Na edição de janeiro passado do SPFW a gente viu um monte de coleções desfilarem roupas com o efeito trompe l’oeil. Esse ‘efeito’ acontece quando, por meio de estampa ou aplicações ou modelagem, a roupa parece uma coisa mas é outra. Tipo brincadeira de enganar: os estilistas criam perspectivas com elementos de design pra criar interessância instantânea nas roupas – vale com pesponto, com tachas, com costuras, com cores e mais. Legal é perceber a riqueza de intelecto que uns trompe l’oeils podem carregar – olha isso aqui embaixo!!! – e, mais legal ainda, é se permitir “decifrar” os enigmas propostos por quem pensou a roupa. Bom de usar quando a gente não tá muito certa da gente mesma, do nosso humor, do mundo em volta, do trabalho, do coração… sabe como? Tipo me engana que eu gostcho! ;-)

Faz todo sentido pensar que o tromp l’oeil povoou coleções feitas nesse ano de incerteza econômica e de questionamentos sobre a frivolidade/importância da moda! Tipo, se a vida real tá difícil, vamos embarcar numa onda de fantasia e inventar – ou mesmo “se a gente não tem dinheiro pra riquezas, vamos estampar pedras preciosas no algodão”! Aqui embaixo tem galeria com imagens de looks e produtos, nacionais e internacionais, pra gente se embalar nessa onda de “te peguei” e brincar também. Que moda, no fim, é pra fazer sorrir né gente?!??
Mas não desse jeito que o título fez parecer (sem querer!): a marca italiana quer apresentar suas coleções de maneiras alternativas e mais criativas. Há tempos o povo da moda tá prestando atenção no mundo em volta pra perceber que existem jeitos legais de se mostrar uma coleção – e de se firmar imagem de marca – sem entediar o comprador/a imprensa. Gareth Pugh fez filminho, Viktor & Rolf fizeram instalação e mais. Diz que Angela Missoni, diretora criativa da marca que seus avós fundaram, pensa o tempo todo numa alternativa “menos fria e distante” de desfilar suas criações, e que até 2010 quer definir esse novo caminho pra Missoni. E disse também que empregar Gisele – oi, Colcci? – ou Naomi é uma bobagem (tipo isso, tradução livre) e que prefere convocar meninas novas e desconhecidas pra mostrar a roupa, pra que o foco seja esse mesmo – a roupa, e não o “espetáculo”. Melhor de tudo: a entrevista ao Telegraph (de onde veio toda essa info) termina com Angela dizendo que quer muito fazer alguma coisa com a H&M, por acreditar que esse é um jeito poderoso de alcançar meninas mais jovens hoje. Muita inteligência-fashion junta, não?!??

tamos aguardando as cenas dos próximos capítulos ;-)
Tendência agora é pisar bem o pezinho no chão, aceitar o próprio repertório e trabalhar da melhor forma possível com o que se tem. Vale pra tudo nessa vida – especialmente pro mercado de moda, pra nossa moda em frente ao espelho e pra auto-estima de cada uma de nós. ;-)
Mais:
Desfile conceito x moda comercial
Sobre roupas e imagens de moda
A gente ainda não cansou de fashion shows
As semanas de moda do mundo
A power jornalista de moda Cathy Horyn escreveu hoje no seu blog (dentro do site do NY Times) um post sobre a inauguração da TopShop em NY. A TopShop é a super loja de departamentos que tem uma linha de roupas feita em parceria com a Kate Moss – meio tipo Zara, meio tipo H&M. Oferece modinha fácil, bacanérrima de descolada, e principal: barateenha. A coluna da Cathy Horyn é o máximo não porque conta da inauguração, mas porque mostra motivos pra essa abertura de loja ser super importante como idéia mesmo. Não só pra quem tá lá, mas pra todo mundo que gosta de moda.

