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  • O Sartorialist fez post tempos atrás sobre esses dias em que a gente não sabe muito se tá frio ou se tá calor. O que ele disse foi que em dias assim, em que não tá nem super quente e nem super frio, todo mundo pode usar o que quiser – e daí a criatividade entra em ação! E é verdade, né? Especialmente se a gente vai ficar o dia todo fora – sem possibilidade de se trocar pra compromissos diferentes! – a gente tem que se virar pra administrar camadas inteligentes de roupas que nos atendam em tudo que a gente tiver pra fazer. O que abre as nossas mentes pra looks que tradicionalmente a gente não entenderia, mas que funcionam na vida real.

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    as fotos são do sartorialist e foram tiradas no mesmo dia, todo mundo indo pra um mesmo evento!

    Eu e a Cris costumávamos implicar com quem usa sandália em dia frio, ou com quem usa echarpe/lenço com regatinha, em dia quente – com sensação confusa de “tá frio ou tá calor?”. De um tempo pra cá a gente vem flexibilizando (obrigada maturidade) e mudando de idéia: é possível usar um vestido e uma sandália incrível com uma capinha mais quente por cima, e tirar a capinha em lugar fechado ou se esquentar (um monte de coisas nos servem só pra deslocamentos, e quando a gente chega onde tem que chegar pode ‘desmontar’ o look, né?). Ou: dá pra usar regata e echarpe sim, como acessório apenas (ou pra proteger do ventinho, porque não?). Mesmo looks de frio com pernocas de fora, tipo coordenações de cardigans fininhos e shorts/bermudas em alfaiataria super funcionam em dia de frio-e-calor!

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    versão nacional: lílian pacce de rasteirinha e maria prata de meia-opaca no mesmo evento!

    A gente aconselha carregar cardigan e mantinha (tipo uma echarpe bem quentinha, em pashimina ou cashmere mesmo), pra cliente nenhuma ficar com frio de surpresa. E a gente ensina a pensar no look na hora de separar essas peças salva-vidas na bolsa: cardigans mais ou menos espessos (dependendo da expectativa: muito ou pouco frio!), mantinhas maiores ou menores, mais claras ou mais escuras… Tem dado certo.

    Mais: previsão do tempo é melhor amiga da moda da vida real, nénão? Ainda mais em tempos de aquecimento global e inversão de estações. Bom é que ao mesmo tempo que a gente querser criativa, a moda arrasa no timing e oferece um zilhão de possibilidades de look, todas democráticas, pra todo mundo.


  • No Pense Moda os fotógrafos e os stylists participantes de mesas de debates tocaram num assunto tenso: a coisa das referências literais na hora de se trabalhar imagens de moda aqui no BR, seja em revistas, seja em catálogos e afins. A coisa toda parece meio cíclica: fotógrafos e stylists reclamam que são sempre chamados pra repetir referências literalmente, dizem que os editores mostram editoriais/imagens feitos por profissionais incríveis fora do país e pedem pra reproduzir igualzinho. E falam ainda que não têm tanta liberdade pra propor coisas novas porque os editores dizem que os leitores “não estão preparados” ou que não vão entender.

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    Vogue Paris x Vogue Brasil: o editorial-matriz saiu primeiro na revista de lá de fora e foi republicado aqui nessa edição da Vogue BR – na mesma edição em que a versão brasileira saiu. Oooops.

    Não tinham editores lá no Pense Moda na hora pra rebater ou pra debater, então a gente ouviu só um lado dessa história. Porque a gente imagina que editores poderiam reclamar que quem não traz nada novo são eles (fotógrafos e stylists!), ou que eles topam fazer o que é pedido sem reclamar ou sugerir outro caminho – não dá pra saber, né? Mas a gente imagina.

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    Vogue América x Vogue Brasil: refletidas no vidro, com canudinho e tudo

    O fotógrafo Bob Wolfenson chegou a dizer que é meio obrigação de editores e clientes em geral pedirem referências novas e frescas. Ele disse que é preciso que se produza imagens novas e inspiradoras até pra “educar” o leitor/consumidor, pra que cada vez mais todo mundo compreenda e saiba “ler” imagens de moda mais elaboradas, mais sofisticadas e moderninhas. A gente também acha, e também quer ser ‘educada’! Porque repetição faz com que o olho se acostume e se acomode, e a gente vai mesmo perdendo o jeito de decifrar códigos e elementos das imagens de moda que vemos – especialmente quando a Vogue repete tanto assim, ó:

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    Vogue América x Vogue Brasil – e aqui a gente tem um ‘plus a mais’: tem na revista dizendo que “o editor de moda Giovanni Frasson foi quem decidiu que um jardim tropical seria perfeito para destacar as cores do editorial”. A gente acha que quem decidiu isso foi o casal Inez e Vinoodh que fotografou o editorial-matriz na Vogue América, não foi não? E olha que a gente a-do-ra tudo do Giovanni!


