A gente vive nos guarda-roupas das clientes, e ninguém imagina o tanto de gente que acumula zilhões de coisas que nunca usa! O que de mais frequente a gente ouve são coisas tipo “eu tenho isso tudo mas só uso essas duas calças e essas três blusas”. E sério, ninguém precisa de tanto na vida (eu e a Cris temos 3 portas de guarda-roupa, e só!). Quando a gente tem poucas peças, mas super coordenáveis, a gente usa tudo MUITO, não repete (porque combina tudo com tudo, de jeitos diferentes) e usa até acabar – peças que ficam tempos e tempos guardadas sem usar estragam mais rápido do que as que a gente usa muito, sabia?

presta atenção que só um pé de cada sapato aparece nessa foto: essa fofa tem O DOBRO dessa quantidade fotografada – não tem como usar tudo numa vida inteira!
E se a gente pensar que o que a gente mais faz na vida é trabalhar (tipo 8 horas por dia, 5 dias por semana), faz balada umas 2 ou 3 vezes (também por semana), usa roupa confortável e mais desencanada nos fins de semana e tem uns 4 casamentos (ou festonas tipo isso) num ano inteiro, dá pra fazer a equivalência no guarda-roupa. Tipo: o que a gente mais tem que ter é roupa de trabalhar, depois em menor quantidade roupa confortável de fim de semana, depois um tantinho de roupa de balada e menos de tudo, vestidóns e roupas super elegantes. Assim a gente consegue enxergar tudo que tem e nunca fica sem opção, porque tem quantidades certinhas destinadas pra cada parte da vida.
Também dá pra pensar assim na hora de investir: se a gente usa mais que tudo a roupa de trabalho e só poucas vezes por ano vestidos de festonas, vale mais investir uma quantidade bacana de $$$ em roupa de todo dia e menos em super vestidos. E vale super a pena investir em peças confortáveis, que deixem a gente à vontade E bonitinhas nos fins de semana – geralmente a gente usa tudo velho nesses momentinhos mais relax e gasta tudo em blusas com brilho pra balada, né?!??
Isso mesmo… vamos pensar antes de comprar!!! No lixo.com.br essa bandeira foi levantada uma vez que 40% do que compramos é lixo (entre embalagens e resíduos) e lá os 3 Rs da sustentabilidade estão super bem explicados: Reduzir o desperdício, Reutilizar sempre que for possível antes de jogar fora e Reciclar.
E como uma boa personal stylist quando penso em comprar eu penso em roupa (e bolsa, e sapato…) e parei pra refletir um pouquinho em como posso aplicar a compra consciente e os 3 Rs na hora de me jogar na Oscar Freire… Roupas não trazem tantas embalagens e sacolas de lojas sempre são super usadas pra carregar coisa pra lá e pra cá, certo!?! Mas podemos recusar papel de seda, caixa de sapato e reduzir o número de sacolas colocando todas as compras em apenas uma ou duas… e a grande maioria é de papel ou plástico, ambos materiais recicláveis. Será que já existem sacolas de papel reciclado? Será que alguma marca já usa?
Mas pra mim a parte mais legal é pensar em maneiras de reduzir o desperdício e de reutilizar… Diz que Carolina Ferraz vai fazer um bazar com roupas tiradas do seu guarda-roupa, só pra convidados e com renda revertida pra ala infantil do Hospital do Câncer do Rio. São mais de 100 peças de marcas como Prada, Gucci e Armani… que delícia!!!! As convidadas vão se divertir muito, com certeza… o difícil deve ser caber dentro dessas roupas, né!?! Adorei a iniciativa…
A Oficina de Estilo já fez duas vezes o Sacolão de Estilo, evento em que clientes vendem as suas roupas que já não usam tanto (em ótimo estado, lógico) pra outras clientes que estão doidas por roupas novas com precinho bom. E preparem-se porque a terceira edição deve acontecer logo, logo…

Transformar “roupas velhas” em “roupas novas” é reduzir desperdício e reutilizar antes de jogar fora, certo!?!
Hoje foi o último dia de desfiles da alta costura em Paris, e, por mais que não exista energia pra prestar atenção em mais nada que não seja SPFW, o que Martin Margiela apresentou coisas incríveis e super relacionadas com o nosso evento aqui.
As roupas (roupas???) que o estilista belga mostrou eram feitas de materiais diversos, reutilizados. Teve paletó de mala de viagem e vestidos confeccionados com lenços antigos e com 3 telas pintadas à óleo. Tudo vinha com etiquetas que indicavam quanto tempo foi gasto na elaboração/desenvolvimento de cada peça e com o preço.

vestido de lenços antigos e pregueado à mão: 75 horas de feitio, 7475 euros
paletó de malas de viagem: 53 horas de feitio, 5530 euros
vestido de telas à óleo: 35 horas de feitio, 3744 euros
Pra qualquer coisa ser sustentável é preciso ser ecologicamente correto, economicamente viável, socialmente justo e culturalmente aceito. (Se a gente considerar que um vestido de alta-costura pode custar US$ 80.000, a coleção do MM ainda é bem barata!)
Acho que essa é a primeira versão sustentável para a alta-costura, não?
(Mais aqui e aqui)
O style preparou um guia earth-friendly pra fazer compras pra próxima estação sem deicar pra trás a mega-tendência (!!!!!) sustentabilidade e afins. Tem vestido de tecido orgânico, peças com aplicações de bambu e outros materiais naturais e até jóias de concha!
Podia rolar uma versão brasileira, aproveitando toda a onda, né?

