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ALÉM DO ESPELHO
por Clara Prado 

Em que os encontros virtuais podem enriquecer nossa vida real? Mais do que uma ferramenta de comunicação, as redes sociais têm sido importantes para a  criação de círculos de afinidade. E é muito bacana quando esses círculos viram experiência real, de corpo a corpo, olho no olho, carinho e expectativas. Quando os círculos viram espirais.

Nosso primeiro encontro cultural #alemdoespelho foi repleto dessa experiência humana. Desde a chegada até a despedida, todas estávamos completamente ali. Eu percebi, senti e vi. Como é bom saber que é possível criar o próprio movimento e que existem sim pessoas disponíveis a ouvir, com vontade de dizer algo que está além das preocupações cotidianas! E que a história que construímos pelas redes sociais é também uma história nossa vivenciada, não começamos do zero, há algo que nos une, uma cumplicidade.

Mesmo que as redes virtuais não virem encontros reais entre pessoas de forma direta, podem virar encontros reais entre pessoas e conteúdos, que levarão a encontros reais entre pessoas nos seus próprios círculos de convivência. A que tipo de leitura dedicamos o nosso tempo e o que compartilhamos – virtualmente ou olho no olho – com nossos amigos? A que dedicamos nosso tempo e nossa energia? Que valores queremos reforçar com a “pauta” que escolhemos para as nossas conversas? Qual a “linha editorial” das nossas vidas?

A palavra-chave para escolhermos, com consciência, os assuntos que merecem nosso tempo e espaço é disponibilidade. Mais do que consciência, mais do que engajamento, porque disponibilidade é uma atitude que pode levar às ações que cada uma das situações exigem e que cabem na nossa vida. Disponibilidade para compreender que o mundo é complexo mesmo, é contraditório, e que não basta curtir e compartilhar uma foto ou frase de impacto para “fazer a nossa parte”. Isso não existe. Nossa parte não é finita neste mundo em que vivemos. Nós escolhemos nossa parte dia a dia – somos responsáveis por essa escolha. Essa tarefa não podemos delegar a ninguém. Não podemos terceirizar nossa subjetividade e nossa ação no mundo.

Estar disponível para compreender as questões do nosso tempo não significa virar militante (acho que venho repetindo isso aqui), mas significa sim respeitar aqueles que militam e dedicam a vida a uma causa – compreender a importância do que fazem. Dar valor ao que tem valor.  Não jogar contra quem está ao nosso favor.

Não precisamos concordar uns com os outros, mas se buscamos verdade na vida é necessário que tenhamos disponibilidade de escuta e também disponibilidade para mudar de opinião. Muito se fala sobre o diálogo, mas não ficamos confortáveis no embate. É desconfortável o embate com o outro, mas é também desconfortável o embate com a nossa rotina. Acho que falamos mais sobre dialogar do que dialogamos. Preferimos nos reunir para falar sobre alguma coisa ou sobre alguém, mas pouco nos dedicamos a falar com o outro e ouvi-lo de verdade. É preciso pensar sobre o lugar que ocupamos no mundo, com nossas ações e com as palavras que proferimos. Não é fácil, mas é muito mais gostoso!

Essa coluna da Clara aqui no site, que convida a gente a trabalhar a autoestima ‘além do espelho’, interagindo criticamente com o mundo em volta da gente (e não só com a gente mesma!), virou encontro cultural e agora faz parte da programação bimestral da Oficina de Estilo. Clica pra conhecer mais do programa, e, quem sabe, anima e vem no próximo! :)

 

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