  • Tem esses posts no Sartorialist mostrando a transformação de estilo de duas meninas em um ano, registradas sem querer pelo Scott Shumann, dono do blog. Diz que quando ele foi fotografar uma das moças ela conversava com ele como se eles já se conhecessem e ele demorou pra entender pela diferença de aparência dela entre um encontro e outro. No blog ele conta a história toda e ainda reflete sobre o que motivou/provocou essas mudanças.

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    Uma das moças é de Chicago e tinha acabado de se mudar pra NY (as duas se mudaram pra lá, na verdade). Ele diz que o sorriso dela é a única coisa que permanece igual da primeira foto pra segunda – ela deu uma super sofisticada no look depois de passar um ano em NY, estava super mais urbana. Ela diz que as lojas bem mais legais e comprar menos em shoppings foi o que mais ajudou a moldar o ‘novo estilo’, a fez por pra fora quem ela sempre achou que foi, mas não era (ainda). Mas se estilo é refletir do lado de fora o que a gente é do lado de dentro, então o que tá em volta da gente não pode ser unicamente responsável por mudanças assim, não? Alguma coisa do lado de dentro tem que acontecer também!

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    Acontece que o autor do blog diz que o que mais impressiona nele na conversa sobre a mudança de look é o fato dela ter mencionado que não conhecia ninguém quando se mudou pra NY. Ele acha que o que mais conta é o fato de não ter medo de experimentar e nem de não ser aprovado no “grupo” por causa de um look mais original (essa insegurança – que todo mundo tem! – de pertencer ou não, de ser aceito ou não…. uó!). E ainda desafia a gente a pensar se todo mundo não mudaria ou aperfeiçoaria alguma coisa no look se não fosse pelo povo que tá em volta!

    Às vezes a gente precisa mesmo de alguma coisa maior pra dar uma chacoalhada. Mas não é só uma questão geográfica – no trabalho eu e a Fê vemos motivações diferentes todos os dias: gente que casa, gente que muda de emprego, gente que tem filho, gente que se desapaixona, gente que muda de grupo de amigos… A gente super se identifica porque as duas mudaram de área profissional, uma casou e a outra morou a vida toda em cidade de praia antes de vir pra SP. Alguém mais tem história-fashion pra contar?!??


  • A gente acredita que o que a gente veste é extensão do que a gente é por dentro. A gente acredita mesmo e acha que “existência e aparência são forçados a se interligar na constituição da subjetividade contemporânea”, como disse a professora Cristiane Mesquita. Ao mesmo tempo, “cada história singular é atravessada por aspectos culturais, políticos, econômicos, científicos, afetivos, familiares, etc” (também foi a professora que falou!). Então o que a gente veste é extensão do que a gente é por dentro mas também é produto do meio em que a gente vive. Não?
    imagens do livro “meninas do brasil”, de mari stockler… http://editora.cosacnaify.com.br/Loja/PaginaLivro/10575/Meninas-do-Brasil.aspx

    Todo mundo se veste de dentro pra fora e de fora pra dentro, não necessariamente dos dois jeitos ao mesmo tempo ou nessa ordem. Todo mundo faz escolhas por emoção (de dentro pra fora), porque quer ter confiança e segurança, quer mostrar o corpão e quer comunicar personalidade. Mas não tem como fazer escolhas ignorando o exterior (de fora pra dentro): ninguém quer se sentir inadequado, ninguém quer se destacar demais (de jeito ruim), ninguém quer ter o modelón gongado. O meio e o coletivo super influenciam o vestir individual. Que todo mundo quer pertencer a um grupo, mas quer se destacar dentro dele – a gente quer ser igual e ao mesmo tempo diferente. Confusão de estilos?

