19.
Mar.
10.
ME SENTI USANDO CROCS!
Sabe isso de que “em viagem a gente se sente mais confortável pra experimentar coisas loucas”? Tipo coisas que a gente não usaria em casa? Pois eu aproveitei o frio que senti na viagem à Portugal pra experimentar botas tipo Ugg. Sabe essas botas com frente super alargada, com cano bem fofucho e recheadas de pêlo (quentinho!) por dentro? Comprei uma (na única cor disponível com a minha numeração), usei e prestei bem atenção no que eu senti. Me senti culpada desde o início (haha!), como se eu tivesse usando crocs-versão-de-frio. E achei que podia dividir essa sensação com todo mundo daqui, pra gente pensar mais juntas!

O princípio é bem o mesmo das crocs: a proposta das Uggs é ser super confortável e quentinha (no caso, as crocs são fresquinhas né), mesmo que a forma do calçado deforme a silhueta humana – ninguém tem um pézão desses naturalmente! E a primeira coisa que eu percebi é que essa “nova forma” que a botona dá pro pé demanda toda uma nova noção de movimentos e de espaço. Eu andava de jeito diferente, com o pé pesado (e a bota é super leve!) e ficava agarrada dentro do táxi na hora de sair. Eu demorava pra subir as escadinhas dos ônibus como se eu fosse uma astronauta e ficava constrangida toda vez que via uma moça de bota de couro, normalzinha, tão confortável quanto eu tava – mas muito mais bonitinha. Mas mais que tudo, e com mais força: eu percebi que ninguém tava neeeem aí pras minhas botas, gigantes ou não.
Ninguém me olhou torto, ninguém virou os olhinhos e ninguém apontou ou fez comentário com a amiga nem nada – não sei vocês, mas quando eu vejo crocs ou patas-de-bode na rua eu faço bem isso daí, quase sem querer. Fiquei pensando que o universo inteiro (fora a gente, “povo da moda”) tem mais o que fazer do que se preocupar com o que qualquer um na rua tá usando. E me senti encorajada a tentar de novo. E usei a bota pelo menos umas três vezes durante a viagem. Procurei balancear o tamanho (ão) da bota com a proporção do resto todo que escolhi usar, resolvi coordenar cores pra harmonizar a atenção que a cor clara da minha Ugg chamava, pensei em como usar tudo isso a meu favor pra equilibrar minha silhueta (com a bota). E fui feliz assim, de verdade.
Mas né, nem faz esse frio todo aqui no BR e nem eu ia querer encarar a experiência “no meu meio”. As moças de Portugal me ensinaram lições valiosas de como se vestir quentinha/confortável no frio e são essas as lições que eu quero exercitar no próximo inverno (com direito a post e tudo!). A bota era confortável, era super quentinha mesmo, mas ficou lá na Europa, de presente pra quem fosse arrumar o quarto do hotel. Muito fácil demais, prefiro exercitar o difícil e crescer em possibilidades. Tipo como seria se eu experimentasse crocs no verão (haha). ;-)