O texto chama atenção pra estória da crise do mundo, tão falada pela gente (mesmo em moda). CH diz que todo mundo conhece alguém que já está sendo afetado por essa crise; mas que, mesmo antes de qualquer dificuldade mundial, ninguém vive um universo de não-crise. Poucas de nós podem comprar tudo que querem, do jeito que querem (em moda), não é? A falação sobre “o fim dos excessos” não tem tanto lugar no meio de um público que nunca – nem antes de qualquer crise – viveu de excessos. CH começa a se perguntar pra quem a mídia tá fazendo esse discurso, pra que público. Mais: ela segue dizendo que esse “ajuste de discurso” é o que pode salvar revistas e comércio em tempos futuros: tipo se as pessoas estão tendo tanta cautela ao escolher o que vão usar, elas também vão ficar exigentes em relação ao que lêem e ao que compram. Tipo a equção do futuro vai ser tratar da vida real sem trivializar os problemas econômicos do mundo e ao mesmo tempo não deixar ninguém esquecer que moda é um prazer. Certa ela, não?
Dona Cathy emenda dizendo que marcas de moda precisam pensar em preços bacanas e atrativos extra pra fazer o povo querer entrar nas lojas. Ela diz que a coisa toda da crise é uma oportunidade de criatividade nesse sentido – por isso a gente fica feliz de participar, de algum jeito, de iniciativas daqui de perto da gente de agregar valor extra (e serviço!) aos produtos das loja que chamam a Oficina de Estilo pra trabalhar – seja em lançamentos, em eventos de informação, em tardes nas lojas e mais.
Daí pra parte da TopShop: ela foi à inauguração e contou que tá tudo certo com eles lá, e que eles vão fazer muitos outros designers prestarem atenção nessas coisas – nada mais vida real que isso. Lá o ambiente é bacana (diz ela), as peças são desejáveis (ela quis comprar 12 coisas!) e os preços são tudo de bom – diz que tudo que ela cobiçou custava menos de 150 conto. Agora, custa isso refletir aqui no BR de um jeito bom? A gente não podia ter também lojas de departamentos que fossem tão legais que competissem com os estilistas que mais fazem mídia? Não ia er um sonho ter equivalentes brasileiros da TopShop?
Aqui tem o post de dona Cathy na íntegra e em inglês, e aqui tem um super tour por essa TopShop de NY, pra gente invejar as sortudas de lá – e as que tão de viagem marcada!
Diz que, em tempos de crise, estão em alta o “luxo discreto”, tecidos/materiais sensuais, investimentos com prazo de validade bem longo (clássicos!), qualidade no lugar de quantidade e peças antiguinhas, vintage mesmo. Eu li isso daí num texto ótemo da Bazzar da Sarah Jessica Parker na capa. E mais: a repórter que escreveu o texto diz que, mais importante de tudo, é ter “itens que façam a gente se sentir bem” (que ela chama de ‘feel good items’). Faz super sentido, e pode fazer a gente pensar – e escolher melhor!

reflexo de gente autêntica é mais bonito – e mais confortável! ;-)
Luxo discreto é lei porque ostentar é uó mesmo. Materiais sensuais são essenciais porque namorar é de graça (bom pra crise, rá!) – não é coincidência que todas as últimas imagens projetadas em semanas de moda são muito MUITO femininas, mesmo quando fortes. Investimentos bons e a escolha da qualidade a gente aqui acha que é uma coisa natural, o nosso tempo é o da abundância da informação de moda e todo mundo tá comprando melhor mesmo, de maneira geral (não éam?). E tem mesmo esse “revival” de vintage, todo mundo curioso em relação a brechós e a camisetas antigas e mais: meio uma idéia de reutilização, de reciclagem, de economia (mesmo que furada).
