25.
out.
07.

moda e novelas em debate + mil vídeos

Ontem teve debate entre o Alexandre Herchcovitch e a power figurinista da Globo, Marília Carneiro, promovido pela Folha de SP e mediado pelo Alcino Leite Neto. Eles conversaram sobre moda e novelas, e teve muita reflexão boa nas duas horas de duração do “papinho assistido”. Foi legal e rendeu um monte de vídeos, que estão todos na filial do blog da Oficina no YouTube.

A Marília Carneiro falou da dificuldade que é compor um figurino de dia-a-dia, como os do Manoel Carlos (Marília, fofa, isso é SÓ o que a gente faz! E não é fácil meeesmo!). Disse que é bem mais fácil – e legal – fazer gente não convencional, tipo vilões, prostitutas, personagens que tem ‘viradas’ (ai, eu a-do-ra-ria ter uma virada). São dela a Júla Matos de Dancin’Days (e a meia de lurex ela viu numa capa antiga de LP, sabia?), o Renato Mendes de Celebridade e a Heloísa de Cláudia Abreu em Anos Rebeldes. Ela falou, inclusive, que o trabalho preferido dela é esse de Anos Rebeldes: porque ela viveu aquilo tudo de perto e porque, logo depois da exibição da minissérie, teve toda a coisa dos ‘caras-pintadas’ fazendo impeachment pro Collor. Ela super acha que teve a ver, tipo que inspirou o povo, sabe?

A figurinista ainda falou que quase não tem surpresa quanto ao que “vai pegar” nas ruas ou não: que quando ela compõe um ‘enxoval’ de um personagem ela já sabe de antemão o que vai fazer o olho do povo brilhar. E contou que adorou fazer o figurino da Jade em ‘O Clone’, e que tudo nela era inspirado em YSL e em Kenzo – nada naquele figurino era árabe mesmo, era tudo”relido” por esses estilistas (chiiique!). Diz que teve uma coleção do Saint Laurent toda inspirada em muçulmanas e odaliscas, e foi dalí que a Marilia Carneiro tirou as imagens que compuseram a Jade. Tsá?!?? Ela acha que as pessoas super querem comprar as roupas pra se aproximarem das personagens que admiram (tipo “quero ser igual a ela”) e disse que tudo que a Vera Fischer usa vende horrores. E ensinou que o figurino nunca pode ser mais eloquente que a personagem, que o figurino sempre tem que servir à personagem e não o contrário – essa é a beleza do trabalho da figurinista, a humildade de não aparecer e deixar a personagem brilhar.

O Alexandre Herchcovitch fez observações super inteligentes e intervenções engraçadíssimas (nunca o vi rindo tanto, juro!). Falou da satisfação de ver sua roupa (e de seus colegas que fazem moda e que produzem pra figurinos também) sendo versátil e desfilando em corpos que não vestem 38 (“novela também é meio de difundir moda”) e chamou atenção para os figurinos masculinos. Disse que adorou o Renato Mendes (que usava camisas pretas e paletós de veludo!) e chamou atenção pra dificuldade de se ter figurinos não tradicionais/não conservadores demais para os atores – diz que o público masculino super reclama quando tem muita inovação, então a inserção de moda masculine ‘de vanguarda’ nas novelas encontra uma super dificuldade de aceitação por parte dos próprios meninos, mas também dos autores e diretores das novelas.

AH falou também da ‘virada’ da Bebel (ai, me vê uma virada, por favor?!??) : ele acha que a imagem dela tá mudando de um jeito super inteligente, porque a aparência dela deixa de ser “da rua” e passa a ser fina, mas deixando bem claro que essa mudança é recente e que não é tão autêntica (tipo que a alma da Bebel não é fina, que a natureza dela não é essa). Que mesmo adequada, com menos pele e mesmo com tecidos mais sofisticados, ela ainda carrega cores fortes nas unhas, nos lábios, ainda usa o brincão… É mesmo, né?!?? No fim, a Marília Carneiro acha que “o incosciente coletivo rege o mundo” e que o público tem sempre razão, quando ama ou quando gonga um figurino. Então tá!

A Oficina


A Fê e a Cris são personal stylists de gente da vida real e dividem, aqui no blog, tudo que aprendem nesse trabalho.