Eu estou em clima de lavagem cerebral desde que assisti anteontem o filme do Al Gore, An Incovenient Truth, que explica tudo que acontece agora no planeta em relação ao aquecimento global e quais vão ser as consequências se a coisa toda não retroceder (tem toda uma lista de responsabilidades pra gente assumir e ajudar!). Eu tô super animada pra fazer a minha parte… e que delícia saber (via Updaters!) que tem um jeito de ser shopaholic e ainda ajudar! (vide notinha enviada por e-mail pelo meu irmão)

Mas sério, a gente super acha que isso de conscientização ambiental e aquecimento global ainda vai render mointo esse ano – e como moda é o figurino da história a gente tem ficar de olho, né? A Alexandra Farah já falou antes e repetiu na coluna dessa semana. A Vanity Fair fez uma “green issue” em maio passado pra chamar atenção da massa para ‘ecological concerns’ (e diz que essa foi a primeira, vão fazer outras green issues). A Osklen faz peças com tecidos reciclados e estampadas com “pontos importantes da luta mundial pela defesa do meio ambiente”, numa iniciativa que chama e-brigade.
A Aninha Strumpf da Garimpo/Fuxique já tá super fazendo a parte dela, em conjunto com a ong do irmão dela chamada the green initiative: eles têm um jeito de calcular a quantidade de gases poluentes emitidos por todas as nossas atividades e sugerem um certo número de árvores que devem ser plantadas pra neutralizar os efeitos (danos!) desses gases na natureza. No in vitro da ag 407 tem link pro worldchanging, site que promove uma conversa bem inteligente sobre tecnologias de reciclagem, hábitos de consumo, usos e costumes que podem garantir um futuro melhor pro mundo – e usos e costumes são assunto essencialmente nosso, não são?

“fugir pro espaço não é uma opção viável”
Dona Anna Wintour já falou que a moda “responde” a movimentos e moods. A Stella McCartney há tempos não usa couro natural em nada que faz, Ronaldo Fraga não usa tingimentos químicos desde 2001 e tem um tanto de gente atrás de cooperativas de produção de algodão orgânicos e de aviamentos e acabamentos recicláveis – a gente deve ouvir falar mais disso com o início das semanas de moda do RJ e de SP. “Tendência” garantida pra passarelas e discussões: futurismo mesmo vai ser produzir moda ecologicamente responsável (citando o Luigi de novo).
… o que li de mais interessante sobre acontecimentos de uma época que impactam sobre o nosso jeito de vestir foi uma matéria da Carol Vasone na edição número 19 da revistinha Moda da Folha de São Paulo (de 31 de outubro). Ela fala sobre a relação entre o aquecimento global e a diminuição considerável no comprimento de saias, vestidos, bermudas e shorts. “Tecidos levíssimos, modelagens confortáveis e generosos pedaços de corpo à mostra são algumas das estratégias da indústria do vestuário para driblar o calor provocado pelo fenômeno mundial que além de derreter geleiras ao extremo Norte do planeta e esquentar o clima do globo, vem ditando mudanças consideráveis na moda”.
Quem já assistiu “An Inconvenient Truth” do Al Gore sabe do que eu estou falando… quem viu os desfiles das últimas temporadas internacionais também!!! Não deve ser mera coincidência a Prada desfilar nano-saias no ano em que o hemisfério norte atingiu temperaturas tão altas no verão que a Suécia parecia a África. E aqui pelos trópicos? O fenômeno “macaquinho” desse verão não pode ser ignorado e já faz um tempinho que as marcas brasileiras têm produzido coleções de inverno beeeem mais leves, certo!?! Pra driblar as mudanças climáticas loucas que temos vivido algumas marcas comerciais têm produzido novas peças semanalmente, de acordo com a temperatura e até serviços de meteorologia são contratados. Na Europa não é diferente: “muitas lojas recebem estoque de novas mercadorias de poucas em poucas semanas”, disse Barbara Kennington, editora-chefe do WGSN.

Então se a gente não fizer nada pelo nosso planeta vamos acabar voltando às origens, andando apenas com folhas como Adão e Eva! E fazer o que com um monte de roupa bacana que a gente compra? Será que acabei de achar (mais) um bom motivo pra reciclar lixo e economizar água? Acho que só o fato dos nossos futuros netos poderem conhecer o mundo deveria bastar, né!?!