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    … que fotografou ruas, bailes e sambas e os chamou de ‘mundo paralelo’

    E da conversa sobre a existência – ou não! – de um streetstyle brasileiro (aqui e aqui) surgiram questionamentos e fórmulas que direcionam não só esse assunto mas também a ‘construção’ do estilo pessoal: se conhecer, identificar “dna”, saber contar uma história através do que se veste e adquirir mais e mais intimidade com a própria essência são caminhos pra que as aparências possam revelar subjetividades. Quando a gente coloca características de quem é (e do que a gente curte) no que veste, tamos comunicando estilo. O que é importante pra gente tem que aparecer objetivamente no vestir individual pra contruir essa subjetividade: em cores, em caimentos, em texturas, acessórios, tecidos e estampas.

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    as moças do ‘mundo paralelo’ têm estilo pessoal super definido, não têm?

    Esse é mais ou menos o princípio do “self-branding” (!!!): descobrir pontos fortes e aquilo que é único num indivíduo e transformá-los um super diferencial. Achar essa ‘diferençazinha’ é a graça do vestir, não?!?? Porque, no fim, ter estilo é ter história pra contar, ter conteúdo pra mostrar, com nuances e sutilezas que só podem vir de dentro da gente, com a nossa narrativa. E aí, se essa “receita” fosse aplicada pra nação inteira (conteúdo a gente tem!), talvez a gente não tivesse mais dúvidas sobre qual é o nosso estilo – de rua e de qualquer lugar.


  • “A menos que eu esteja errado. O que é inteiramente possível. Nós nos enganamos muito frequentemente, quando discutimos o que não aconteceu. Além do mais, no que diz respeito à forma, qualquer especulação futura é profundamente fútil. Exatamente como plantar uma árvore é um ato sem preço, como é vital combater o bom combate contra aqueles que destroem a Terra e não deixam nada para amanhã, da mesma forma me parece irrelevante imaginar como serão os filmes de amanhã, como serão no futuro os filmes de hoje. Nada é tão imprevisível quanto o futuro. Não fazemos filmes hoje para platéias do próximo século, tanto quanto não encenamos Shakespeare para espectadores do século XV. Toda forma de expressão é contemporânea. Trabalhamos para aqueles que compartilham este momento da história conosco. Aqui e agora. Amanhã e em outro lugar: o que podemos dizer sobre isso?”

    Esse é um parágrafo do livro “A Linguagem Secreta do Cinema” de Jean-Claude Carrière. Carrière é roteirista e trabalhou em parceria com Pierre Etaix, Luis Buñuel, Jean-Daniel Verhaeghe, Milos Forman e Peter Brook, em filmes tipo Belle de Jour, Danton, The Mahabharata, O Discreto Charme da Burguesia. Ele é brilhante (já ganhou três Oscars) e nesse livro reflete um tanto sobre as diversas dimensões do cinema, entre elas a passagem do tempo. Nessa reflexão sobre as expectativas do futuro de um movimento cultural –que pode ser cinema ou moda (não pode?)– Carrière deixa claro que: o que o que embasa esse movimento é a contemporaneidade e que, embora saudáveis, discussões sobre o seu futuro são inúteis.

    As pessoas usam laranja porque tá na moda ou laranja tá na moda porque as pessoas usam?
    As pessoas usam laranja porque tá na moda ou laranja tá na moda porque as pessoas usam?

    Com o que vemos nas semanas de moda nacionais e com o que vemos nos sites de streetstyle internacionais fica bem claro: a moda hoje se alimenta do que se usa nas ruas do mundo. Quando um birô de tendências faz uma determinada “previsão”, certamente existe uma vontade nas pessoas de se vestir assim. As informações não surgem do nada, mas de uma observação do que se “está usando”, das motivações dessas escolhas e de uma inclinação que já existe nos “reles mortais” em adotar determinados códigos de vestir.

    + programa DESCOMPLICANDO O GUARDA-ROUPA: 35 dias juntas online pra facilitar na prática o vestir

    Não é engraçado pensar que enquanto discutimos a tecnologia dos tecidos e no avanço que isso possibilita nas criações de moda… o povo quer mesmo é usar viscolycra (pelo menos aqui no BR)? E que, mesmo com todas as transformações propostas pra silhueta masculina, o que mais a gente vê é boy de jeans e camiseta?

