herchcovitch, alcino, babados e bethânia

Se o que a gente veste é tão importante, especialmente pra informar ao mundo quem a gente é, então a última coisa que a moda devia gerar (em forma de sentimento) é opressão. Ou receio, ou frustração. Se uma das funções da moda fosse oprimir, só gente oprimida ia curtir se vestir e experimentar e tals - gente que se deixa agredir, gente que não se impõe, gente que deixa a vida passar. Mas - na teoria - é tudo ao contrário: a moda tem função de ajudar a gente a construir uma imagem reflexiva do que se é por dentro, deve fazer feliz e libertar; ao mesmo tempo que a gente é o contrário do tipo de pessoa reprimida. E isso daí vale pras mínimas coisas, pra detalhes no nosso vestir de todo dia.

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a roupa começa dura e bege e militar, mas a seda e o colorido e os babados querem aparecer, ó

Que se a gente estuda e conhece o próprio tipo físico, as limitações que ele pode apresentar ficam fáceis fáceis de ser dribladas. Ponto pra moda. E se a gente tá mais preocupada com a ‘construção da imagem reflexiva de quem a gente é por dentro’ do que com o ‘em volta’, não tem tanto limite pro que pode e o que não pode. Ou pro que é adequado ou não, ou pro que vai chocar - e o ‘em volta’ pode ficar sem entender - ou não. Ponto pra moda de novo. Mais importante é afirmar quem a gente é através do que a gente escolhe, experimenta e carrega no look. Claro que com cuidado, devagarzinho, tateando. Mas tem que ser assim, gente, de algum jeito. Não pode se deixar oprimir pela moda, pelo tipo físico (ninguém é perfeito! clichê super válido!), pelo povo em volta, pelo que vão pensar. Tem que experimentar, tem que desfilar vontades, tem que ser feliz.

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é tanta vontade de ser mulherzinha que os babados vão quebrando a dureza da roupa, “nascendo rompendo rasgando” (rá!)

Um dos top musos desse blog, Alcino Leite Neto - jornalista à frente da moda do jornal Folha de SP - escreveu num texto recente que “a moda deveria ser uma apologia da beleza e da feminilidade, como a que se viu na coleção de Alexandre Herchcovitch.” E continuou explicando a coleção apresentada pelo Herchcovitch na última edição de SPFW de um jeito tão lindo, tão sensível, tão verdadeiro… ó: “O designer fez babados explodirem por sobre uniformes militares - a começar da região púbica - propondo a graça e o gozo femininos como escapatória à belicosidade dos homens e à selvageria do mundo.” Alcino tá certinho, amigas. Pra tudo em volta ser mais legal, a gente tem que começar o dia sendo A GENTE MESMO mais legal no look, sabe como? E somos todas meninas queridas, fofas, inteligentes e mais - porque então às vezes a gente se priva de usar elementos que reforçam isso tudo? Nééééam?

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até a forma ser feita do babado em si, numa “armadura de leveza”

Esse post pode ser um manifesto em favor de looks mais femininos, pelo menos pra agora. Por mais babados (explodindo no meio da roupa de todo dia, do comum pra gente), por mais brincões, por mais decotes, por mais cinturas marcadas, por mais pernocas de fora, por mais delicadeza nos acessórios e por mais coordenações inteligentes de cores. Que moda só vale a pena - e só tem como ser amada - se propõe imagens que a gente reproduz (feliz!) na vida real. Se segura o humor durante um dia inteiro. Se faz a gente se divertir no processo e sorrir com o resultado. Que o Alcino também essa coleção do Herchcovitch deixa pra gente a clara mensagem de que “a moda não deveria ser uma forma de opressão, mas um ato de liberação”.

Pra ler ouvindo: não dá mais pra segurar =)

28 respostas para “herchcovitch, alcino, babados e bethânia”

  1. Claudia Pimenta diz:

    oi meninas! concordo plenamente! precisamos de um look lady-like sempre! nada mais bacana do que dar um up no visual, com um detalhe “mulherzinha”, né? acho mt fofo! bjs e apareçam lá no blog!

