem de arrasar – propícias pra uma compra de roupa, pra estrear um look novo e pra se re-inventar – um monte de vezes são motivadas por “voltas por cima”. Antagônicos, né? A gente por baixo querendo estar por cima. Arrasadas mas super-bem-arrumadas. Os opostos apareceram assim na passarela: os gráficos em preto e branco usados com folhagens e pássaros super coloridos; calças em tecido estruturadíssimo sustentando blusinhas leves/transparentes; detalhes pontudos e super retos lado a lado com frufrus gigantes, fofos, fluidos, tipo fuxicos esvoaçantes em tamanho mega. E as cores, de suspirar! Num mesmo vestido tinha roxo e azulzão e lilás e verde-água – (oi? cor forte e cor clarinha tudo ao mesmo tempo agora?), algumas vezes combinados com o gráfico em PB.
E nada disso vinha separado de elementos superfemininos, tipo babados, caudas, ombros de fora e cintinhos marcando cinturas. Mesmo a alfaiataria apareceu cheia de ondas de tecido extra – opostos de novo? Pra gente olhar pro guarda-roupa e não desprezar o que, a princípio, pode não ter a ver. Pra gente se permitir experimentar toda vez que pre-ci-sar arrasar. Porque todo dia a gente pode deixar todo mundo de queixo caído como se a vida fosse o nosso tapete. vermelho.









Acabei de ler um email sobre 50 Licoes de Vida – frases curtas mas recheadas de mensagens dadas pela a Regina Brett ( 2009 Pulitzer Prize for Commentary). Dai vim aqui e vi toda essa onda de cores, com o intuito de jogar a gente p/ cima mesmo quando nao nos sentimos tao up! Mas, enfim a frase # 23 diz:”Be eccentric now. Don’t wait for old age to wear purple”. Ela usa a cor roxa, ja que muitos tem medo dessa cor, mas em um plano mais amplo ela quer mesmo dizer para nao termos medo de ousar seja no que vestimos ou fazemos em nossas vidas. Sei la, vi todas essas estampas e fiz essa coneccao! So de olhar ja da uma alegria interior, nao?
[Responder]