    Então a gente conclui que o futuro da moda depende do que as pessoas tão usando AGORA. Citando um texto do Ricardo Guimarães para a revista ffwMag, “a tecnologia da comunicação acelerou tanto a vida que o tempo não permite mais intervalos, não tem antes nem depois, somente o durante. Tempo real, ao vivo”.

    O futuro virou gerúndio, pessoal, e nada mais vai ser — está tudo sendo. ;-)


  • No finzinho de abril o Yvan, dono do blog Face Hunter, avisou que tava se mudando de Paris pra Londres. Disse que as pessoas mais velhas em Paris mantinham seu senso de estilo mas que os jovens perderam essa herança e não ousavam mais, não impressionavam. Yvan disse que se mudou pra continuar “caçando personalidades em vez de somente tendências”, gente que vira ‘curador do seu próprio estilo’.

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    Que os sites de streetstyle estão meio obrigando a indústria da imagem de moda a se mexer de um jeito incômodo (pra ela), mas provavelmente definitivo: esses sites são mais dinâmicos, mais ricos, mais abrangentes e – melhor parte – mais inspiradores. Mesmo. Não tem nada melhor do que ver alguém da vida real usando algo que faz o nosso olho brilhar, que dá vontade de usar também: porque é como se a gente tivesse mais garantia de que que rola, de que não foi tão milimetricamente calculado (como nos editoriais), de que corpos da vida real também podem, e não só modelas.

    No texto da coluna Última Moda da Folha de SP de sexta passada o jornalista Alcino Leite Neto fala dessa nova dinâmica e da ‘mudança da geopolítica fashion’: “cidades até então ignoradas pelos fashionistas – como Estocolmo (Suécia), Helsinque (Finlândia) e Reykjavík (Islândia) – passaram a ganhar peso igual às chamadas ‘capitais da moda’. “As grandes semanas de moda podem até continuar nos mesmos lugares, mas a inspiração não virá mais de lá” (essa última frase é do Face Hunter).”

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    Incluir referências (sutilezas) da cultura e do costume regional no vestir faz super diferença, e acrescenta ainda mais personalidade ao vestir – (Balenciaga fez todo um desfile fundamentado nisso) – a gente aqui no BR devia fazer mais, de um jeito mais inteligente. O Face Hunter mesmo, quando esteve aqui, achou a gente bem tradicional no vestir – e olha que ele tava na Bienal, durante o SPFW, hein? A gente precisa mesmo perder o medo das cores, se deixar experimentar outras modelagens (e volumes também, por que não?), parar de se achar “fashion” por nada e se inspirar meeeesmo.

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    A gente precisa perder a preguiça e dedicar um tempinho aos brechós que a gente tem aqui – poucos e difíceis, mas é o que a gente tem…. O Alcino ainda reclamou na coluna que os poucos blogs brasileiros que se dedicam a registrar streetstyle (existe isso aqui?) não são atualizados há muito. A gente acha, de verdade, que a gente pode reaprender a ser legal no vestir, pelo menos pra tentar acompanhar o povo sueco, mas com a nossa cara, com dna. Aí, sim, vai dar vontade de ver ‘blogs brasileiros de streetstyle’.


  • Se eu parar pra pensar, a primeira imagem de moda que me vem à memória é a da minha mãe se preparando pra sair pro trabalho. Muito provavelmente ela já arrasava bem antes dessa minha lembrança, mas a imagem dela se maquiando em frente ao espelho, com o barulhinho das pulseiras aumentando na medida em que ela aplicava a sombra (colorida, eram os 80’s!), é a mais marcante que eu tenho na memória e acho que super despertou meu desejo de também me enfeitar – e de enfeitar outras.

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     mamãe estilosa de macacão laranja e maxibolsa, comigo (no colo) de tomara que caia florido

    ((E era bem a época da novela Roque Santeiro e a Lolan, minha mãe, usava duas cores de sombra ao mesmo tempo, tipo bem ousada: minha combinação preferida era roxo e rosa, acho que a dela também.))

    Lolan – esse é o diminutivo carinhoso de Solange! –  já trabalhava em escritório de advocacia mesmo enquanto ainda estudava. Mas o ambiente formal de trabalho não era limitação pra suas vontades de cores e formas: era uma fartura de tailleurs e terninhos coloridos, muitas pulseiras e broches e colares e um cabelo que precisava de permanente pra ficar rebelde do jeito que ela gostava (gosta até hoje!). Desde sempre observei seu senso de proporções, seu cálculo de “dosagens” de modelagens, sua exigência na hora de escolher tecidos (ela entende SUPER de tecidos! mestra!), sua atenção com comprimentos.