  2. Achados do Dia diz:

    Nossa, esse post é pra parar de trabalhar e pensar o resto do dia!
    Mega manifesto! Já estou com a faixa em mãos e prontas pro piquet, companheiras! rs

    beijocas!
    Lilian

  3. Denise diz:

    Adoro o post poético, um manifesto sem ser “revolucionário”…
    Eu que preciso exercitar mais o pensar no vestir!

    bjo

  4. Nathália diz:

    Nossa meninas. Fiquei até emocionada.
    Acredito que a moda seja exatamente isso, um manifesto a feminilidade, e além de tudo, deve ser algo que mostre nossa personalidade, tão diferentes e iguais ao memso tempo.

  5. vitor diz:

    opa, e depois vcs acham que não ajudam as pessoas a pensarem, que não contribuem de maneira efetiva pela moda, por um lugar melhor, por pessoas mais felizes, pelamor, que post lindo esse…
    bjs

  6. Tatiana Mattos diz:

    E que os tecidos deixem de ser só tecidos, tenham a forma que a gente vive, o cheiro que a gente forma e a vida que a gente cheira, assim bem de mansinho, pra não ser de uma vez só. E o mundo vai sendo feliz!

    Lindas vocês e lindo o post!

  7. Fernanda diz:

    e que o que a gente escolhe vestir ajude a gente a ser quem a gente deseja do fundo do coração ser de verdade. =)

  8. Amanda Medeiros diz:

    Amei!!! Super amei o texto.
    Acredito demais que é esse o caminho… é por ai mesmo.
    Acho que devemos vestir nossos desejos, nossas vontades e não ficar guardando tudo lá dentro. Se a moda é uma linguagem, vamos nos comunicar de forma feliz e produtiva.

  9. ludimila do garimpo diz:

    Que coisa linda é este post! E dá pra deixar de ter o alê como estilista favorito?
    beijos

  10. Renata Kotscho diz:

    Amei Fê! Parabéns pelo lindo post!
    Viva o nosso look mulherzinha né!!

  11. denise dahdah diz:

    AMEI o post. Arrasa Fê!

  12. Tati Rodrigues diz:

    Vai que Alcino é também meu mega-top-muso e, claro, depois de ler o que ele escreveu, não pude deixar de fazer um post no Avesso sobre suas palavras e sobre a coleção do Alê.

    E como Alê e Alcino são super inspiradores, o post ficoou bem do bonitinho, porque fazer referência ao que gostamos é também uma maneira de reverência.

    Passa lá pra ver Fê!

    Beijo

  13. Magui diz:

    Ai que lindo! Poxa…. queria ter lido isso de manhã… :)

  14. andreza diz:

    oficinas! lindo pensar nos papeis que a moda expressa. os estilistas - assim como os cineastas, os designers - são os artistas contemporâneos, e , na minha opinião tão conseguindo captar isso que o Alcino falou sim: o mundo clama por feminilidade, doçura, generosidade, suavidade, leveza (adorei ‘armaduras de leveza’) . Porque podemos desempenhar papéis sim: doutoras, empresárias, guerreiras urbanas, motherns…
    mas a moda inspira e tomara que o mundo conspire pra que os babados, laços, enfeites, acessórios, tramas, saias, vestidos, tudo isso represente o que vem de dentro. tomara que adocemos nosso mundo interno , pra expressar bem por fora. porque mulher também é isso.

  15. Márcia Mesquita diz:

    hmmmm engraçado isso!
    estava olhando algumas fotos antigas e reparando como a moda dos anos 30, 40, 50 deixavam todas as mulheres divinas. E depois vendo umas coisas dos anos 80 e início dos 90 e reparando como ficou tudo tão… estranho!

    e chego aqui e vejo esse post. me inspirou hein!

    acho que não só transmitir o que somos, mas ajudar a encontrar o que somos - mas às vezes não temos coragem de demonstrar. Pela roupa, quem sabe, isso não vem à tona?

