11.
out.
07.
novo fast fashion e novas vontades
Hoje a gente sabe que moda não é mais pra tão poucos como era antes. Os desfiles ainda são frequentados só por quem tem convite, os estilistas mais bem sucedidos ainda atendem quase exclusivamente às elites e tals, mas toda informação que ronda esse universo está disponível – pra todo mundo – em revistas e em toda a internet super rápido. A informação chega até a gente bem mais rápido do que a moda em si, materializada em forma de roupas pra gente usar na vida real.
Acontece que porque a gente vê e estuda tudo antes, a vontade chega antes também, né? Aqui no Brasil as coleções desfiladas numa temporada chegam às lojas mais ou menos 4 meses depois, e no outro hemisfério as coleções são desfiladas um ano inteiro antes de aparecerem nas araras. E o sucesso do esquema ‘fast-fashion’ (da Zara e da C&A e da H&M e afins) se deve à essa nova ordem no mercado de moda: o consumidor quer, cada vez mais rápido, abastecer seu guarda-roupa com as peças que acabou de ver sendo desfiladas e que ainda vão ser tendência. E porque essas peças são super baratinhas nessas lojas, dá pra comprar mais e mais, e com mais frequência (olha a humanidade ficando supermega mais consumista!).
Por causa da demanda (que só cresce) e por causa do sucesso do modelo de muita variedade e da mega rapidez no abastecimento das araras, as redes de lojas que fazem fast fashion estão se aperfeiçoando e produzindo peças cada vez mais bem acabadas, feitas de materiais mais legais – a gente adooora. E o mais legal é que essas mudanças/melhoras são motivadas por quem frequenta essas lojas (quase sempre regularmente!). Diz que a Zara tem “olheiros espalhados por todo o mundo, pessoas que visitam metrôs, hotéis, que andam pelas ruas (a melhor vitrine do que as pessoas gostam)”. Daí com informações tiradas de gente da vida real as equipes de estilo da loja fazem suas apostas para a estação, seguindo as vontades do público-cliente.
No seminário Fashion Mkt de 2006 o assessor da presidência do grupo que controla a Zara, Antonio, Camuñas, explicou isso das ‘apostas’ da rede de um jeito super coerente (e convincente). Quando foi perguntado sobre a rapidez com que as cópias (das peças desfiladas nas principais semanas de moda do mundo) chegam às prateleiras da Zara, ele respondeu que há influência da moda sim, mas que isso não é copiar, é apostar: diz que a chave do negócio todo é assistir aos desfiles e pensar que o que os estilistas levam um ano pra produzir a Zara tem que entregar às lojas em 15 dias – eles têm que apostar e escolher a direção certa. Por outro lado, se a Zara erra em alguma aposta, eles têm a vantagem de trocar tudo super rápido, sempre!
Pra gente aqui no BR esse esquema funciona super bem, porque como as “apostas” são feitas a partir do que é desfilados por marcas importadas, dá pra gente ter tudo antes e não enjoar quando as coleções das marcas nacionais sã lançadas – nem sempre as modas de um e de outro coincidem, até por conta das diferenças de estações. E ninguém fica com vontade ou se sente de fora da brincadeira, porque no fast-fashion todo mundo pode (e consegue!) tudo. Delícia, né? A gente é super a favor.