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    Nunca vi minha mãe insegura em frente ao espelho, nunca a vi perguntando opinião de ninguém antes de sair ou tirando dúvidas tipo “qual sapato fica melhor” (eu faço tudo isso todo dia!). Tanta segurança resultava numa super liberdade ao se vestir: ela podia ousar quanto quisesse e sempre tava adequada, confiante. Quando eu tava pra ficar adolescente, minha mãe foi à uma cerimônia de premiação de qualquer coisa em que ela seria a única mulher a receber o título/prêmio em questão. E ela foi vestida de terninho, camisa e gravata!

    Por conta disso sempre tinha “sessão de fotos” com amigas na minha casa: a gente tinha acervo farto e eu me achava A maquiadora. Na época de baladas eu virei a maquiadora oficial do grupo, e por isso todo mundo aproveitava pra se arrumar na minha casa – e eu sempre tinha opinião, sempre acrescentava um acessório ou acrescentava uma cor pra harmonizar o look das melhores-amigas que se submetiam. No fim, todo mundo desfilava pra Lolan aprovar ou refazer todo o nosso ‘styling’ – e todo mundo adorava ter a minha mãe de ‘juíza fashion’!

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    A Lolan hoje veste as mesmas coisas que eu, mas nela tudo fica ainda mais legal. Ela ainda me influencia, eu ainda peço opinião, ainda procuro coisas no “acervo” dela uma vez ou outra, mas o mais valioso ela já me deu só de existir: o exemplo. Imagem de moda (pessoalmente eu tenho essa certeza:) a gente armazena na memória desde que nasce, como um arquivão de referências que a gente pode consultar durante a vida toda. E o meu tá recheado, graças à mamãe. <3


  • A gente tá na era da informação de um jeito diferente: é a era da curadoria da informação, do gerenciamento do que nos interessa e do que vai ser objeto da nossa atenção. Não tem informação demais no mundo, pelo contrário, tem “information starvation” – eu mantenho um fotolog só com fotos da minha schnauzer e o site tem visitantes cativos, que passam e comentam.

    O superblog da Motorola nessa edição do SPFW abriga colaboradores diferentes, com interesses diferentes: temos textos escritos por gente que ‘vive’ design, tendências, gadgets, comportamento e questões ambientais (se moda é o figurino da história, pra tudo isso tem espaço!!). Mesmo gente que vive a mesma coisa – moda – tem abordagens diferentes. A parte mais legal é que mesmo falando de maneiras diferentes, quase todos os posts têm um viés ” convidativo”: todo mundo mostra corredores, bastidores, curiosidades – um olhar ” de fora”, mas aqui dentro!

    Não tem mais segregação, ou não tem que fique de fora (ou, pelo menos, ” por fora”!): quem tá em casa, online, sacia a curiosidade porque lê o que foi escrito por quem tem as mesmas curiosidades. Estamos inseridos numa “conversa”, e comentários, críticas, questionamentos e sugestões são parte importante da discussão. “Trata-se de uma tendência inexorável, que aborda o acontecimento em ângulos diversos, possibilitando um debate mais eficaz e maduro”, foi o que o Alex da ag407 disse para o site oficial do SPFW.

    E quem há pouco acompanhava a principal semana de moda do país de longe, via internet, agora gera informação sobre o mesmo evento, participando de perto. Recebemos comentários e e-mails sugerindo pautas, pedindo informações específicas, relatando a fidelidade dos nossos leitores e, especialmente, recebemos mensagens de carinho e incentivo – resultado de identificação, talvez?

    Porque quem faz blog é semelhante ao que o lê: queremos saber o que Erika Palomino e Gloria Kalil e Alexandra Farah acharam de determinado desfile, mas também queremos saber o que a Laura do Moda pra Ler achou, queremos saber das impressões do Luigi do About Fashion, queremos nos ver e nos reconhecer nesses posts. E sentimos mesmo, muitas vezes, que os textos foram escritos pra gente – não é?!??

