Ontem a gente encontrou com alguém que trabalha muito perto da organização do Rio Summer, evento que aconteceu no Rio duas semanas na semana passada. Diz que eles consideram um super erro ter marcado um evento que quer vender pra essa época, quando os compradores mais importantes do mundo já finalizaram suas compras de verão. E diz que pro ano que vem – o evento já está fechado e todo pago pra próxima edição – tem novas datas/novas épocas sendo estudadas como possibilidade. Vitor Ângelo, que faz o (excelente) blog Dus Infernus, ensina a gente que criticar é uma forma de crescer, e que crítica fundamentada é essencial pra que tudo se desenvolva e melhore. É dele o melhor texto sobre o Rio Summer que a gente leu até agora, e dele também vêm os links desse post de fim de semana. Tem que ler, tem que pensar e ajudar a questionar, pra que – aí sim – todo mundo em volta ganhe com isso. =)

• Vitor diz no texto que “se moda é imagem, o mais lamentável do Claro Rio Summer não foi não apresentar moda, mas sim fazer um retrocesso da imagem do país pra inglês ver, confirmando a farseta para todos eles a ponto de todos estrangeiros declararem que era isso mesmo que esperavam do Brasil.” Tem que ler o texto todo, e tem que ver a galeria de imagens que o Style.com postou – que ilustra direitinho isso daí (vixe).
• Jorge Wakabara, do portal da Abril (e de tantos outros endereços na internê!) entrevistou os principais jornalistas convidados para o Rio Summer e no fim pensou (alto) que “o que dá para captar depois de todas as respostas: o lifestyle está sendo vendido, muito bem, obrigado. A moda… Samba sem teleco-teco não é samba, evento de moda sem moda… não é evento de moda.” O texto completo tá aqui. Vixe parte II.
• Alcino Leite Neto, nosso muso-mor do jornalismo de moda, escreveu textão para a Folha de SP questionando: “bem organizado (para uma edição inicial), o evento, no entanto, só pôde oferecer desta vez marcas imaturas, coleções precárias ou grifes que fizeram simples desdobramentos de suas exibições anteriores (…). Para ter um futuro relevante, o Rio Summer precisa lançar o desafio comercial e criativo do alto verão não só para grifes amigas da organização, mas também para os principais designers brasileiros.” O texto completo pode ser lido por quem assina UOL ou Folha, nesse link. Alcino faz, junto com a Vivian Whiteman, o blog Última Moda – tipo a parte mais educativa de to-da a blogolândia fashion do BR.
• Sobrou crítica até pro Sartorialist, que achou (até agora) muito pouca gente inspiradora nas suas postagens do Rio, e aproveitou pra encher espaço de blog com quiosque, com pombinhos, com Natalia Vodianova (a modela que pegou praia durante o evento no Rio) e mais. Quem falou melhor foi Katylene, no Katylene.com (ELA VOLTOU MINHA GENTE!).

• E Carol Vasone (outra musa!) completou as idéias de todo mundo que ressaltou a falta de moda e de imagem de moda no evento como principal foco ruim, em entrevistas com gente importante convidada para o evento: “para o jornalista inglês Godfrey Deeny, a estrutura (do evento) é impressionante, assim como o tratamento dado aos compradores e imprensa estrangeiros, hospedados no Fasano, com agenda de festas luxuosas todas as noites. “Mas não senti que o que vimos foi o melhor da moda brasileira”, afirma o jornalista”. Tá tudo no blog dela no UOL, alimentado durante o evento. E bola pra frente.
O post das top jornalistas de moda internacionais rendeu aula até nos comentários, todo mundo viu? Pois nesse post aqui a gente vai listar os profissionais daqui do BR que mais valem a leitura: nossos colaboradores estrelados Ricardo Oliveros, Maria Prata, Vitor Ângelo, Sylvain Justum e Luigi Torre contam quem eles lêem e porque.E as colaborações continuam nos comentários daqui, né? =)

