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jan.
10.
COM CONCEITO E COM PRODUTO
É uma delícia ver um desfile mais conceitual, ouvir a música que a equipe de criação escolhe pra tocar, entender o cenário em que a roupa é mostrada e então saber da estória que as peças carregam em si. Mesmo que essas peças sejam esquisitas (na passarela), mesmo que a imagem seja difícil – quando a estória é coerente a gente encontra fragmentos dela nas peças que vão ser vendidas nas lojas, tipo “estória diluída” em estampas, caimentos, cores, tecidos. Legal é isso mesmo: aprender a “ler” desfiles de um jeito que faça a gente imaginar como cada inspiração vai se desdobrar nas coleções comerciais das marcas que desfilam.

Ao mesmo tempo não vale ver tanto conceito na passarela pra depois não encontrar nada desse conceito nas araras da loja. Tipo o desfile é tão doido, tão uma viagem, que não tem como virar peça-usável – e aí o que se vê na loja tem quase nada de relação com a estória contada no desfile. Por isso ia ser incrível se todo mundo fizesse a gente pensar, apresentasse idéias consistentes, fizesse todo mundo viajar em imagens incríveis e inesquecíveis pra, logo na sequência, fazer a gente ser feliz também na hora de comprar. Desfile bom é o que equilibra conceito e produto, que consegue construir imagem marcante com peças comerciais coordenadas com styling inteligente.
Porque a gente quer imaginar possibilidades de uso (pessoal) mas também quer ser educada com informação refinada de moda. E quem não quer né?









E é justamente essa falta de referência na hora de colocar a roupa pra vender pra gente real que acaba-se criando uma aversão a “moda” como algo fútil e sem sentido, tão longe de pessoas “normais”.
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