    ** Mais delícia ainda é a idéia de que tem gente esperando pra saber o que a gente acha – nada mais legal e, ao mesmo tempo, carregado de responsabilidades! **

    Ouvimos durante a palestra do Michell e concordamos: o que a gente vive é irreversível. É um tempo que agrega através da democratização da informação, da negação da verdade absoluta. Que convida qualquer um a deixar de ser mero espectador e passar a ser participante. Somos editores de nós mesmos e estamos num caminho (bom!) sem volta.

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    (Sorry pelo tom sentimental!)


  • Um pessoal da Universidade de Cambridge fez um estudo chamado “Well Dressed?” que concluiu que as roupas – especialmente a modinha dos fast-fashions da vida (Zara, H&M, Mango, C&A…) – são super fonte de emissão de CO2 e “colaboradoras” do aquecimento global, por consequência.

    De acordo com o “Well Dressed?”, indústria têxtil global precisa prestar atenção às sutilezas pra conseguir desenvolver uma “indústria têxtil sustentável”. Os dois maiores problemas para a moda, apontados pelo estudo, são as mudanças mais que rápidas das vontades de moda e a manutenção demandada pelas roupas que consumimos.

    Parte do problema é que nem quem faz as roupas e nem quem as compra super entende o impacto das suas escolhas na questão ambiental. Muitas vezes, no esforço de contribuir com a causa, os consumidores correm atrás de materiais naturais e tecidos orgânicos, mas nem sempre essa é a solução mais legal. Tecidos sintéticos não são lavados com água quente e não precisam ser passados à ferro, por isso sua manutenção economiza um monte de energia.

    A principal sugestão do estudo de Cambridge é a mais difícil de imaginar acontecendo, especialmente no meio de consumidores de ‘moda’: que haja um esquema de “empréstimo” de roupas por pequenos períodos (tipo um mês ou uma estação), para que as pessoas não precisem consumir moda descartável – tipo uma biblioteca, que empresta livros. E que, com o tempo, as todo mundo invista em roupas duráveis, que possam ser usadas por anos e anos.

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    (Além de ter que investir meeeesmo, tem que passar vontade.)

    Eu já contribuo não tendo máquina de secar em casa e não usando água quente pra lavar nenhuma peça (é até melhor pra roupa, sabiam?). Mas dá pra fazer mais….. depende muito de segurar “a onda das vontades” e de conseguir esquemas bacanas de doação e “reciclagem” de peças usadas. (Acho doar mais legal que não comprar ou pegar emprestado… mas eu posso mudar de idéia.)

    A matéria completa do NY Times tá aqui e vale o clique. E no trendwatching tem uma matéria incrível sobre um novo jeito de consumir, que pode resultar (ou já resulta???) num jeito “second hand” de ter as coisas, pra que a gente as tenha por menos tempo – sem deixar de ter a ‘experiência’. É o jeito ‘ transumer’  de ser.


  • A frase já apareceu aqui (é do Mario Mendes!) e tá “estampada em forma de imagem” na capa da Vogue Itália de janeiro. Tá no style bubble (a foto veio de lá!) e o que a Susie escreveu sobre essa capa é muito muito verdade – e muito o nosso momento. A capa da revista anuncia o breve lançamento do style.it, versão italiana do style.com: digital new year meeeesmo!

    Esse é o tempo em que tudo relacionado à moda tá ao nosso alcance super por causa da “wonderful world wide web” (wwww!!!), mesmo que a gente não esteja perto fisicamente de grandes acontecimentos…. porque até agora todo o povo da blogolândia fez isso mesmo. Todo mundo participou, comentou e refletiu de longe, através da tela do computador.

    E dá muito certo assim mesmo, não dá? Uma vez a Erika Palomino comentou que durante as semanas de moda, quando ela sai de dentro das salas de desfile mais importantes do mundo, a primeira coisa que ela faz é ligar pra equipe internética dela. Diz que mesmo com ela lá dentro, assistindo tudo ao vivíssimo, no momento em que ela sai a equipe já sabe mais que ela sobre o desfile: tipo eles já sabem da trilha, da cenografia, da entrada das modelas, e tals…. conectados!

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    E por mais que a gente esteja vivendo o momento “um passo à frente”, vamos correr pra comprar a revista – que as fotos do Steven Meisel devem ser mais que tudo de bom (e se forem mesmo, estarão aqui em breve!!!).


curtimos

ideias complementares às da Oficina