11.
nov.
07.
pense moda: judy blame
OUSADIA E PERSONALIDADE: as altos e baixos do stylist que marcou era e se tornou um dos designers mais criativos do momento; a visão de um amante do Brasil na questão da identidade brasileira
Judy Blame preparou uma apresentação recheada de imagens icônicas de seu trabalho especialmente para o Pense Moda, e explicou que ama tanto tudo que já fez que, diante da dificuldade de escolher apenas algumas, preferiu selecionar randomicamente uma quantidade suficiente. A maneira de falar, a postura e as caras (e bocas!) fizeram toda a diferença e só crescentaram mais personalidade ao conteúdo incrível que a palestra trouxe. E aí Judy começou a contar que começou sua carreira em 1977, quando fugiu de casa (!!!), e que essa é sua sétima passagem pelo Brasil. O super stylist fez parte/assistiu de perto a revolução punk -rock em Londres e disse que essa foi uma época de muita experimentação, essencial para sua formação como profissional.
O super stylist disse que todo mundo pode “fazer barulho com um bom look”, e repetiu essa mesma idéia de vários jeitos, durante toda a sua fala. Contou que sempre amou moda, mas que quando era bem jovem não conhecia ninguém muito fashionistas – então em vez de pensar em fazer algo criativo, ele decidiu ser criativo, se vestir de forma criativa. Judy se considera um sortudo porque estava por perto quando as revistas inglesas mais legais começaram, e porque “atrai pessoas criativas e é atraído por elas”: diz que muito da energia dele ele dedica a encontrar/conhecer pessoas que ele acha importantes, construir um bom grupo. Na carreira dele o trabalho em equipe é fundamental e ele também repetiu essa idéia – a do team work – muitas vezes durante toda a palestra. “Se você se abrir para a criatividade, se você está aberto, as pessoas vêm até você. Leave yourself wide open, have shameless creativity and remember team work”.
Logo antes de entrar no assunto ‘Brasil’, Judy falou sobre suas iinspirações: disse que nunca se restringiu somente à moda (e voltou a falar disso quando perguntado pela platéia) e que é inspirado por tudo em volta – a inspiração pode vir de uma notícia no jornal ou por um alfinete. E aí contou que veio pro Brasil pela primeir avez num momento em que precisava muito de energia e que logo se apaixonou pela música, pelas cores e pela comida: “eu amo a energia de vocês mas acho que vocês não sabem direito onde colocar tudo isso”. O stylist veio primeiro pra trabalhar com Carlos Miele e depois continuou com parcerias por aqui com gente do náipe de Costanza Pascolato, H. Stern e Irmãos Campana; e disse que toda vez que está aqui “come muito e toma muita caipirinha”!
Ressaltou que todo mundo tem que trabalhar pesado e que o “grupo” dele teve sorte de estar no lugar certo, na hora certa: as revistas I-d e The Face começaram junto com eles, cheias de polaroids e sem formato definido (eles meio que criaram um formato). Ninguém tinha dinheiro, não tinha patrocínio, e ainda assim eles fizeram a coisa acontecer. Judy acha que todo mundo é responsável por fundamentar a cultura de música e de moda de algum jeito, e deu conselho pra quem reclama que não encontra espaço para trabalhar com as publicações tradicionais disponíveis no mercado: “crie sua própria publicação! não pode ter medo!” – citou, inclusive, o fanzine que o Dudu Bertholini fazia (ainda faz?!??), o 2Fanzine. E continuou falando do Brasil, dizendo que “estilo não tem cor” e que “pra se ter uma boa imagem de moda tanto faz a cor da pele da modelo, já que está tudo coberto com tecido”. Reclamou que a gente aqui no BR só curte promover modelos loirinhas e alemãs do Sul (!!!) e que valoriza muito pouco morenonas, negras e meninas do norte e do nordeste. Terminou dizendo que acha as pessoas daqui “fabulosas”, mas que a gente não valoriza as diferenças – e é sempre bom ser diferente, na visão dele.
Judy falou da importância de se ter experiências em clubes e boates, da importância da cultura de noite – e falou sério! Disse que “great creativity comes from bad behaviour” (tem criatividade que vem de mau comportamento!) e que boates ajudam a crescer – pelo menos a fzeram crescer bastante. O stylist contou que que nas décadas de 70, 80 e 90 sair à noite fez parte do crescimento dele e que as boates são um super ambiente criativo, onde se conhece pessoas incríveis: ele convivia com gent etipo John Galliano e Bryan Ferry. De novo, achou chance de reforçar seu pensamento sobre grupos e equipes: disse que encontrar pessoas é muito importante e que não dá pra fazer na-da sozinho: é necessário ter pessoas bacanas em volta e trabalhar em equipe. E terminou sua resposta dizendo que seu nome sempre estava na lista de convidados!
A platéia continuou a perguntar e Judy achou espaço pra dizer que, na opinião dele, todo mundo pode aprender tudo e qualquer coisa (a gente amou isso!). Disse que é só ter paixão, que tem que amar o que se quer aprender, e ir atrás, achar pessoas incríveis que saibam ensinar e mandar ver. Ricardo Oliveros perguntou sobre a mistura de fundamentos populares com luxuosos nos trabalhos do stylist e Judy nos deu um momento-emoção: disse que suas referências vêm da vida e nunca só da moda, e que quando é assim é fácil reinventar elementos e deixar tudo contemporâneo. Disse que a gente vive hoje e deve prestar atenção no amanhã – ele mesmo não está nem aí pro ‘ontem’. E completou dizendo que nunca fecha portas, que ele sempre as abre – e deixa abertas! Contou ainda que tem cadernos em que anota idéias e junta referências (quase sempre com ilustrações e colagens) e que nesses cadernos vai reunindo pensamentos (valiosos!), e que às vezes tem idéias que só vão ser usadas depois de uns três anos! E disse que quando um cliente o contrata ele corre pra biblioteca dele e pra esses cadernos pra porcurar o que merlhor pode servir pra cada trabalho, num processo de criação super abstrato e orgânico: “sem fómulas que eu não sou bom em fórmulas”.
Judy contou também da experiência na Louis Vuitton: diz que ligaram pra ele e ele achou que fosse um trote de algum amigo (!!!) – mas que três dias depois já estava em Paris com o Marc Jacobs. Falou que o Marc Jacobs já conhecia o trabalho dele e que acrescentou à sua criatividade um super olhar de negócios. Seu processo de criação não teve nenhuma restrição, e o trabalho foi mesmo em conjunto: diz que ele criava criava criava e o MJ editava, orientava, apontava direções. Ju dy se esbaldou no luxo da maison e contou impressionado que eles têm os melhores materiais em tudo. O stylist Ciro Midena, que foi assistente de Judy durante anos em Londres, perguntou sobre o trabalho com a Comme des Garçons: diz que foi um trabalho super experimental, bem diferente do trabalho na LV. A única coisa que Rei Kawakubo disse a Judy era que queria “rosa e dourado”, e só – ele estava livre pra fazer o que quisesse. O resultado está na coleção masculina da marca para a primavera de 2005.
Judy se despediu dizendo que o Brasil tem uma super variedade e que tem que prestar mais atenção às pessoas lindas daqui – disse que todo mundo aqui é incrível pra vestir as roupas e que a gente precisa respeitar nossa cultura e nossas cores, especilamente respeitar a gente mesmo antes de nos apresentarmos ao mundo. O stylist enfatizou que a gente não vai conseguir se globalizar enquanto estivermos discutindo uns com os outros, que temos que ser mais colaborativos – trabalho em equipe! =)








