30.
nov.
09.
ROUPA É PRA SER “DANÇADA”
Quando Helio Oiticica, artista super importante – e super brasileiro! – que experimentou mil coisas nos seus trabalhos, tipo pintura, escultura, performances e… costura. Oiticica inventou o que chamou de parangolés, capas gigantes ou “bandeiras de vestir”, cheios de cores e texturas e movimento. Esse movimento, inclusive, era o essencial à “obra” segundo o próprio artista: o parangolé só ganhava vida se vestido por alguém – e não só isso, o parangolé também precisava ser dançado! “A obra só existe plenamente, portanto, quando da participação corporal: a estrutura depende da ação.” Diz o próprio Helio Oiticica que o objetivo do parangolé ser pensado pra ser usado/dançado era “dar ao público a chance de deixar de ser público espectador, de fora, para ser participante na atividade criadora.”

E aí que a gente aqui na Oficina pensou que também é (ou deveria ser) assim com tudo que a gente veste – ou tem vontade de vestir. Moda só é moda se usada, conversar sobre ela não faz com que ela tenha eficácia alguma. Roupa no cabide é uma coisa e, a gente sabe bem, no corpo é outra. E é no corpo que qualquer moda toma vida, “vale como obra”. E se a gente ama moda, se a conversa super rende e tals, a gente tem que fazer essa moda viver. Tem que experimentar, tem que “dançar a roupa”, deixar de ser público espectador pra ser participante da atividade criadora. Porque o artista mesmo deu a lição quando disse que “o ato do espectador carregar a obra revela a totalidade expressiva dessa obra: a estrutura atinge assim o máximo de ação própria no sentido do ‘ato expressivo’. A ação é a pura manifestação expressiva da obra (…) e para que a ação aconteça, exige-se a participação inventiva e improvisada do espectador”.
Tá todo mundo autorizado então, a partir de agora, a provar, participar e fazer a moda viver. Cada uma no seu corpo, no seu armário, na sua vida real. Com uma galeria de imagens de parangolés super bem vividos/dançados pra inspirar. ;-)









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