espelho mágico
E no finde eu vi as imagens da campanha nova do Marc Jacobs com… Dakota Fanning! (A atriz mirim exerce sobre mim um sentimento ainda sem definição: não sei se sinto medo, não sei se acho engraçadinho, não sei. Alguém já viu a mocinha dando entrevistas? Eu a vi uma vez no David Letterman e super fui dormir com medo de sonhar: ela é muito uma míni-adulta.) Mas ok, que o que importa é que a gente ama Marc Jacobs incondicionalmente e a campanha já é um hit. Mais kidult impossível:

“As fotografias nessas revistas oferecem às mulheres uma oportunidade de inspecionarem a si próprias em muitas situações diferentes. Permitem à mulher imaginar o que elas pareceriam, para os homens, numa determinada situação ou traje, sem se comprometerem. É curioso ver a função dessas revistas como uma espécie de ‘espelho mágico’ frente ao qual uma mulher se permite ver de que modo ela poderia aparecer (…) vestindo um versace, por exemplo.” (Malcom Barnard)
O que vocês acham? A gente é mesmo atraída pelo sentimento que a foto quer transmitir? A gente tem vontade de viver aquilo que vemos nos editoriais, assim, como descrito na citação? Eu tenho que admitir que sou mega influenciável por imagens de moda, especialmente as que são criadas por quem eu admiro - vivo atrás do que vejo na Vogue quando quem produziu foi o Fabio Ishimoto. E vivo de olho nas campanhas de quem eu mais admiro - por isso o interesse no Marc Jacobs.
Porque se a gente vê imagens de moda e imagina o que os produtos fariam pela gente e onde a gente poderia usá-los (como parte do processo de decidir se compramos ou não), a gente precisa de modelos com os quais nos identificamos, não é? E depois da mega onda de infantilização nas modas (estampas fofitas, muitas cores coloridas, acessórios lúdicos…..) a gente tem visto, desde a última temporada, uma retomada da imagem de mulher adulta nas passarelas internacionais (pelo menos). Teve beeem mais preto e cores sóbrias, por exemplo.
E aí vem mr. Jacobs e estampa a míni-atriz de 13 anos incompletos na campanha que mais desperta desejos na Oficina de Estilo (!!!!!). E agora? A gente quer amadurecer mas quer se sentir fresca, como crianças? A gente quer ser espontânea e alegre em qualquer idade? A gente se identifica com uma menina mega adolescente?? O que o Marc Jacobs quis que a gente sentisse com a campanha nova - qual a opinião de vocês, amigos e amigas? O que os produtos da marca dele “vão fazer pela gente” se a gente se espelhar em Dakota Fanning??????
** Ainda sobre ’se sentir especial’ através do que escolhemos usar, tem um post ótimo no novo (pra mim) sobretudo e sobre o salto. Já está na lista aqui do lado (que só cresce, não??) e é imperdível. **

11 de Dezembro de 2006 às 8:54 pm
claaaro, acho que vai muito além da roupa pela roupa mesmo, lembra do que a gente falou das assessorias colocarem roupas bacanas em pessoas não-tão-bacanas? meio que estraga todo o conceito. e, por mais que a gente adore marc jacobs, na humilde opinião de yours truly acho que colocar essa menina-monstro na campanha adicionou um elemento medo à toda a atmosfera que ele quis criar… mas ok, a gente tem a capacidade de abstrair, não é verdade?
11 de Dezembro de 2006 às 9:23 pm
enquanto isso, a campanha da LV está esfuziante e acho que deveria dar vontade em todas as mulheres de entrar naquele universo.
11 de Dezembro de 2006 às 9:38 pm
A Dakota me mete medo. Ela é uma adulta presa em um corpo de criança e tem um comportamento que nada tem de infantil. E um olhar muito fatal.
11 de Dezembro de 2006 às 9:51 pm
bom, hj em dia as crianças são mesmo mini-adultas! precisaram se tornar assim para enfrentar a ausência dos pais que trabalham fora, e com tanta informação disponível, eles crescem mais rápido…A loucura do The Sims é uma prova disso. Crianças tomando conta de casa, contratando empregados, getting money, etc..