Agora, esses “ítens de fazer sentir bem” são a sacada do milênio! Em tempo de dificuldade – em qualquer tempo, né, gente – o maior benefício que se pode ter na moda é… segurança! Difícil se sentir segura em frente ao espelho tentando ser outra pessoa, ou querendo ter outras coisas, ou fechando os olhos pro que a gente é e pro que a gente vive. SE CONHECER É O CAMINHO PRA SER FELIZ COM MODA. Tudo bem ter referências, super tudo bem admirar e se inspirar e tals, mas ser a gente mesma não é pra qualquer uma – e quem consegue tá mais feliz, pode ter certeza.
Coisas que podem fazer a gente se sentir bem (com moda, claro!):
*modelagens boas pra nossa silhueta
*decotes que deixem a gente se achando AS sedutoras
*sapatos de salto super confortáveis (milagre da vida)
*cores que fazem a gente parecer maquiada
*colar com pingentes que têm estorinhas pessoais
Vamos continuar a lista nos comentários? Que a gente sempre tem uns “ítens de sentir bem” como coringas no armário – quem quer contar qual é o seu?!?? ;-)
É tempo de crise nos Estados Unidos, amigos. E Anna Wintour já tinha dito pro povo não usar “nada muito Dubai”. Cristina leu que esse seria o Oscar da recessão, que ia ser cafona carregar mointa jóia e tals… e assim foi – mas não por isso o tapete vermelho foi menos legal! Os brilhos apareceram mais nos vestidos e do que nos acessórios (beeeeem menos caro!), e teve mointo tule: se a gente pensar que tule é um material barateenho e que faz um super efeito com quase nada, a idéia é “crise-friendly”, não?!??
Junto com brilhos na própria roupa e mointo tule, teve bastante vestido-princesa, com corpete, cintura marcada e saiona: em Miley Cyrus, em Penelope Cruz, em Sarah Jessica Parker, em Marion Cotillard. A idéia de romantismo também carrega a coisa escapista, tipo vamos fantasiar e deixar a realidade de lado, vamos não prestar atenção na crise. Então, esse foi o tapete vermelho da recessão MESMO, pelo menos na nossa interpretação de idéias (fashion). Mas “o olhar atento encontra significado”, e não é que tem mointa inspiração bacana no que a mulherada escolheu pra usar no Oscar desse ano?!?? Que 2009 tem tudo pra ser o ano da roupa-de-festa-boa-pra-quem-malha: teve montes de vestidos-sereia, que gente (sério!), só fica bem em quem tá com tudo tudo tudo em cima – vide os corpitchos de quem usou, tipo Anne Hathaway, Vanessa Hudgens, Marisa Tomei e mais.
A gente aprendeu essa teoria de que tapete vermelho tem que fazer sonhar. Madrinha e formanda todo mundo é, mas estrela de cinema poucas (íssimas) são – look de tapete vermelho, pra gente, tem que ser inalcançável, tem que ser extraordinário, gente. Por conta disso o vestido de Penelope Cruz é top favorito da noite, com uma estória parecidíssima com uma de Reese Witherspoon anos atras: o vestido é de 1949, ela comprou há tempos e guardou pra usar numa ocasião especial. RÁ! E ganhou um Oscar com ele! Não é demais?!?? Miley Cyrus, quem diria, também tava ma-ra-vi-lho-sa de menina-mulher leve feminina e super atual. Anne Hathaway tava vestida de diva, pronta pra ganhar prêmio, com vestido inteiro bordado com paétes em tamanhos diferentes – que formavam uma cauda super sereia, de Armani Privé direto da passarela para o evento! E Kate Winslet lembrou que look-de-estrela-de-cinema inclui cabelo-de-estrela-de-cinema: o cabelo dela tava tão incrível que ajudou a levantar o vestido – quem nem é maravilhoso à primeira vista, mas é vestido de diva que se arrisca, que ousa, que nao é acomodada (e tem mérito por isso!).
Gente e o que era o vestido claro, com um ombro só, em tecido luxo, saia gigantesca e um bilhão de mini-pregas plissadas em dobradura de marisa Tomei?!?? DI-VA! Tem fotos no Faded Youth, no FabSugar e no site do Oscar (já já na internet inteeeira!).
