Sabe isso de disseminar pensamentos positivos, de espalhar o bem – pra então esperar que a vida dê certo, que a gente receba essa positividade de volta? Eu começo a pensar que vale também pra roupa. Claro, do mesmo jeito que ninguém é bonzinho o tempo todo – eu não sou! – ninguém anda impecável, com look incrível o tempo todo. Mas se a gente resolve pegar no próprio pé e prestar atenção aos momentos mais “permissivos” da nossa relação com o próprio vestir, o efeito pode render. Tipo: programar looks fofitos pra caminhar com o cachorro de manhã cedo. Ou separar coordenações pra ir ao supermercado, à feira, buscar crianças na escola. Imagina: preparar todo um look bacana só pra ir até o salão fazer as unhas!
A gente não é “sozinha no mundo”, tá todo mundo inserido numa sociedade que tá inserida numa civilização – com algumas convenções estabelecidas. Então, roupa furada, estragada, feiosa de algum jeito, faltando botões… já não cabe. Mas se a Read more
A idéia é só comprar roupas muito legais – e usar todas elas, todos os dias da vida. O que a gente tem de mais incrível é o que tem que acompanhar a gente todo dia – não tem essa de “isso é pra uma ocasião especial” ou “vou usar pouco pra não estragar” – A VIDA TÁ ACONTECENDO, gente, e não tem rascunho pra depois passar a limpo. É agora e pronto: todo dia é especial e a gente merece, não merece? O melhor que a gente pode usar, todos os dias, não é “gastar” ou “usar errado”… é investimento! Tem resolução melhor pro ano novo do que aproveitar ao máximo tudo que se tem? E se mimar, se curtir, se permitir?!??
Então 2010 tá aí pra isso, pra gente continuar a pensar (juntas!) o melhor jeito dessas modas todas serem legais pra gente. Pra estimular todo mundo a experimentar, a se divertir, a olhar pra dentro e a sorrir em frente ao espelho. Agradecidas de coração pela companhia de cada leitora e leitor que, desde 2006 e durante todo o 2009, tá por aqui. E pelo aprendizado que fazer esse blog junto com todo mundo rendeu pra gente – vai continuar rendendo, né? ;-)
BRNTM: Mais um episódio, mais uma eliminação, mais lições pra gente aprender. Gente, vocês viram o que aconteceu? To achando o momento de julgar as fotos bem reforço positivo. Acho que até agora não teve nenhuma gongação feia e isso é bom, afinal elas estão lá pra aprender e tal.
Aí, achei legal quando a Fernanda Motta, na hora da eliminação, pediu mais confiança por parte de uma das meninas. Pediu respeito pelo trabalho da equipe do programa, pediu que ela fizesse parte. Isso é tão bacana de se dialogar, pensa bem que esquisito é viver desconfiado do seu ambiente de trabalho, das pessoas que estão ali. Meio maluco viver nesse clima de tensão, não dá, né?
A gente deixa essas coisas passar sem nem perceber. No geral tá tudo certo, tá bonito, não tem pro que apontar ou do que reclamar. Mas quando a gente olha com carinho, chega mais perto, dedica atenção e cuidado em cada pequena parte, cada detalhe, cada sutileza… tudo fica ainda mais legal. A gente encontra mais sentido, se sente mais recompensado, enriquece nosso repertório, aprende. Quase sempre a gente deixa passar coisas pequeñas sem nem perceber. Essas “pequenices” podem ser as mais importantes, as mais cheias de sentido, as que mais fazem diferença. Não vale só pro look (que foi tirado desse blog que sempre fotografa detalhes de cada look assim, de pertinho – já pros favoritos!), vale pra vida também. Pra tudo. Vamos exercitar daqui pra frente, todo dia, pra sempre?
Ainda da visita à expo do Vik Muniz: pregaram na parede do Masp uma citação do artista que pode super ter relação com o nosso jeito de exercitar estilo pessoal e de aperfeiçoar nossa aparência. Diz se não vale imprimir e pregar na porta do armário ou no alto do espelho, pra evitar a inércia e colocar esse pensamento na prática todo o dia?!?? Mantra-fashion pronto pra usar. (E assim ser mais feliz com moda!)
