moda, estilo, humores e sentimentos
“Não somos feitos de uma matéria fixa, imutável; somos produto dos encontros, das conexões que nos permitimos fazer ao longo da nossa existência.”* A gente tem personalidade definida, tem todo um modus operandi que funciona direitinho (trabalhamos, almoçamos, encontramos amigos, resolvemos problemas…) e tem um guarda-roupa “na medida“. Tudo isso junto implica num estilo de vestir definido, que externe essas subjetividades com clareza para o mundo em volta. Mas e essa instabilidade, fruto dos “encontros e conexões” que nos permitimos fazer?
Qual o tamanho da relação entre o que acontece com a gente e o que a gente escolhe vestir? E qual a importância dessa relação? O emocional de um indivíduo pode se sobrepor ao seu estilo pessoal? Ou obrigatoriamente se manifesta aliado a ele?!??

**às vezes a gente tá feliz
A gente não é estável (nunca) e tá todo mundo sujeito ao novo, ao inesperado. Mega natural que haja diferenças no vestir por conta desses ‘desacertos’ que teimam em acontecer no meio dos caminhos. O inesperado nos surpreende - apesar de saber que se deve viver esperando o inesperado, quem tá preparado de verdade pra ele?!?? A segurança do vestir-se automaticamente pode ser fragilizada por humores, amores, viagens, trabalhos, sustos ou medos… não pode? “O termo ‘complexidade’ vem do latim complexus, que significa o que abrange muitos elementos ou várias partes. É um conjunto de circunstâncias, ou coisas independentes, ou seja, que apresentam ligação entre si. Trata-se da congregação de elementos que são membros e partícipes do todo.”* O que a gente veste tem que falar da gente = nossas escolhas no vestir têm ligação com quem somos. E qualquer situação complexa que a gente vive “abrange muitos elementos ou várias partes”. O vestir também.
A gente pode usar moda pra acolher, pra confortar, pra camuflar sentimentos ou situações mal-resolvidas, pra alegrar, pra estimular. Escolher materiais fofos e aconchegantes pode ser sintoma de desconforto. Escolher cores coloridas pode pretender alegrar alguém tristinho. Escolher tons neutros e sóbrios pode dar sensação de se querer refletir, acalmar, permanecer inerte. Dificuldade de escolha pode decorrer de confusão mental, confusão de tudo. E se a gente conscientizar isso tudo, dá pra escolher direito, com propósito. Tipo mudar de roupa pra mudar de comportamento, ou mudar de comportamento e por isso mudar de roupa. As inglesas do ‘Esquadrão da Moda‘ escreveram um livro chamado “What you wear can change your life” e elas têm alguma razão.

** às vezes a gente tá triste
“O que de fato buscamos é captar o tempo todo o que se faz e o que se desfaz em nós, dar forma ao que vivenciamos em nossa subjetividade. Chega o momento, então, em que, a despeito da forte sensação de vertigem e desorientação que possamos experimentar, é preciso abandonar aquela forma que virou carcaça, não nos diz mais nada, e ir em busca de outra que pareça vital, que “aumente nossa potência de agir”*. Terapia em frente ao espelho; estímulo pra curas e atitudes e mudanças e tomadas de decisão que podem ser influenciadas e exteriorizadas no discurso não-verbal.
Tô indo pro cabelereiro. Vou ficar loira.
* Todas as citações são da professora Rosane Preciosa, tiradas do incrível “Produção Estética“. ** Todas as obras que ilustram o post são da Tarsila do Amaral. (E sim, esse texto é pra você.)

