6.
nov.
09.
PENSE MODA: PENSANDO MODA
Lars Svendsen é filósofo e teórico. Em sua palestra no último dia do Pense Moda sua intenção não era falar sobre a vida prática na moda, mas pensar sobre moda, mais especificamente sobre a crítica de moda.
Pra ele desde que um “fazedor de roupa” passou a ser um designer de moda e se atribuiu um status de artista, a crítica de seu trabalho passou a ser necessária. Assim como existe crítica de arte, de literatura, de cinema, de teatro, tem que existir crítica de moda, se a moda quer ser levada a sério. E ela quer, não quer!?!
Os criadores de moda deveriam entender que a crítica sobre o seu trabalho faz com que suas criações sejam ainda mais criativas! Acontece que o lado comercial da moda faz com que a crítica negativa seja mal vista – tipo “falaram mal de mim agora vou vender menos”. O engraçado é que pra todas as outras artes a crítica negativa é totalmente aceitável. Aliás pra Lars uma crítica negativa – bem feita, é claro – é super importante e muitas vezes as falhas de um trabalho é o que fazem com que ele seja mais interessante. Fora que é impossível que no mercado de moda só se produza coisa boa, né!?! E citando Collin McDowell “quando nunca se rejeita nada, as críticas positivas perdem o sentido”. Ou seja se nada é ruim como alguma coisa pode ser boa?
E uma crítica de moda bem feita é aquela que transmite um pensamento claro, com boa informação e explica pro leitor qual é o valor existente naquilo que foi apresentado. Crítica não é sinônimo de negatividade. Crítica é transmitir um julgamento – pode ser bom ou pode ser ruim – e por isso a seleção do que é importante ser dito é crucial. E essa avaliação deve estar apoiada em razões explícitas.
Tem que ter vitalidade, tem que ter ousadia, tem que saber separar o que é original do que é derivativo. Não é uma opinião, mas também não pode ser totalmente objetivo. Tem que ter uma certa subjetividade, porque escrever crítica é se expor!
Por isso não precisa que todas as críticas sobre um mesmo desfile sejam iguais. O desacordo é bom, os diversos olhares sobre uma mesma coisa é inteligente, agrega. Lars falou que quando todo mundo concorda quer dizer que tem alguém pensando de menos. Faz sentido! Aliás faz sentido pra vida!!!
A parte mais bonita foi quando ele explicou que a (boa) crítica de moda precisa influenciar na percepção de quem a lê e dar subsídios pro leitor tirar suas próprias conclusões, a fazer suas próprias críticas a entender a moda em sua própria vida. Criticar moda é – ou deveria ser – pensar moda!









Eu adorei a palestra dele! Falta imparcialidade no jornalismo de moda. Mas, diferentemente do que ocorre nas outras áreas do jornalismo, a crítica de moda é parcial no sentido de ser à favor do objeto em foco.