Nossa preferida é a Regina Guerreiro, que hoje escreve na Caras e que duas vezes por ano edita o especial Caras Moda (que a gente coleciona aqui, juro!). Porque conta como ninguém, em cinco linhas, o que a gente precisa saber de uma coleção – e ainda faz a gente rir. Ela passa a idéia mais importante, localiza a gente na história e no trabalho do estilista e edita fotos que completam a informação. Oliveros escreveu que “ela é precursora do texto ágil, bem humorado e ácido dentro da moda” e ainda contou que ela ensinou pra ele a importância de ir ao backstage de um desfile pra conhecer de perto, na vida real, a roupa apresentada pelo estilista. Oliveros deu uma aula sobre ela e o Vitor Ângelo completou, tudo aqui.
A Lílian Pacce é a que a gente considera a mais didática e o jeito como o GNT Fashion é feito é super mega acessível, todo mundo aprende (e se encanta, que ela faz caaaada matéria!). Ela é um poço de informação fashion e de bom senso em relação à moda e ao meio. O Sylvain trabalha com ela e conta: “ela apura a informação minuciosamente, estuda e lê constantemente de tudo; já viveu experiências incríveis, aqui e lá fora, o que muitas vezes é até mais importante do que a parte técnica da coisa”. Vitor Ângelo, que trabalhou mointo com ela tempos atrás, acrescenta que o livro ‘Pelo mundo da moda’ é imperdível. Tem aqui tudo mais que eles disseram sobre a Lílian Pacce – que logo logo vai ter endereço na internet, sabia? Tamos ansiosas.
E a Erika Palomino tem papel importante no jornalismo de moda brasileiro por ter sido pioneira em textos de moda na internet no BR e a primeira responsável pela coluna de moda da Folha de SP. Mas Alcino Leite Neto, que hoje responde por essa coluna, tá mais no nosso top favoritos que ela (mil vezes mais!). Vitor Ângelo, que colabora com ele na revista Moda (trimestral e imperdível, do mesmo jornal, que tem Camila Yahn também de editora), tem a palavra: “intelectual, culto, bem humorado, zeloso e respeitoso em relação ao passado de moda do país, Alcino é sem dúvida leitura obrigatória todas as sextas na Ilustrada, caderno da Folha de São Paulo”. Tem mais do Alcino aqui.

A gente também ama a Alexandra Farah: ela é rápida, jovem, tecnológica e divertida. Consegue contextualizar tudo da moda com o mundo pop que ela ama, tem uma visão incrível de consumidora e o Luigi conta mais aqui. Desde a semana passada ela não faz mais a coluna semanal no Glamurama (a gente era viciada!) e diz que passa a escrever bem mais no Filme Fashion (ainda bem!).
Outra top preferida da Oficina, e mais ou menos da mesma geração que a Alexandra, é a Maria Prata. A gente ama a visão otimista e pra frente da Maria. As matérias dela na Vogue, onde ela é editora, são super inteligentes e completinhas, de referências e de contexto, e o blog dela tá na lista dos primeiros que a gente lê toda manhã. O Sylvain completa: “sem afetações exageradas, ela não tem vergonha de admitir fraquezas e ansiedades de uma pessoa da idade dela em tão importante cargo, ao mesmo tempo que demonstra cada dia mais conhecimento da causa e uma análise crítica que pouca gente tem.
Na internet ninguém é mais rápida e completa e atenta que a Carol Vazone, um amoooor de menina (a gente é fã declarada) que comanda a página de moda do UOL. Oliveros conta que ela resolveu sozinha ir pra Paris pra cobrir a semana de moda, várias vezes e por conta própria, e que pelo esforço e pelo trabalho hoje tem acesso a vários desfiles. E o Vitor continua: “texto independente, explicativo, cheio de idéias, com rapidez e concisão, fazem dela uma das principais jornalistas online do país”.

