Carmen Miranda é a cantora brasileira mais conhecida no exterior e também uma das imagens mais fortes que o Brasil já produziu. Tem mais de cem anos que ela nasceu (em Portugal, sabia?), mas até hoje seu estilo marca o imaginário brasileiro pro mundo – com balangandãs, chapéu tutti-frutti, barriga de fora (ousada!) e fendas incríveis nas saionas. No SPFW em que Carmen foi homenageada (edição de inverno 2009), a blogueira-mantonegro Diane Pernet soltou essa: “os estilistas brasileiros deveriam olhar mais para essa maravilha fashion que foi Carmen Miranda e menos pras tendências internacionais”. Certa ela.
De verdade, apesar da acusação de que era muito “americanizada” – tinha gente aqui, naquela época, achando que ela tinha trocado o pais pelos Estados Unidos – a cantora levou a magia colorida dos trópicos por onde passou. Imprimiu cores e brilhos na sua roupa num tempo bem austero, já que o auge da sua carreira coincidiu com a segunda guerra mundial. Diz que o turbante, Read more
Depois de uma semana assintindo a desfiles e ouvindo tanta gente que a gente admira falando qual é a cara da moda brasileira, não dava pra gente não dar nossa opinião. Quer saber?
Como assim ninguém nunca tinha pensado em subverter sobreposições e usar paletós sequinhos por dentro da saia (cinturinha marcada feelings!) ou por baixo da jardineira/macacão? Como assim a gente, AQUI NO BRASIL, nunca tinha pensado em tachas com a nossa cara? Brasileiras, coloridas, anárquicas, quase quase confetes-carnavalescos em forma quadrada, feitos em metal! Mais: vê bem nas fotos as peças feitas com tiras de vários tipos de jeans, unidas (e desunidas!) por zíperes. O fecho dessas peças não existe por sua utilidade, mas como acessório pra propiciar uma nova sensualidade (a mais desfilada pro próximo inverno!): o que se vê entre fendas e recortes (alô zíperes displicentemente abertos!) é mais sensual do que mostrar tudo. Não é?!??
E o colar de pérolas que “nasce” de uma gola/lapela de mentirinha? Quem queria ter a-go-ra levanta a mão! \o/ \o/ \o/
Hoje é dia do aguardado especial Vivian Whiteman! E a super jornalista lembra que a moda brasileira não é SÓ o conjunto dos clichês da brasilidade. Reflexão ultra inteligente pra pensar fora da semana de moda.
Mais gente falou pra nossa câmera (haha!) o que pode ser entendido como moda brasileira. E não é que até a variedade de pontos de vista tem a nossa cara? Vocês tão achando o que, hein?!??
Com vocês, mais uma série de posts: tchãnãnãnãããn… sobre brasilidades. A gente vai investigar com amigos e pessoas inteligentes em moda, aqui nesses dias de Bienal (nessa edição de inverno 2010 de SPFW), o que é a moda brasileira. Quais são seus elementos, o que mais tem a nossa cara, o que é autêntico no nosso universo do vestir. Todo dia, em videozito com pensamentos que despertam a gente pra ter um pensamento próprio – e no útlimo dia a gente conta o que acha. E vocês, o que acham a cara da moda brasileira?
Na última temporada de desfiles das coleções de meia-estação (as resort ou cruise ou pré-outono – ufa!) das marcas de lá de fora, a gente aqui percebeu uma super quantidade de calças justas justíssimas nas passarelas. Daí a gente pensou num movimento natural de moda – depois de tanta “calça do namorado”, de tanta saruel e da onda das calças cenoura, nada mais possível, previsível até.
Mas né, a gente tá aprendendo (aqui no Brasil) que vontade é mais importante que tendência e – finalmente! – tá se exercitando no olhar/aprender com o que a gente tem aqui. E a gente tem calor (mesmo no inverno né!), tem movimento, tem necessidade de conforto e um senso de informalidade incrível. Costanza Pascolato escreveu que a gente tem “vocação espontânea para o casual”. Read more
Nas minhas férias eu conheci um ex-professor do meu irmão. Ele é da Suécia e trabalha com tendência de comportamento, é desses mudérnos que enxerga longe – e bem antes, sabe? No dia eu tava com um vestidinho estampado de cobrinhas coloridas e o Fábio, meu irmão, tava com uma camiseta xadrez. O professor achou super incomum o Fábio usar um padrão gráfico-anguloso… sendo brasileiro! A gente não entendeu e ele explicou que por conta de tudo em volta da gente – do jeitinho, do “suingue” (haha!), da malemolência – a gente intuitivamente escolhe padrões mais arredondados, molenga, sinuosos e orgânicos pro que a gente veste. Como se linhas retas fossem muito “duras” pra tanta energia, tanta dança, tanto movimento. Faz sentido ou não?!?? ;-)
Delícia ver imagens de moda que rendem mil idéias, tudo de uma vez só, viu. Assim foi com a coleção resort do Phillip Lim – que nem é nova mas que grudou nas cabecinhas-pensantes dessa Oficina. Porque né, em tempo de enxurrada de imagens e discurso do vazio – moda pela moda não vale!!! – é de fazer feliz mesmo que seja possível tirar nossos looks do óbvio só com informação, com sacadas, com inteligência… tudo tão ao nosso alcance. Vejamos (haha!):
O melhor jeito de usar peças super artesanais, tipo as camisetas de renda renascença que todo mundo traz de Recife (do nordeste né?), é misturar com peças nada nada artesanais – pelo contrário: super “urbanas”. Tipo alfaiataria, tipo estampas digitais, tecidos “tecnológicos”, acessórios modernosos, sobreposições da hora. A power arquiteta Lina Bo Bardi usava treliça e palhoça misturadas com concreto nos seus projetos – sabe como? Ela dizia que “o grande design só Read more