30.
nov.
08.

maria garcia: decadência chique e delicada

A Maria Garcia é a marca “mais jovem” da estilista Clô Orozco, que faz a Huis Clos. A Huis Clos é chiquééérrima, e a Maria Garcia é chique do mesmo jeito, mas é pensada pras filhas dessas chiques que usam a marca-mãe. É chique de um jeito esperto, nada careta, e bem fácil de usar – e de ficar incrível. Roupas feitas pra meninas românticas mas nada ingênuas, que têm um quê de moderninhas e que super dão importância pro conforto. Quem comanda o estilo da marca é a Camila Cutolo, que trabalha junto com a Clô há 6 anos – então elas sabem muito do universo particular de uma e de outra, né?

mariagarcianoparque.jpg
VEJA MAIS FOTOS DO DESFILE
;-)

Pra esse universo a estilista trouxe inspiração de Coney Island, essa ilha perto de Manhattan que era o lugar mais alegre do mundo na década de 20 (tipo isso), com um mega parque de diversões e praia e vida feliz ao ar livre. Com o tempo a coisa foi deixando de ser assim (com especulação imobiliária e tals) e a ilha passou a ser um abrigo de gente excluída e marginal. Hoje Coney Island é um lugar de gente excêntrica, e a Camila explorou os dois lados dessa estória na coleção apresentada hoje.

Todos os looks tinham algum detalhe assimétrico, alguma forma desigual. Camisetas sobrepostas com listras em direções divergentes, plissados mais largos de um lado do que de outro do mesmo casaquinho, cores – coloridas tipo rosas, amarelos, laranjas, azuis – que desbotam e dão impressão de desgaste, de decadência, em degradês que deixavam um lado da roupa mais escuro do que o outro. Assimetria também nas peças confeccionadas com camadas de pregas horizontais, sempre em tamanhos diferentes umas das outras – pregas que também apareceram em vestidos, às vezes em partes, às vezes no vestido inteiro. A idéia de “decadente” tomou forma extrema (rá!) no brilho de algumas peças, que não era salpicado, mas que aparecia em blocos grandes e localizados, como se fossem resto de uma superfície que um dia brilhou inteira, mas que agora descascou (e esse foi o top momento desejo da coleção).

O toque sexy da coleção ficou por conta das transparências e das alças finíssimas de algumas regatinhas, que a “menina Maria Garcia” não é boba nem nada. A marca também mostrou apostas recorrentes, tipo vestidos chemise, misturas de elementos femininos e masculinos (o sapatinho tipo dockside ficou um charme junto com roupitchas tão descoladas) e coordenações de estampas diferentes. A delicadeza característica da marca apareceu em to-dos os looks do desfile, mas teve momento-recordação nos acessórios dos cabelos das modelas, cheios de peninhas e perolinhas e frufrus que a gente quer ter djá. Porque a gente gosta mesmo é da parte da fantasia, da roda gigante, do carrossel…!

A Oficina


A Fê e a Cris são personal stylists de gente da vida real e dividem, aqui no blog, tudo que aprendem nesse trabalho.