    Concordo com o Alcino e assino embaixo do manifesto pela feminilidade e beleza!

    beijos

  16. Luigi diz:

    Gente, que post mais incrível! Adorei!!! Assino embaixo de tudo o que você falaram!

  17. Fabiana diz:

    Meninas,
    Que texto lindo!! Amei! Sou muito fã do Alexandre Herchcovitch exatamente porque ele sabe, como ninguém, juntar feminino com masculino de um jeito autêntico, verdadeiro. Mesmo quando ele erra ele acerta! E a última coleção é de uma dureza tão delicada…
    Beijos

  18. Gisely Chessed diz:

    Isso de estudar o corpo, aprendí com vocês e com as meninas do what not to wear, pois bem sempre que aparecia uma gordinha relaxada- digo isso porque desanima comprar roupa que marca ou larga feito uma sainha de botijão- ela no final vestia um vestinho, um casaquinho acinturado e voilá- deslumbrante. Vocês mostram isso, de ficar legal com qualquer corpo. E isso é um alívio, porque sempre pesei 52 e 20kg mais gorda não queria comprar nada esperando voltar ao peso anterior- afe! já tô levantando do divã rsrs!! bjo

  19. Fabio Lage diz:

    Nossa perfeito!!!
    ameiiiiiiii!!
    Perfeito seu texto!
    Ja ta nos favoritos!

    http://houseofmodels.blogspot.com/

  20. Cris Fonseca diz:

    Meninas, que post mais inspirador. Poético, esse post é uma declaração de amor à moda que ajuda a deixar o mundo feliz. Adorei. Meninas, vcs estão demais!
    Beijos orgulhosos,
    Cris

  21. OFICINA DE ESTILO: MODA PRA VIDA REAL » Blog Archive » aprendendo mais sobre/com blogs de moda diz:

    […] herchcovitch, alcino, babados e bethânia o dia em que eu conversei com susie bubble […]

  22. Fernanda diz:

    ô, que deglícia ver tanto amigo nos comentários! e que deglícia de comentários! vou dormir feliz, com maria bethânia tocando na minha mente (até agora!): bem louca alucinada e criança. =)

  23. Katia Fortuna diz:

    Ufa!!!!! belo texto.
    bjos

  24. André Felipe diz:

    explodiu.

  25. Gino Cesar diz:

    Adorei o post….acho que essa “onda” é a melhor pra apresentar a mulher, o gosto, essencia,a graça da feminilidade basileira!!!
    next step!!!

  26. Celina Alves diz:

    “Não pode se deixar oprimir pela moda, pelo tipo físico (ninguém é perfeito! clichê super válido!), pelo povo em volta, pelo que vão pensar. Tem que experimentar, tem que desfilar vontades, tem que ser feliz.”

    AR-RA-SOU
    Amei esse post. Depois de quatro dias sem net e sem poder vir vistá-las (tortura total), venho aqui e me deparo com um super post desses, é pra ser feliz djá, mesmo com meus “quilinhos” a mais, que já estão indo pra “marte”…
    Bjobjo

  27. OFICINA DE ESTILO: MODA PRA VIDA REAL » Blog Archive » a loja do herchcovitch de cara nova diz:

    […] os fundos da loja tão cobertos por uma estampa multicolorida (tipo a que furava a barreira militar dos casacos no desfile e enchia o universo em babados mil, lembra?). Dentro da loja também tem reforma e, pelo que dá pra ver, o espaço lá dentro vai […]

  28. mariana vicenzo diz:

    acima de liberdade e feminilidade tudo o que senti à respeito do desfile foi como uma carícia ao coração para sentirmos orgulhos das nossas ‘bichisses’ de mulherezinhas!

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