Já os adultos que sofrem de síndrome de Peter Pan, precisam mesmo dar uma olhadinha no espelho de vez em qdo…vamos ver o que vai dar. :>
11 de Dezembro de 2006 às 10:28 pm
Sabe pq o medo de Dakota? Pq vc nunca pôde usar nada que não fosse compatível c sua idade cronológica: era meio q “obrigada” a ter a imagem de sua idade (mesmo que desfizesse as “xuquinhas”, não gostasse de nada tipo “romantiquinho”, e fosse mega definida - desde que se “achou” gente - sabia exatamente o que gostava e queria…). Então nunca teve essa coisa de maquiagem infantil, salto em criança, roupa de adulto, etc, antes da hora certa… Será que virou trauma????? Bj. Te amo.
12 de Dezembro de 2006 às 7:14 am
Hey, hey! Enfim você apareceu! (mas eu tbm sumi, né? Final de semestre, moça…). Então você é sexta, sábado e domingo, tudo de uma vez? Que boa vida você! Hhahaha. Me arrume um emprego por aí, heh.
Que bom que o meme dos livros vai sair. Gosto do modo como você escreve.
Gostou do meu novo template? Dos meus textos? Tou mais irônico que nunca…
E, hã… seu blog continua lindo. O post A Arte de Presentear é utilíssimo:)
Abraço, Fê.
12 de Dezembro de 2006 às 9:40 am
Ai que bom que eu não sou o único que tenho medo da Dakota… As vezes ela chega até a me irritar com o jeito adulto dela… Mas enfim…. Concordo com vc que somos - eu pelo menos - super influenciados pelas imagens de moda… E não digo só de moda, hoje praticamente tudo precisa de uma imagem, aquela velha história dos signos da cultura de massa e bla, bla, bla…. Mas por mais que negamos, sempre acabamos sendo seduzidos, pelo menos um pouquinho, por essa explosão de imagens que temos hoje.
Sinceramente, não sei qual foi a intenção do MJ com esta campanha. Ironizar, extremar, criticar? Difícil dizer… Ao mesmo tempo que se busca uma mulher mais adulta, ninguém quer parecer adulto de mais. Muito pelo contrário.
Acabei lembrando de um post (Age in fashion years) que fiz falando de como hoje em dia, todo mundo está se vestindo bem parecido, independente da idade… E quase isso que a gente vê nessa campanha, por mais estranho que possa parecer, não é mesmo?
Bxos,
Lu
12 de Dezembro de 2006 às 2:37 pm
Oi, Fofita!!
Não conheço direito essa “mini-atriz”, mas acho que a intenção dessa campanha diferente da LV é chocar ao primeiro impacto para o lado que o público feminino meio que não gosta de revelar: o lado criança. E ao fazer isso, o estilista leva as mulheres a se identificarem com o produto inconscientemente…
Será que estou certa?
bjss
18 de Dezembro de 2006 às 11:10 am
Gente,
Que bom que não sou só eu que tenho um sentimento indefinido por esta menininha…no mínimo me causa estranhesa sua atitude mini adulta, mas talvez tenha um sentimento de identidade lá no fundo que me faz gostar, enxergar o que talvez vivi, não sei se sou fã ou se só acho estranho…e a campanha? Gosto de verdade e não sei se ligo para elocubrações sobre a intenção do artista, gosto e ponto final.
Beijinhos
4 de Junho de 2007 às 1:09 am
[…] de moda’ despertados por editoriais sofisticadíssimos? Too much, né? Que desde a Dakota Fanning na campanha do Marc Jacbos a gente vê mais e mais crianças no alvo, por […]
15 de Outubro de 2007 às 10:53 pm
[…] da Adriana Barra, que eu comprei porque vi a própria usando (sou 100% vítima da história do ‘espelho mágico’). O casamento não era aqui em SP e acho que ninguém na festa conhece Adriana Barra ou […]
14 de Março de 2008 às 8:58 am
[…] e suéteres que deixassem a gente com aquela cara linda, chique, ruiva?!?? Eu ia querer se a mágica viesse […]
31 de Março de 2008 às 11:36 am
ola dakota voce é linda ate para fazer filmes mas eu não to te cantando beijos:)
9 de Maio de 2008 às 9:35 am
[…] gente super acredita que muitas vontades acontecem por identificação. Muito da estória do espelho mágico: a gente se identifica, se espelha, quer alcançar uma imagem que inspira a gente e pronto, a […]