Abre aspas: o cérebro não colhe idéias no canteiro do ócio. É sobretudo pela interação com o material (estampas, texturas, tecidos, acessórios, complementos), pelo trabalho (exercício diário de criatividade), pelo esforço (tem que ousar de vez em quando pra evoluir, lembra?) e, em última instância, pelo fracasso que nós nutrimos nosso banco de idéias (mesmo quando o look não funciona a gente aperfeiçoa nosso olhar pra moda).
Essa relação fica completinha pra quem lê “ninguém tem que ter medo de errar” e “momentinho auto-estima higher” (clica!). E vamos todas evitar o ócio-fashion (que toma forma na nossa preguiça, na não-vontade de experimentar e de se permitir e tals) porque não é assim que o cérebro colhe idéias de estilo. Combinado?!??
Toda etiqueta de roupa traz um número. Esse número até muda de marca pra marca – só na semana passada eu fui 44 no Alexandre Herchcovitch e 40 na Isabela Capeto. O número da etiqueta faz referência a um tamanho… mas tamanho de quem? Do manequim de plásico? Ninguém mediu essas peças na gente pra definir quem veste cada numeração, né? Então não tem motivo pra gente continuar achando que o número das etiquetas das roupas define a nossa magreza ou “gorduchice”. Muito mais importante (de verdade verdadeira) é a peça vestir direitinho, é o tecido cair suave sobre a silhueta (qualquer silhueta!), é a roupa não grudar nem criar aparência ruim pra gente. Bom é se desprender desses números e escolher o que veste mais confortável, mais confiante. Melhor ainda é se desprender ao ponto de começar a experimentar números maiores, mais soltinhos, que podem ficar perfeitos com alguns ajustes – especialmente se o tamanho “certo” só vai ficar certo mesmo depois de um regime, sabe como?!?? O que vem na etiqueta é só um número. Só. E se a gente cortar as etiquetas das peças, aquele número passa a não valer nada – já pensou nisso? A gente tem é que deixar de ser boba e ser mais feliz com roupas – de qualquer tamanho que seja o nosso. ;-)
No sábado passado eu fui fotografar mais uma coluna de moda de rua pra Época SP com Dani Toviansky. A Dani é fotógrafa oficial da Oficina de Estilo desde mointo tempo atrás, foi ela quem fez essa nossa “fotinho oficial” aqui do lado (e mais essas!) e é com ela que a gente fotografa o povo na rua pra revista, todo mês. No sábado ela contou que fotografou o dr. Robert Ray pra um trabalho durante a semana – sabe o dr. 90210, do programa do canal E! de cirurgias plásticas? Pois é, ele. A Dani foi fazer as fotos enquanto ele dava uma entrevista. E ele soltou uma pérola valiosa pra deixar a gente bem pensando em como a gente é boba.
ele tá super se curtindo, tá vendo? ó que sorrisão – quem diz o que é certo e o que é errado?!??
Diz que teve uma hora em que ele perguntou pro povo se alguém sabia porque o número de mulheres que fazem cirurgia plástica é infinitamente maior do que o de homens – alguém sabe? Ele mesmo respondeu: as cirurgias plásticas são mais motivadas por questões ligadas à auto-estima do que à beleza em si. E os caras mais esquisitos, mais doidos e cheios de “imperfeições” (estéticas) quase sempre são confiantes, super se curtem e fazem todo mundo em volta morrer de rir com tiradas e mais. Não é? A gente não, a gente é habituada desde cedo a procurar defeito, a valorizar o que é não é legal, a não deixar passar nada sem reclamar. As bobonas aqui focam no ruim – que nem sempre é ruim assim. VAMOS PARAR NÉ GENTE? Todas nós, tipo agora.
