ESPONTANEIDADE DE MENTIRINHA

A gente reclama tanto de revistas femininas, da TV e da propaganda — desse esquema de sugestão de perfeição impossível de alcançar, que mascara a vida real com mulheres lindamente photoshopadas, faz a gente se sentir oprimida (quem nunca?) e que conduz geral a aliviar essa angústia… com compras. A gente aponta o dedo, toma consciência dessa “manipulação” de mídia, mas sem perceber tem feito a mesma coisa com as nossas vidas na rede social.

Geral editando as próprias vidas, limpando toda sujeirinha, selecionando fragmentos de realidade pra só compartilhar a fração mais maravilhosíssima do próprio cotidiano ~ em especial nos looks do dia. E vejam bem, a gente AMA a rede social e é muito entusiasta do compartilhamento (em tudo!). Mas a gente entende que uma coisa é dividir com amigos (e com quem se tenha afinidade) as nossas aspirações, vivências, experiências; outra coisa é se colocar na posição de modelo ou de exemplo — e isso é ainda mais cruel do que o que a operação manipuladora da mídia.

Quando a gente edita/limpa a parte natural da vida e usa quaisquer ferramentas pra só exibir roupas perfeitas, maquiagens perfeitas, viagens perfeitas, filhos perfeitos, casa perfeita, refeições perfeitas, fins de semana perfeitos… a gente perde nossa humanidade e, por consequência, a liberdade de aceitar nossas próprias singularidades. Enquanto a gente não aceita e abraça as nossas próprias singularidades, a gente não se liberta pra também admirar essas singularidades nos outros. E aí não tem como não competir. :(

Então a rede social vira um espaço de competição e de corrida e de angústia, em que a gente se esforça pra camuflar o que tem de imperfeito e se pergunta a cada foto: “gente essa pessoa é tão como eu, tá tão próxima de mim… como ela consegue ter essa vida espetacular e eu não?”. Ces entendem? A revista Caras já oprimia a gente com famosas sem celulite tomando banhos de banheira com pétalas de rosa numa ilha paradisíaca… a gente não precisava ter trazido a Ilha de Caras pro Instagram.

Não tem como a gente incentivar/valorizar singularidades dizendo “olhe pra mim como referência”. Mesmo que essa referência pareça muito espontânea, pra existir na rede social ela é fragmento de vida apenas, calculadamente compartilhada pra construir uma narrativa manipulada (e esse exibicionismo é o oposto do exercício da empatia). E se a rede social ~a internet toda!~ é abastecida pelos usuários, então qualquer mudança de rota tem que partir das nossas próprias postagens, dos nossos próprios comentários, do nosso questionamento individual… pra assim impactar o coletivo. Vamos?

Oficina de Estilo no seu email
IDÉIAS PRÁTICAS PRA FACILITAR O VESTIR!
  • e comprar menos e melhor
  • e se arrumar em menos tempo
  • e se sentir linda e autêntica com o que tem no guarda-roupa
  • e exercitar criatividade e se sentir empoderada <3