11.
nov.
07.
pense moda: debate entre stylists
SURGE UMA NOVA PROFISSÃO: onde começa e onde termina o trabalho do stylist; a parceria com as marcas e a (falta de) liberdade de ação
por Jackson Araújo (mediador), Thiago Ferraz, Daniel Ueda, David Pollack, Chiara Gadaleta, Flávia Lafer, Maurício Ianês e Paulo Martinez
O debate foi aberto pelo mediador Jackson Araújo dizendo que o stylist tem a responsabilidade de fazer a intercomunicação entre o estilista e o consumidor, e os participantes da mesa concordaram que são mesmo ‘contadores de estórias’. O Paulo Martinez falou que o resultado do trabalho de styling depende muito da revista em que se trabalha – hoje ele está na MAG e dá um super espaço/liberdade para os stylists com que trabalha – ele acredita que a MAG não é só um arevista de moda, mas de imagem, por isso quer mostrar outros caminhos pra se pensar. Disse ainda que o papel do stylist é obrigar o outro a ver a mesma coisa só que com outros olhos: “eu conto uma mentira, crio uma imagem pra contar uma estória”. Paulo é um defensor da fotografia de moda e disse que num editorial o que menos importa é a roupa: “um vestido preto vai ser sempre um vestido preto”, o que acrescenta informação é o em volta – luz, modelo, locação… styling! Chiara Gadaleta completou dizendo que o stylist é quem interpreta a moda: “a realidade todo mundo já conhece, o nosso papel é criar outra realidade, uma que ainda não existe mas que pode existir”. Paulo reforçou que tudo depende do veículo em que se está trabalhando e que é mega importante conhecer seu público, saber pra quem se está falando. O David Pollack acrescentou que o styling nunca pode se sobrepor à fotografia, que cada profissional tem seu próprio estilo, suas referências, mas que isso não pode ser a coisa mais forte num resultado de um trabalho.
Quando Jackson Araujo perguntou em quais circunstâncias eles diriam ‘não’ pra uma proposta de trabalho, Maurício Ianês respondeu que nunca diz não porque gosta do desafio de tentar tirar o melhor de cada trabalho, de tentar entender vários universos. Flavia Lafer complementou dizendo que se um determinado trabalho não tem muito a ver com o estilo do profissional, dá pra montar uma equipe específica que dê apoio e acrescente. Thiago Ferraz disse que também se interessa pelo desafio de criar imagens diferentes – quem discordou foi Chiara Gadaleta, que acredita que fazer trabalhos com os quais ela mais se identifica acaba por otimizar o resultado, então ela diz ‘não’ para algumas propostas que ela acha que no fim vão ser desgastantes. Daniel Ueda concorda, falou que quando é chamado pra qualquer coisa sempre pergunta se o contratante já conhece o trabalho dele, pra não ter que se explicar depois. A Flavia acha que tempos atrás os stylists eram chamados por causa de seus nomes e que hoje eles são chamados por causa de seus trabalhos, que o estilo de cada um já é definido e conhecido. Paulo contou que se recusa a fazer publicidade, que prefere ficar sem pagar as contas (!!!) e Flavia acha que alguém tem que fazer (publicidade) e fazer bem feito – disse que o problema no Brasil para entender certas imagens é cultural. Thiago completou dizendo que a publicidade pode ser um jeito de elevar o nível (desse entendimento de imagens) porque alcança muito mais gente que uma revista de moda.
Paulo contou que para se fazer o styling de um desfile existem dois caminhos: participar de todo o processo durante a criação de uma coleção ou ser chamado uma semana antes do desfile. Mauricio disse que gosta de acompanhar o processo, de conhecer melhor a cabeça/as idéias do cliente e que recusa o trabalho quando é chamado no fim do processo, em cima da hora. O stylist disse ainda que no trabalho de styling para desfiles é muito importante o respeito mútuo entre marca e stylist e Thiago completou dizendo que esse trabalho acaba sendo uma parceria, que o diálogo é essencial para o bom resultado. Chiara contou que não gosta mais de trabalhar em desfiles em cima da hora, acha mega importante testar bastante antes e entender o universo da marca. Tiago disse que seria o máximo se existissem mais parcerias entre estilistas e stylists como a que Mauricio tem com o Alexandre Harchcovitch. Daniel Ueda comentou que a expectativa em cima do trabalho do stylist é muito grande: “stylist não é santo milagreiro”. Todos concordam que muitas vezes o styling acaba sendo responsabilizado quando as críticas de um desfile são negativas. Paulo falou que a imprensa brasileira é muito cruel na hora de fazer críticas de colecões e que não existe ‘refinamento do olhar’: “a fúria com que se assiste a um desfile do Herchcovitch não pode ser a mesma fúria com que se assiste um desfile de jeanswear, a fome tem que ser menor”. E pediu que os jornalistas tenham mais respeito e elegância ao fazer uma critica – Flavia aproveitou a deixa pra comentar a importância de se entender a marca e a coleção antes de analisar um desfile.
Na hora de formatar suas equipes todos eles chamam novos assistentes através de indicações de seus assistentes atuais. Paulo ainda disse que não tem problema algum em ser assistente desde que se seja o ‘melhor’ assistente. Tiago falou que é muito importante construir uma carreira consistente e que assistir é o melhor caminho.Todos os participantes concordam que os assistentes acabam ensinando muito a eles porque trazem informações novas e frescor. Daniel recomendou que todo mundo trabalhe bastante tempo como assitente antes de se decidir por fazer carreira solo e disse que esse tempo é essencial pra se criar referências próprias, pra acumular memória: “inspiração pode vir de tudo!”. Chiara comentou que absorve muitas referências de pessoas na rua, que essas manifestações naturais são super inspiradoras e que dão muitos subsídios pro seu trabalho. Quando questionados sobre referências ‘prontas’ todos disseram que se recusam a fazer (editoriais copiados de revistas estrangeiras), e falaram bastante da frequência com que os editores de revistas (ou clientes), em reuniões prévias (ou de pauta), trazem referências prontas e pedem que se refaça tudo igualzinho – diz que acontece na confecção de catálogos também. Flávia sugere que uma solução é conversar com o fotógrafo porque ele também não vai topar copiar nada, e daí apresentarem outras alternativas e idéias. Maurício acha que o maior problema é que os profissionais estão “viciados” em referências visuais, e que mesmo que o trabalho dos stylists seja super visual, existem outras maneiras de criar e de “trazer o novo”.








