5 IDÉIAS PRA CONSTRUIR UM GUARDA-ROUPA ÉTICO

Antes mesmo de começar a gente já adianta que, aqui no BR, não é nada fácil colocar em prática essas idéias aqui — o algodão das nossas roupas vem de plantações abarrotadas de agrotóxicos, nossas peças coloridas e estampadas devolvem quantidades absurdas de química pra água que é usada no processo, o couro dos nossos spapatos e das nossas bolsas é curtido com substâncias que infertilizam o solo pra sempre (PRA SEMPRE!), as grandes confecções em que a gente faz compras terceirizam tanto a produção que é quase impossível saber das condições de quem trabalha pra gente ter essas roupas nos nossos armários. Hoje é quase certo que todas nós estejamos vestindo sofrimento humano e destruição do mundo (em forma de roupas lindas).

Mas se a gente passar a perguntar nas lojas como é, perguntar por que não tem algodão orgânico, perguntar que oficinas e confecções produzem as peças que tão na arara da loja, onde e como essas pessoas trabalham, como as roupas chegam até à loja — pode ser que ninguém tenha respostas de imediato, mas essas respostas vão começar a ser buscadas pra entregar pra gente (na medida do nosso interesse). E se a gente passar a só comprar de quem tiver respostas legais, ajustadas aos nossos valores humanos pessoais — aíííí sim alguma coisa maior começa a acontecer: só quando as lojas deixarem de ganhar nosso dinheiro é que elas vão fazer algum movimento de ajuste, pra então voltar a ganhar o nosso dinheiro. Entende?

É trabalho de formiga (alô micropolítica) e pode parecer não ter eficácia mas ó: toda revolução parte de um movimento individual pra crescer e ganhar o coletivo — a gente pode/deve fazer a nossa parte como consumidoras.

como construir um guarda-roupa ético

1. COMPRAR SOMENTE O QUE A GENTE SE COMPROMETE A USAR PELO MENOS 30 VEZES
O sistema fast-fashion embutiu nas nossas mentes a idéia de roupas descartáveis. Isso e os preços super baixos fazem com que a cadeia de produção esteja extremamente pressionada a produzir produzir produzir (cada vez a custos menores) — e é exatamente isso que acarreta desastres como o que matou mais de 1000 pessoas num desabamento de prédio/fábrica de roupas em Bangladesh.

2. GASTAR MAIS EM ROUPAS ATEMPORAIS
Esse esquema de roupa primavera/verão ou roupa de inverno ou coleção “resort” e tudo mais… serve somente pra indústria mostrar os produtos que disponibiliza, é vitrine apenas — e hoje o sistema conta com quase 100 micro-temporadas de moda ao longo do ano. Esperto da nossa parte é desacelerar esse ritmo e funcionar na velocidade humana das coisas, da vida.

Lembrando que roupa de qualidade, que dura muito, custa mais dinheiro mesmo — não tem milagre: se é barato demais, alguém fora do nosso campo de visão tá pagando essa conta.

Mais ó:
Roupa fabricada sem exploração de trabalhador é mais cara
Não adianta mudar de marca: você precisa mudar sua lógica de consumo

3. DISTRIBUIR NOSSOS GASTOS COM ROUPAS E ACESSÓRIOS
Diz que a indústria global da moda vale hoje 2.5 trilhões de dinheiros (!!!). Esse dinheiro não devia ser distribuído de maneira menos desigual/desequilibrada? Vale mais colocar nosso dindin no caixa de quem produz as peças que vende (sem tantos custos pra repassar) e no que quem cuida da própria cadeia de produção, cuidando de costureiras, motoristas, vendedoras, modelistas, faxineiras, secretárias etc etc etc com remuneração justa e com dignidade.

A gente pode conhecer os princípios do “comércio justo” (chamados de FairTrade em inglês) e começar a observar e perguntar nas lojas em que a gente mais compra como as coisas tão funcionando em relação a isso.

Mais aqui ó:
O que é comércio justo, como surgiu e quais são os princípios

4. ESCOLHER COMPRAR ROUPAS COM MENOS PROCESSOS QUÍMICOS/TÓXICOS
A indústria da moda é a 2ª mais poluente do planeta, na sequência do petróleo. E mesmo que os processos sintéticos de tingir tecidos sejam super tóxicos, eles são amplamente usados (sem pudor algum). Tem um programa do Greenpeace que pede que marcas de moda se comprometam a trabalhar numa transição desses processos (dos super tóxicos pra outros alternativos e menos poluentes) — só 10% das maiores marcas do mundo toparam até hoje. O resto não topou por que não deixou de ganhar dinheiro, entende?

A gente não deixa de comprar porque nem passa pelas nossas cabeças que tem algum problema sustentar o uso de alguma coisa que estraga o único planeta em que a gente pode viver (e que eventualmente vai inviabilizar a vida pra gerações futuras), ou que tem problema sustentar com a nossa compra circunstâncias de sofrimento pra outros seres humanos, continuamente.

Mas né, agora quem quiser saber mais desse assunto e conhecer/apoiar que marcas tem feito algum esforço no sentido de fazer um detox na própria produção pode clicar aqui:
Campanha do Greenpeace por uma indústria livre de processos tóxicos

5. CONVERSAR SOBRE COMO CONSTRUIR UM GUARDA-ROUPA ÉTICO :)
Seja na internet, participando ativamente nos comentários de quem trabalha por essa causa; seja compartilhando notícias com o nosso círculo; seja perguntando dessas coisas aqui pras vendedoras que atendem a gente nas lojas (e pedindo que elas perguntem a alguém “superior” se elas mesmas não tiverem respostas); seja consultando o app ModaLivre no iphone (aqui o link pra android) pra deixar de fazer compras em lojas que ainda usufruem de trabalho escravo pra lucrar; seja debatendo com as amigas sobre como é difícil abrir mão daqueles vestidinhos irresistíveis de R$39,00 em favor de um mundo mais humano.

Quanto mais gente tiver ligada nisso daí, quanto mais movimento de consumo a gente fizer (realocando o nosso dinheiro pra fazer a indústria se mexer), melhor: é através das compras que a gente escolhe fazer (e principalmente das que a gente escolhe NÃO fazer!) que a gente individualmente trabalha por uma realidade com menos desigualdade social e escassez de recursos.

Mais assunto pra essa conversa aqui, ó:
5 atitudes sustentáveis (em moda)

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Esse texto foi livremente traduzido/adaptado dessa matéria do jornal inglês The Guardian, que puxou essa conversa por conta do lançamento do documentário True Cost. O documentário tá sendo lançado essa semana e quer chamar atenção pras questões morais e pouquíssimo sustentáveis criadas pela indústria da moda.

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IDÉIAS PRÁTICAS PRA FACILITAR O VESTIR!
  • e comprar menos e melhor
  • e se arrumar em menos tempo
  • e se sentir linda e autêntica com o que tem no guarda-roupa
  • e exercitar criatividade e se sentir empoderada <3