NÃO É SOBRE “O QUE”, MAS SIM SOBRE “COMO”

Esse post faz parte de uma série de questionamentos, tem mais dessas idéias aqui, ó:
+ QUESTIONAMENTOS PRA CONSUMIR MELHOR
+ CONSUMISMO É DIFERENTE DE CONSUMO

+ PROPAGANDA ATRAPALHA ESTILO PESSOAL

Antes da gente começar a conversar sobre o que se compra, é preciso pensar em como se compra — sem essa reflexão a gente aqui na Oficina não acredita que possa acontecer mudança efetiva em hábito de consumo.

Como a gente se relaciona com a atividade COMPRAS faz com que seja possível comprar tudo ou quase tudo, em qualquer lugar com qualquer preço. A consciência e a disponibilidade pra intencionalmente agir diferente em relação à compra é que muda a coisa toda. É possível praticar consumo consciente até no fast-fashion: tem mais a ver com comportamento do que com produto ou marca/loja.

é possível praticar consumo consciente até no fast-fashion: tem mais a ver com comportamento do que com produto ou marca/loja :: http://www.oficinadeestilo.com.br/blog/nao-e-sobre-o-que-mas-sim-sobre-como/

Pensa só em 2 tipos imaginários* de pessoa:
*qualquer semelhança com a vida real nem é tão mera coincidência!

-pessoa que toda semana compra sacolas e sacolas de roupa 100% ética e sustentável, com garantia de procedência e mão-de-obra digna e bem remunerada;

-pessoa que vai até a Forever 21 uma vez a cada 3 meses e compra 1 ou 2 peças.

Qual desses consumos é mais responsável, consciente, sustentável?

Quem compra muita roupa demais acaba não conseguindo usar tudo que tem: ou porque não enxerga no guarda-roupa abarrotado, ou por não ter ocasiões suficientes durante a existência humana pra vestir tanta coisa. Por outro lado, se todo mundo que faz compras na Forever 21 só comprasse 1 ou 2 peças a cada 3 meses, a rede de fast-fashion nem seria tão gigantesca como é, nem precisaria usar métodos desumanos pra produzir mais e mais pra abastecer loucamente as lojas.

E mais: a consumidora não precisaria experimentar o sistema de não-presença e rapidez/voracidade que é estrategicamente instalado nas lojas (alô música altíssima, alô araras confusas, alô provadores disputados). Percebam com a gente que isso rola em todo tipo de grande rede de fast-fashion: um esquemão orquestrado em loja pra que a gente não consiga raciocinar, pra que a gente esteja alienada e conte com a facilidade do self-service pra “resolver” logo as nossas compras.

Se os nossos maus hábitos de consumo persistem, tanto faz o que se compra… a gente permanece sendo consumista. E esse é o problema. Consumo e consumismo são coisas bem diferentes, ó:

CONSUMO: ato ou efeito de consumir; extração de mercadoria; aplicação das riquezas na satisfação das necessidades econômicas do homem.

CONSUMISMO: excesso de consumo; ato de comprar produtos/serviços sem necessidade ou consciência; compulsivo, descontrolado, que se deixa influenciar pelo marketing das empresas que comercializam produtos/serviços, sistema caracterizado pelo excesso.

O que faz mal pro planeta Terra (e pra gente, que né, só tem aqui pra morar) não é o consumo, mas o consumismo. Nós aqui na Oficina não somos contra o consumo, somos contra o consumismo!

E mais: se o comportamento voraz e inconsciente rola no consumo de produtos éticos e sustentáveis, ainda temos um problemão, pessoal. Ó: colunas de “eco-consumo” em revistas de moda, por exemplo, ainda são colunas sobre consumo! Não tem a ver com produtos, tem a ver com COMO se faz compras, com intenção de melhorar nossa relação com o consumo.

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