A gente é incrível, todo mundo é incrível, todas nós somsos umas graças e o tempo que a gente vive é o tempo que mais permite a gente pirar com a moda. Todas as vitrines dão chance da gente ser quem a gente quiser, do jeito que a gente quiser. não tem regra, não tem tendência, não tem obrigação nem certo-e-errado. E pode tudo, ninguém cobra nada da gente, não tem punição nem prenda pra quando o look não funciona. A gente só tem que se amar e querer brincar de boneca consigo mesma, em frente ao espelho. Obrigada Dani por dividir esse insight do cirurgião plástico, rendeu um momento aqui. Né? ;-)
Tem coisas no nosso corpo que a gente pode mudar: peso a gente perde fazendo regime, forma a gente “molda” fazendo ginástica, orelha e nariz a gente conserta fazendo plástica e tals. Tem coisas que a gente não pode mudar – proporção, alturas, distâncias, circunferências (algumas). Essas a gente PRECISA aceitar, precisa mesmo gente. Tamos numa época em que a moda não manda na gente, mas a gente manda na moda. E o que veste essa moda é o nosso corpo – portanto, é ele o ponto fundamental de partida pra decidir como a gente quer usar essa moda, disponível pra gente manipular do jeito que quiser. É muito privilégio, a gente tá muito no comando, DEPENDE SÓ DA GENTE: se aceitar é a primeira etapa no caminho de se estudar e fazer o que de melhor tem pra ser feito com roupas, em relação à nossa silhueta. A gente tem que se curtir, do jeito que a gente é (ou está). O ponto não é procurar o que a gente tem de ruim, mas focar no que a gente tem de lindo. Rambora pra frente do espelho, todo mundo, pensar no que dá pra melhorar e no que é assim e pronto. E o que a gente faz com isso tudo, aqui no blog – todo dia! – a gente tenta descobrir junto. Que a temporada de moda brasileira com propostas para o verão 2010 já já começa a acontecer. Estejamos então preparadas! ;-)
Quando perguntam pra ele “como não passar por pobre usando um look simplinho”, ele responde:
“Pra reinventar toda uma “nova-você”, impecável mesmo no look mais simples de todos, não deixe de caprichar na maquiagem e assegure pele e cabelo perfeitos. Isso tem mais impacto que roupas caras.”
Quando perguntam pra ele “como usar os super saltos altos ‘da moda’ e ainda se aguentar fina depois de uns drinks – lembrando que até as modelas caíram em alguns desfiles”, ele responde:
“A vida não deve ser um desfile de moda.”
E completa!:
“Saltos muito altos, na verdade, funcionam melhor em garotas mais altas também – mas os caras odeiam andar por aí com gigantes que os façam se sentir anões.”
Quando perguntam pra ele “como usar uma tendência de passarela se ela gera tantas dúvidas” (tipo isso), ele responde:
“Você pode parecer uma pessoa confusa se você veste coisas sem estar 100% convencida de que isso é perfeito pra você e pra sua vida.”
E mais: quando perguntam pra ele “como manter o glamour em tempos de crise”, ele responde lindamente:
“Esqueça a economia e pense no que é acertado pra você nesse momento da sua vida. Tem um certo tipo de glamour que está terrivelmente datado. Os looks de tapete vermelho preisam ser reinventados – mas já que você não é uma estrela de cinema, o único tapete em que você tem que arrasar é o seu mesmo!”
Eu sei que na prática a estória é bem outra, todo mundo quer ser amado e admirado (até eu), mas ainda fico passada com a quantidade de gente que me pergunta coisas tipo “mas e se eu usar a legging de outra cor e minha perna parecer mais curta?” ou “mas e se esse casaco for arrumado demais pra esse evento?”, “e se isso…?”, “e se aquilo..?”. Gente, qual o problema em experimentar? Mais: qual o problema em “não acertar” de vez em quando? (Levando em consideração que “não acertar” em moda é das coisas mais relativas que existem!)
Todo mundo já passou por isso, com mais ou menos intensidade: se arruma, acredita no look, sai de casa e o universo gonga o visual. Ou porque olham atravessado, ou porque não rola usar aquilo inserido num contexto específico, ou porque não deixou a gente à vontade e tudo em volta reflete desconforto (tem como disfarçar?). Mas gente, e daí? Errou no look, mas perdeu o emprego por conta disso? O namorado terminou tudo? As amigas deixaram de falar com você? Foi atropelada? O cachorro morreu? Não acontece na-da com a gente quando o look é um equívoco, então porque a gente tem tanto medo de experimentar? Medo de errar? Se Katie Grand, editora que é famosona e sabe que vai ser fotografada e tals, experimenta – e ousa, tipo MOINTO, qual é a nossa vergonhinha, pobres mortais não famosas?!?? Eu sei que na prática é bem diferente, mas a gente devia parar de se achar tão importante, parar de pensar que todo mundo se importa com o que a gente usa, experimentar horrores e bancar (mesmo!) as coisas que a gente tem vontade de usar – e ainda se divertir com a coisa toda, e pronto. Devia ser simples assim, não?!??