Teve também vestidóns brancos e claros (Jessica Biel, Anne Hathaway); vestidos com mil camadas (texturas com Taraji P. Henson, movimento com Miley, dobraduras INCRÍVEIS com Marisa Tomei); brilhinhos salpicados na estrutura do vestido (localizados em Kate Winslet, no corpete de Natalie Portman, salpicados em Freida Pinto); um ombro só – clássico, não? (em Kate Winslet, em Freida Pinto, em Marisa Tomei); dobraduras e super construções no próprio tecido (em Jessica Biel, em Amanda Seyfried, em Heidi Klum) e cores-coloridas (vermelho pra Amy Adams, rosa pra Natalie Portman, azulzão pra Freida Pinto). E transparências, e mointas pulseiras (vai render post!), e dourado com preateado, e mais.
Tem esse texto maravilhoso em inglês sobre stylists e looks de premiação, dica do Guga – alguém quer traduzir pra gente postar aqui no blog?!?? Que o que tá escrito lá faz super sentido e tem super a ver com análises de looks e interpretações. E essa foi uma primeira organização de pensamento sobre os looks da noite, sem conversar muito e sem ver (quase) nada na internê. Vamos desenvolver mais nos comentários, todo mundo junto?!?? ;-)
Então é semana de moda em NY, amigos. E Anna Wintour, que a gente curte BEM aqui na Oficina, deu uma entrevista ao Wall Street Journal pra falar dos reflexos da crise na moda. E aí que ela diz que, na opinião dela, a crise vai fazer o povo se conscientizar pra sempre de que consumo em excesso não é legal. E que a partir da “crise” todo mundo vai procurar consumir menos, mas direito – procurando peças que durem (tempo suficiente pra, pelo menos, a crise passar), focando super em qualidade e tals. Mas a melhor parte é quando dona Wintour diz que tá meio cafona usar look-ostentação por agora, e que ela acha mesmo que ninguém vai querer usar nada chamativo demais, ou muito brilhoso, ou “muito Dubai”. Não é MARAVILHOSO?!?? Hebe tá em baixa (rááá!).

“hummmm… ai, não sei… isso não tá muito dubai?!??”
Fora a brincadeira, a entrevista é legal mesmo. A Anna Wintour ainda conta que os preços das peças fotografadas pra Vogue América tão sendo reavaliados (ela se recusou a incluir num editorial um bolerinho de paétes que custava 25 mil doletas – e falou isso bem no sério, maravilhoooosa!), que a Michelle Obama inspira mulheres de verdade com seus looks high-low, do trabalho do CFDA incentivando novos talentos e de parcerias entre estilistas e grandes redes de lojas (pra fazer essas coleções baratinhas). Tá tudo em inglês, mas vale. ;-)
Sobre essa entrevista ainda tem quatro textos no blog Última Moda, escritos pela Vivian Whiteman. Olha, a Vivian tá bem brava com tudo que a Anna Wintour falou e faz/fez até hoje na moda, mas o que ela diz lá é bem coerente (na minha opinião pessoal). Podia ter um pouquinho mais de humor pra não parecer rabugento, mas é super super válido. Tá em quatro partes, começando aqui.
Há tempos que a gente percebe essa onda de colares gigantes nas temporadas de desfiles internacionais – e agora a coisa aconteceu não só nos desfiles dessa 26ª edição de SPFW, mas também na vida real: o povo dos corredores da Bienal já tava usando, as fotos daqui debaixo foram todas feitas lá, durante a semana passada! Os colares-de-agora não são só grandalhões. São também vistosos e às vezes contm como uma gola. Chamam atenção como ponto focal mesmo, não tão no look só pra “acessorar”, mas pra complementar com substância. E na crise (RÁ!) dá pra improvisar um colarzão com broches, lembra que a gente até fez post?!?? ;-)

até a cristi entrou na onda! e vanessa rozan, nossa vizinha de blog, também!