O Vitor escreveu super bem sobre o contexto em que esses jornalistas trabalham – e os considera “desbravadores”: “o pensamento crítico de moda no Brasil é muito recente e a formação de uma corrente crítica de moda passa por diversos problemas: o papel de periferia de idéias em que o país ainda se reconhece, o colonialismo cultural, a produção muito recente de semanas de moda etc etc etc”. E os profissionais de que a gente falou no post, junto com o Lula Rodrigues, a Denise Dahdah, a Renata Piza, a Iesa Rodrigues, a Costanza (que não é jornalista mas escreve na Vogue os textos mais incríveis do mundo), são referência pra toda uma geração que a gente também lê: o Luigi, o Glauco, o Jorge e a Laura estão num caminho super bom (a gente acha).
Pra completar, tem cursos de jornalismo de moda com Alexandra Farah e com Maria Prata, os dois na Escola SP. A Maria tá fazendo promoção no blog dela (ganha 50% de desconto, tá bom?) e dá aqui, de graça, uma dica valiosa pra gente aprender ainda mais com esses textos: “eu gosto muito, também, de ler a crítica de um jornalista, depois a de outro, sobre um mesmo desfile, e ficar comparando o olhar de cada um. Outra aula para aprender que não existe, mesmo, “certo e errado” na moda. É tudo uma questão de pontos de vista. Ainda bem.”
Na Vejinha SP desse fim de semana tem matéria com a Costanza Pascolato, a Emanuela Carvalho e com Tatiana Putti dando dicas de como aproveitar melhor a temporada de liquidações. Tem as dicas de sempre – sempre valiosas! – e tem umas que a gente super não usa e ensina ao contrário. Que todo mundo tem mesmo que pensar que às vezes as lojas não aceitam trocas em liquidações e que a modelagem tem que ficar incrível, que não vale levar só proque tá bem baratinho. Foco também é sempre bom: sair de casa com “necessidades e vontades” em mente adianta um tanto na hora de rejeitar impulsos!

Mas a gente não concorda com a sugestão de se aproveitar liquidações pra investir no básico, no que já é “peça campeã de uso” nos nossos guarda-roupas. A gente acha que o que é de uso mais constante, o que serve de base pro estilo, vale o investimento: a gente tem que procurar a melhor qualidade que se pode ter pra essas peças que a gente usa mais. Uma super calça alfaiataria, uma camisa branca incrível, um cashmere que vai durar uma vida, um vestido mega versátil… assim.

E o contrário super vale: a gente acha o máximo aproveitar as liquidações pra inserir no guarda-roupa peças que a gente normalmente não arriscaria ter, mas que podem fazer a diferença no look; tipo peças em cores que a gente não costuma comprar, modelagens mais ousadas, acessórios diferentes… A Carol Vasone do UOLmoda concorda com a gente (fiiiinas!): “o segredo é saber quão longo será o “prazo de validade fashion” de cada item em promoção, e aproveitar a liquidação não para se transformar numa “mulher atemporal”, mas para, com as peças certas, incrementar seu guarda-roupa e deixar suas produções mais fashion e charmosas.” E aí?!??
… o que li de mais interessante sobre acontecimentos de uma época que impactam sobre o nosso jeito de vestir foi uma matéria da Carol Vasone na edição número 19 da revistinha Moda da Folha de São Paulo (de 31 de outubro). Ela fala sobre a relação entre o aquecimento global e a diminuição considerável no comprimento de saias, vestidos, bermudas e shorts. “Tecidos levíssimos, modelagens confortáveis e generosos pedaços de corpo à mostra são algumas das estratégias da indústria do vestuário para driblar o calor provocado pelo fenômeno mundial que além de derreter geleiras ao extremo Norte do planeta e esquentar o clima do globo, vem ditando mudanças consideráveis na moda”.
Quem já assistiu “An Inconvenient Truth” do Al Gore sabe do que eu estou falando… quem viu os desfiles das últimas temporadas internacionais também!!! Não deve ser mera coincidência a Prada desfilar nano-saias no ano em que o hemisfério norte atingiu temperaturas tão altas no verão que a Suécia parecia a África. E aqui pelos trópicos? O fenômeno “macaquinho” desse verão não pode ser ignorado e já faz um tempinho que as marcas brasileiras têm produzido coleções de inverno beeeem mais leves, certo!?! Pra driblar as mudanças climáticas loucas que temos vivido algumas marcas comerciais têm produzido novas peças semanalmente, de acordo com a temperatura e até serviços de meteorologia são contratados. Na Europa não é diferente: “muitas lojas recebem estoque de novas mercadorias de poucas em poucas semanas”, disse Barbara Kennington, editora-chefe do WGSN.

Então se a gente não fizer nada pelo nosso planeta vamos acabar voltando às origens, andando apenas com folhas como Adão e Eva! E fazer o que com um monte de roupa bacana que a gente compra? Será que acabei de achar (mais) um bom motivo pra reciclar lixo e economizar água? Acho que só o fato dos nossos futuros netos poderem conhecer o mundo deveria bastar, né!?!