OESTUDIO propõe: fashion`z olhos! O trocadilho fonético é espertinho, mas se fechássemos nossos olhos como nos foi pedido, não teríamos visto uma bela coleção. Indagando (nos) sobre a ‘cegueira social’ a que estamos – todos – submetidos (ou infectados, sei lá), a equipe de criação da marca acertou em muitos detalhes e fez roupa pensada, sim, mas com cara de roupa também para ser usada, com cara de loja, com cara de arara e com consciência comercial – o que é muito, muito bom.
Ok, o tema pode ser meio cabeçudo (embora pertinente, isso é fato), mas o enredo da história é sempre coadjuvante em relação a como cada história é contada. OESTUDIO transformou um papo pesado em sacadas inteligentes pra gente levar pra dentro de casa, pra dentro de nossos guarda-roupas. Questionando a simetria das coisas, a frente das camisas foi parar nas costas, golas viraram ganchos (quase sarouéis, para eles) e mangas viraram pernas (para eles e para elas). Nada super revolucionário? Não, mas esperto. Zíperes dividiram as roupas ao meio, tanto na vertical quanto na horizontal, do mesmo jeito que cada modelo esperava em frente ao pitt de fotógrafos, de costas, pelo outro que vinha, até que ambos estivessem, frente e costas (ou direito e avesso, claro e escuro, cegueira e visão…), em paralelo para a câmera. Por se tratar da cegueira, as estampas deixaram de ser o foco e algumas texturas assumiram seu lugar, como pequenas bolinhas envoltas no tecido – já sugerindo, também, formas e volumes `a roupa. O vestido de plush azul é uma delicía (pra ser herança também para o guarda-roupa de verão), assim como o preto com capuz. O moletom apareceu em traje completo para eles e, tendo sido super utilizado pela Osklen, tendo aparecido em Fabia Bercsek e tendo sido falado por Ale Farah, promete-se como uma forte tendência (mas quando utilizado em modelagens inusitadas e não como a gente está acostumado a vê-los, em calças com elástico no cós e nas barras).
Esse é um post “eu queria que a H&M viesse pro Brasil ou que as nossas lojas-magazines fizesse parcerias assim” parte II. Tão aqui as primeiras provinhas da coleção de Rei Kawakubo/Comme des Garçons pra H&M, via blog Fashionista. E lá tem mais info: diz que é quase tudo preto, que tem mil paletozinhos desestruturados e desconstruídos, que tem calças curtas, shorts larguinhos tipo alfaiataria e toda sorte de saias em algodão com strech. Mas não acabou. Tem também tricôs (em lã merino, fina tipo cashmere) com bolinhas e camisetas super coloridas (algumas com bolas também) e a peça-bafo da mini-coleção, que é um vestido-casaco cheio de babados tipo vitorianos – tem mais fotos aqui. Não sei vocês, mas eu gastaria dinheirinho com essa coleção, juro.
Diz que vai ter perfume também (unissex, ó que legal) e que tem mais info dessa coleção na revista W de setembro. Tudo isso no mesmo dia em que deu no About Fashion que tem boatos de uma coleção do Alexander McQueen pra Target – também barateenha, tipo H&M. Ô invejinha de quem tá por perto.
• Inveja muita inveja de quem tem H&M por perto: diz aqui que a marca da estilista Rei Kawakubo, Comme des Garçons, vai fazer mini-coleção pra lojona. E já tem aqui a previsão de como vai ser o lançamento. Inveja master.
• Lembra da calça jeans cheia de caveirinhas de cristais, feita pelo artista Damien Hirst em parceria com a Levi’s? A calça é parte de toda uma coleção feita por ele, interpretando a obra de Andy Warhol. Diz que tá exposta em Los Angeles, que pode ser itinerante (eita!): não ia ser legal ver de perto?
• Desdobramento de coleção conceitual pra comercial na nossa frente! Que a Balenciaga desfilou isso e agora vende isso – super legal ver as formas e estampas em versão pra vida real! =)
• A gente tá se divertindo com o site Go Fug Yourself! Sabe os sites de celebrities que a gente adora ver, com looks de premiações e mais? Pois o GFY junta todos os looks mais feiosos, os que mais deram errado, e mostram pra gente em sequência. É maldade mas diverte meishmo.
• Roupa de Fashion Week na sua casa: a estilista Fernanda Yamamoto, que mostrou sua primeira coleção no último Fashion Rio (que foi super elogiada) tá vendendo tudo pelo flickr, pra todo lugar – dá vontade de ter bolerinhos e casacos pra agora!
Foi o dia mais animado até agora! O Hugo Scott é gato mesmo (e por milagre não é gay!!!!) e contou do seu trabalho nessa loja chamada Dover Street Market, em que trabalhou junto com a Rei Kawakubo, estilista da marca Comme des Garçons. Esse é um projeto super legal, de “loja com lojas dentro” e vários estilistas e trabalhos diferentes num mesmo lugar – no caso um power galpão em Londres. Vale a pena ler mais pra saber como funciona e vale passar no site pra ver as fotos incríveis de lá (a gente viu tudo no telão da sala de cinema onde as palestras acontecem: essa parte é o máximo, né?) – dá pra ler mais no site do Pense Moda (que já já aparece todo arrumadinho – pelo menos a gente torce!) ou aqui. O moço ainda contou da experiência de trabalhar com o Marc Jacobs e no fim deu falsas esperanças de que eles podem abrir uma loja própria aqui no Brasil – a gente torce, mas não leva muita fé…
Depois do Hugo Scott teve mesa de debate entre top fotógrafos de moda e foi o máximo. No texto do Pense Moda a gente dividiu a conversa toda em tópicos pra facilitar – porque eles falaram muito mesmo, porque teve muita participação de editores e jornalistas e outros fotógrafos da platéia e porque tem muita muita muita informação bacana. Teve muita opinião sobre referências-cópias de editoriais feitos fora do BR, teve opinião sobre jovens fotógrafos em início de carreira, sobre identidade brasileira e mais. A gente super tem certeza de que, assim que passar a correria, essa conversa ainda vai render mais mil posts aqui. De novo, enquanto no site oficial do Pense Moda os textos não sobem arrumadinhos (dedos cruzados junto com a gente, cats!), tem o texto todo aqui pra todo mundo pensar e aprender junto com a gente. =)
Aqui no vídeo tem o fotógrafo Daniel Klajmic questionando se tá todo mundo preparado pra entender e gostar de imagens diferentes das que nos aconstumamos a ver nas revistas de moda daqui – baaafo! E aqui tem Mario Daloia (outro fotógrafo) resumindo diretchinho o que é ‘fotografia com identidade brasileira’. E tem mais videozinhos do seminário aqui no nosso canal no YouTube. Quer ver?!??