AS COSTUREIRAS E A PERSONALIZAÇÃO

Um dia a gente viu a Regina Guerreiro dizer num seminário que “o mundo ficou um lugar meio tedioso, as pessoas estão se vestindo igual, estão industrializando a mesmice.” De um jeito, a gente concorda. Fala-se tanto em estilo pessoal, em individualização e personalização o tempo todo, mas ninguém é tããão original quando se depende do mercado: tudo que a gente veste vem das mesmas lojas, dos mesmos shoppings, dos mesmos lugares, não?

que tal resgatar o exercício da criatividade pelas mãos dessas artesãs? que coisa linda seria!

Durante a 2ª guerra mundial a recessão e o racionamento de tecidos obrigaram a mulherada a se virar pra descolar um look bom: “devido ao aproveitamento de sobras de tecido tornou-se moda o debrum de outra cor nas golas, mangas, etc; ou a gola, tampos de bolsos e acabamentos em outro tecido, servindo de enfeite para os momentos de crise econômica”, foi o que o professor João Braga escreveu num artigo antiguinho para a revista Costura Perfeita. As mulheres da década de 30 customizaram roupas por necessidade!

A gente acha que tá tendo hoje uma outra necessidade, diferente da delas: só dá pra individualizar (de verdade!) quando a gente mesma põe “a mão na massa”. Como não dá  (ainda) pra tecer o próprio tecido, tingir em casa, criar, modelar, costurar… quem salva a gente são as costureiras: essas senhorinhas (e jovens espertíssimas!) que fazem nossos ajustes também podem cuidar de um look todo, nénão?

Uma delícia adaptar uma peça pra que fique per-fe-i-ta pra gente: mudar uma manga, diminuir uma prega, subir uma bainha ou acrescentar um botãozinho extra pode fazer toda a diferença. Mais delícia ainda ver materializada, pelas mãos dessas artesãs, uma criação/inspiração/invenção autoral, nossa! Tipo parte de cima do vestido da celebridade com a parte de baixo vista numa vitrine — na medida perfeita, construída no corpo, com cuidado e carinho, com as mãos. Escolher tecidos, então…! Quem mais tem looks assim, “desenvolvidos” em conversinhas entre duas pessoas apenas, na intimidade de ateliês quase sempre simples e tão ricos? Só quem tem costureira!

Mais do João Braga: “interferir naquilo que já está pronto ou mesmo criar uma nova peça que seja única ou individualizada; pegar alguam coisa e transformá-la em outra — a palavra ideal da língua portuguesa para identificar esse processo é ‘personalização’. E nisto brasileiro é craque, talvez até mesmo por necessidade de expressar criatividade. Qualquer costureira das mais simples sabe o que é fazer uma reforma de roupa e inventar alguma coisa nova a partir de algo já existente. Se a gente tem repertório (de vida), se tem história pra contar, a gente tem estilo. E dá pra imprimir isso em vontade autêntica, super pessoal, não dá?

Mas será que a gente é craque nisso mesmo? Que todo mundo quer ‘expressar criatividade’? Mas e o medo do julgamento, e o preconceito? A gente sente que fora de SP a coisa rola muito mais tranquila, mas aqui parece existir toda uma tensão em relação à costureiras e à “roupa mandada fazer”!

Isso é coisa do passado, é só na nossa percepção? O que você acha?

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