a moda e a crise de dinheiros no mundo

Nada mais vida real do que tentar pensar a moda em tempos de crise, não, amigos? Com a provável nova ordem que vai se estabelecer nos próximos meses - nas bolsas de valores, nos bancos e nas nossas contas! - qualquer consumo vai precisar ser revisto, incluindo nosso consumo de moda, né? A gente tem uma clienta linda que trabalha com dinheiros e investimentos e que explica tudo que tá acontecendo pra gente. Por isso deu vontade de escrever aqui pra gente conitnuar pensando juntos. Que os jornalistas (de moda) tão dizendo que a gente têm dois caminhos pela frente: ao mesmo tempo que a mode reflete a realidade ela também tem função de fazer sonhar. Paradoxal mas muito verdade!

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Dependendo de onde a gente enxerga, a estória toda muda. Em momentos de crise financeira, a gente (a gente aqui da vida real) tende a parar de comprar ou só comprar o que é durável, o que tem qualidade que garanta o não-consumo por mais um tempo, o que não é espalhafatoso demais pra não marcar e poder ser usado repetidas vezes (tem que ser versátil). Então é natural que existam estilistas preocupados em oferecer isso, roupas basiquetes, cores não chamativas demais, formas bem mais tradicionais. Por outro lado, tem uma gente mointo rica no mundo - especialmente na China, na Rússia, na Índia e aqui meishmo na América do Sul - que não tá muito preocupada com preços de roupas porque nunca teve essa preocupação anyway. Pra esses a crise não faz diferença, pelo menos não na hora de consumir moda, e pode ser que existam estilistas dispostos a ignorar a falta de dinheiro no resto do mundo pra continuar propondo luxo, ostentação e riqueza nas roupas de passarela.

Os estilistas mais importantes do planeta são, ao mesmo tempo, os que fornecem idéias pra todos os outros criadores de moda e os que vendem de verdade pra essa gente mointo rica. Então se eles propõem luxo e riqueza, os outros criadores se inspiram nisso e também ignoram a crise? Ou abstraem a parte rica e se inspiram de maneira mais pobrinha, mais adequada à realidade? A gente só vai saber como as águas da moda vão rolar (sem dinheiro) nas próximas temporadas, porque o que se viu nos últimos desfiles internacionais foi pensado antes de se falar em recessão. E aqui no Brasil, provavelmente, a gente vai ter chance de ver antes - já que nossa próxima temporada, em janeiro, chega bem no tempo da expectativa de como as coisas vão ficar. Dá um medinho, néam?!??

Então pode ser que a gente queira ser bem básica, pra esperar (bem calminha!) a crise toda passar, bem comportada, sem excessos. Ou pode ser que a gente tenha vontade de fingir que não é com a gente e ser bem rica (pelo menos visualmente!), com muita estampa e cor e forma pra animar o tempo ruim. E provavelmente vai ser um tempo (se for mesmo, tá, que ninguém sabe) de reciclagem de idéias, de fazer funcionar o que a gente já tem, de comprar pouco pra conseguir muito resultado. E de usar (bem!) a criatividade porque, né, a moda tem essa função de fazer sonhar que a gente não vive sem. Pelo menos não por aqui. =)

Mais textos de moda na crise do mundo:
No About Fashion
No Caminho Dourado
No Style (de onde veio a idéia desse post)
No Telegraph

18 respostas para “a moda e a crise de dinheiros no mundo”

  1. Renata Kotscho diz:

    Então meninas, com crise ou sem crise, ostentar e consumir demais é meio brega né, não? Consumo consciente ajuda nosso bolso, o planeta e faz a gente errar menos no estilo (sem falar que com armário mais vazio as peças ficam bem mais cuidadas- eu que o diga rsrsrs).

    Mas o mercado financeiro é assim mesmo, depois da tempestade sempre vem a calmaria e vice versa e até que a última calmaria durou hein… Pra relaxar um capirinha bem preparada, afinal It´s only money!

    Beijos

  2. Luigi diz:

    Adorei o texto, é isso mesmo. E também acho que a gente só vai ver os impactos dessa crise daqui a quase 6 meses. Só não podemos esquecer que o estilistas (pelo menos em tese) são pessoas mais sensíveis aos “humores” sociais e a crise já vinha dando sinais que ia explodir faz um bom tempo. Tanto que era super comum no WWD ver notícias falando da possível crise e das vendas que já estavam caindo. Por isso, alguns deles já começaram a dar sinais disso tudo nas coleções, ainda que de modo bem sutil ou manequeista.

    E aqui no Brasil eu não sei muito o que pode mudar. Eu estava falando outro dia com a Ligia Rocha, sabe? E ela disse que uma coisa que é muito verdade. Aqui a gente nunca optou por roupas mais sóbrias e clássicas, mesmo em tempos de crise. A gente gosta muito de estampas e cores, sem contar que ainda não é todo mundo que faz essa leitura da moda/roupa em relação ao clima social e econômico. E também vale lembrar que quem consome moda de fato, essa que a gente vê no SPFW, no Fashion Rio e afins, é uma parcela da população que se for afetada pela crise, vai ser a última a sofrer, né?

