A Ellus faz parte do InBrands, conglomerado de marcas de moda que também tem Alexandre Herchcovitch, Isabela Capeto e o SPFW em si. Então a gente já sabia que a super modela inglesa Agyness vinha, e que o desfile tinha tudo pra ser um espetáculo. A sala de desfiles tinha um lado só de platéia, e a gente ficava sentada de frente para um mega telão (ao longo da passarela). Quando Agyness entrou, abrindo o desfile – que todo mundo achou belíssima! – o vídeo do telão interagiu com ela a cada passo (clica pra ver no vídeo!). E foi assim com to-dos os modelos, bem igualzinho àquele desfile da Diesel em que o telão de led também interagia com quem passava por ele (clica pra lembrar). E esse foi o maior espetáculo nesse desfile.

Katylene, que sentou junto com a gente, gritou o nome da modela especialmente pra gente postar aqui (clica pra ouvir/ver em vídeo). Passada a euforia, às roupas: a Ellus embarcou na onda dos cinzas e propõe que a gente use até jeans na cor-do-momento. O primeiro bloco do desfile foi inteiro cinza, em looks baseados em calças jeans – as de sempre, mais largas no quadril, afunilando embaixo, dessa vez um pouco mais curtas. A coordenação era feita com xadrez (também em tons de cinza!) e o resultado final é um visual monocromático nada nada monótono. Pra repetir em casa essa fórmula: jeans + complemento estampado, com estampa nos mesmos tons do próprio jeans! E olha, a gente acha jeans cinza super mega elegante, e até hoje era relativamente difícil de achar – tamos vendo que a Ellus vai facilitar a nossa vida pro inverno. E vamo que vamo, Brasil!
Henry Holland, estilista britânico do círculo de Gareth Pugh, é super gente como a gente. Assim que desceu do palco após sua palestra/conversa, correu para se sentar ao lado de sua amiga/PR Mandi Lennard (que também falou no Pense Moda), suando, e perguntou (como eu estava logo atrás dos dois, ouvi tudo): “foi tudo bem? eu falei tudo direitinho? nossa, estou suando! está tão quente aqui! mas foi tudo bem mesmo?”. Bom saber que o melhor amigo de Agnyess Dean e Gareth Pugh, que desfila na London Fashion Week e que já recebeu uma ligação da toda-poderosa Vogue América interessada em suas criações, também fica inseguro em situações que, à primeira vista, nos parecem mais simples do que desfilar numa semana de moda como a de Londres.

As coisas na vida de Holland aconteceram muito rápido. Após transferir sua faculdade de jornalismo para um curso de fashion designer, começou a trabalhar em revistas de moda ‘teen’ e de celebridades. Como estas, as celebridades, sempre usam camisetas com frases de efeito, de manifestação de amor ou protesto ou de piadinhas, Henry se inspirou e desenvolveu algumas camisetas com rimas usando o nome de estilistas britânicos. O ‘boom’ aconteceu quando seu amigo Gareth Pugh (estilista também britâncio que hoje desfila em Paris) apareceu usando uma camiseta de Holland escrita “UHU GARETH PUGH”. Depois disso tudo aconteceu. Henry recebeu uma ligação de Sarah Mower (da Vogue América e Style.com) interessada em suas camisetas. Mandi Lennard conseguiu que ele vendesse na Dover Street Market (loja de Rei Kawakubo em Londres). Viajou para NY com sua musa Agyness Dean e acabou conhecendo Anna Wintour em si e Julie Gilhart, compradora da Barneys New York. Foi fotografado por Steven Meisel (top fotógrafo internacional) para a Vogue Itália, voltou a Londres e foi convidado a desfilar na London Fashion Week como participante do projeto Fashion East (ufa!). Duas temporadas depois ele já estava se apresentando independentemente.
Henry Holland já participou de quatro temporadas de desfiles com sua marca House of Holland e vem amadurecendo a cada uma delas. Seu lado street, colorido e divertido ainda permanece (afinal, é sua marca registrada), mas criações mais sofisticadas vêm tomando espaço em sua passarela. Além disso, está mais focado nos processos de produção, estoque e distribuição – exigências naturais de uma marca em expansão.
Ao final, a sensação que podemos ter da palestra de Henry é a mesma que podemos sentir do Pense Moda de maneira geral – existe um frescor de jovialidade e inocência típicas de quem tem talento e começou no caminho certo, mas ainda tem muita estrada pra percorrer.