  3. Angélica diz:

    Adoro esses debates e recomendo um artigo da revista espanhola YoDonna que fala já sobre como a crise está afetando o mundo da moda , com marcas como Christian Lacroix a venda e sem pagar os funcionários, com a dança das cadeiras de diretores criativos que nao “rendem” o esperado. E até com a venda de parte das ações de Lanvin…. Pobre Elbaz!
    http://www.elmundo.es/yodona/2008/10/06/moda/1223285567.html

    BeS.O.S

  4. Jorge diz:

    eu acho que eu vou voltar a AMAR um brechozinho, é só isso que eu digo… HAHAHAHA

    post ótemooo
    vou publicar as fotos no Pechincha à tarde, pq agora eu tenho um EVENTO - UI - mas tranks que eu vou publicar, viu?
    besos

  5. jupter diz:

    Team fingir-que-não-é-com-a-gente!!!!

  6. Denise diz:

    A crise é ruim, mas a foto do post é o que faz a moda caminhar né “dream”,
    dreaming is everything!

  7. Fabi Botega diz:

    Não podemos enterrar nossas cabeças no chão, como avestruzes, a crise está aí nos cercando por todos os lados. É nestas horas que nós brasileiros mostramos nossa criatividade, e resistência aos abalos econômicos, não dá pra comprar uma roupinha nova? Invista em acessórios, são bem mais em conta, dá pra criar vários looks diferentes com o que você já tem no armário, e você fica na moda gastando pouco. Pelo que vi nas fotos do SPFW e Fashion Rio os acessórios vem com tudo outra vez, aláz isso já é de praxe nos verões, são pulseiras, colares, brincos pra todos os gostos.
    Vou deixar aqui o endereço do meu blog onde comercializo acessórios produzidas por mim.

    Fabi’s…tore http://fabistore.blogspot.com/

  8. Fernando diz:

    Olá meninas,

    Muito legal a idéia desse post! E de fato é isso que acontece mesmo. Em tempos de crises as pessoas tendem a comprar coisas/roupas mais duráveis, de cores mais básicas porque inconscientemente sabem que vão precisar usar em muitas ocasiões.
    Tá aí a prova que a moda reflete a realidade e vice-versa!

  9. Fernanda diz:

    olha, não sei vocês, mas aposto que minha mãe tá bem orgulhosa de eu não ser alienada (rá!) e ter pensado nisso da crise - com envolvimento pessoal inclusive. só pensar já ajuda, né? que assim a gente vai se preparando, se-for-o-caso. =)

  10. Fê Matsumoto diz:

    O que vcs fazem é incrível, vcs não colhem apenas dados, vcs transforam DADOS em INFORMAÇÃO. E isso é muito bacana, pois vcs socializam a informação para todos os leitores (independentemente da locaização e da classe social). E nós temos então a possibilidade de tomar DECISÕES baseadas nas informações que adquirimos.
    De fato, sua mammys deve estar orgulhosa! *rs*
    Esse é um dos melhores posts que eu já li por aqui! Parabéns para vc e para Cris!
    *smacks*

  11. Danielle diz:

    Se der aquela vontade “LOUCA” de consumir, mesmo estando com seu closet abarrotado de coisas, comprem roupas atemporais. Uma boa organização nas roupas também ajuda bastante, pois vc acaba dando de cara com roupas q não usa faz um tempão, pode exercitar sua criatividade criando vários looks com novos acessórios q dão um up em qq produção. E é isso aí, não adianta ignorar pq a coisa tá ficando feia!!!! Não se individem galera, os juros estão um absurdo!!!!!

  12. Bel diz:

    Adorei o post. É aquela coisa, a crise tá afetando o mundo inteiro e escolhas sábias são “obrigatórias”, já que gastos terão de ser repensados, nossas compras precisam ser mais meticulosas. Mas brasileiro que é brasileiro nao desiste nunca — e peças chave no guarda-roupa virão com muitas estampas e cores quentes, se Deus quiser!
    Beijos!

  13. Bibi diz:

    Nesses tempos de crise… meu bolso já está em crise há tempos… hahahahah… nada melhor do que garimpar coisas legais e com uma qualidade ok, em lojas baratinhas!!! E o melhor, ouvir um elogio… tipo, que linda essa sua blusa… super fashion… adooooooooooro!!!! :P

  14. Nitz diz:

    Básico = “pobrinho?”

  15. Kaká Marinho diz:

    Hi cats! Eu tb penso assim, sabe?! Fikei com um super peso e resolvi escrever un poco sobre o assunto tb, inspirada em post do About Fashion.
    Take a look: http://lemousse.wordpress.com/2008/10/07/pausa-para-um-post-diferente/
    Beijos
    http://www.lemousse.com.br

  16. Josi diz:

    Li pela primeira vez esse blog e já me apaixonei de cara pela linguagem, pelo modo como se escreve, os assuntos, as informações, etc.
    Vou virar “clienta” daqui tbm. Parabéns.
    Abraços

  17. pensando no que vamos comprar + crise do fast-fashion? » About Fashion diz:

    [...] As meninas da Oficina de Estilo já disseram, o Style.com também, assim como Sarah Mower. Definitivamente não é hora de investir em looks muito trendy, que vão durar apenas uma temporada e depois nunca mais vai sair do armário. Muito menos de baixa qualidade. É melhor gastar um pouco mais numa peça de melhor qualidade, corte e formas mais tradicionais e cores mais discretas - assim dá para usar mais vezes sem ficar muito marcado. Desse modo a gente gasta uma vez só. Afinal peças que se encaixam nesse perfil tendem a durar mais de uma estação, além de poderem ser repetidas mais vezes. [...]

  18. solange diz:

    Parabéns, Fernanda, pelo post. É isso, mesmo que não seja conveniente postar aqui, é bom a gente estar antenada sobre tudo de importante que está acontecendo no mundo… E a crise não é uma fantasia, é uma realidade que tem que ser levada em conta aqui por vcs, formadoras de opinião. Bj.

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