Os modelos mais longos acrescentam volume à seios pequenininhos; os mais curtinhos chamam atenção pro rosto – mas são perigosos pra quem tem pescoço curto e mais largo. Os vazados são a solução de (quase todos) os problemas da galhera, parecem mais leves e não cobrem mointo espaço no corpo/na silhueta. Vale observar traços de rosto pra acompanhar e complementar, com harmonia, o que a gente tem de melhor: gente de olho arredondado, nariz bolinha e lábio cheio pode ficar melhor com formas também arredondadas (ou mais dramática com peças na direção contrária!); gente de sobrancelha reta, nariz pontudo, olho puxado e lábio fino pode se acertar com peças angulares, retas e pontudas (pode ser que acessórios redondos/fofuchos demais deixem esse tipo de rosto mais amigável, ou mais bobinho – tem que ponderar em frente ao espelho!).

A sacada é escolher materiais que também complementem as roupas que a gente escolher pra usar junto: se a roupa é pesada, cubos e adereços transparentes (como os da Isabela Capeto) formam um bom par; se a roupa é opaca, estruturada demais, argolas vazadas (bem cheias de movimento!) em metal polido acrescentam balanço e brilho discreto (como na Huis Clos); se o look é neutro demais, nada como acrescentar bolas e corações e pedras coloridas (como na Isabela Capeto – de novo! – ou no Ronaldo Fraga, na Triton e na Cori). E não deve parou por aí, que no último dia de SPFW teve passarela SÓ DE COLARES, com a coleção de jóias da Cristine Yufon (todas as fotos aqui). De um jeito ou de outro, colarzão tá na nossa lista de tendências da temporada, e tem tudo pra pegar meishmo.
No meio da crise do mundo tamos todos aqui, amigos, brincando de casinha na Bienal, assistindo modelas de um lado pro outro de 11h às 22h (quase isso). Essas modelas carregam roupinhas que criam desejo (muitas vezes!) instantâneo – desejo de fazer compras com um dinheirinho que ninguém sabe se vai ter ou não, quando essas coleções chegarem às lojas. Justamente nesse contexto a gente tá presenciando o “efeito tromp l’oeil” quase-quase como tendência da temporada.

olhar de perto pode ser legal – e pode abrir espaço pra ser criativo, pra sonhar, pra fazer acontecer. a modelagem do fause haten é toda feita de tachinhas!
Esse é um efeito que faz a gente acreditar numa coisa, quando a vida real mostra (de pertinho e com atenção) outra. Vale acreditar nos riscos de giz sobre as roupas do Ronaldo Fraga, em uma dimensão apenas, fazendo a gente pensar que a modelagem tá ali em três dimensões; também vale achar que o Alexandre Herchcovitch realmente sobrepôs duas, três partes de baixo num mesmo look, quando o que o estilista fez foi criar uma peça única que ilude nesse sentido. Também a Maria Bonita desfilou uma calça preta com suspensórios sobre uma blusa bege – ooops, não é calça e blusa, gente!, e sim um macacão com o suspensário “desenhado” sobre a parte de cima da roupa. De repente tá todo mundo aqui brincando de faz de conta, de fazer acreditar. A parte boa é que, quase sempre, descobrir o truque também faz brilhar o olho – e quem é esperto mesmo acha jeito de ficar alegre (também!!!) com a vida real.
Nada mais vida real do que tentar pensar a moda em tempos de crise, não, amigos? Com a provável nova ordem que vai se estabelecer nos próximos meses – nas bolsas de valores, nos bancos e nas nossas contas! – qualquer consumo vai precisar ser revisto, incluindo nosso consumo de moda, né? A gente tem uma clienta linda que trabalha com dinheiros e investimentos e que explica tudo que tá acontecendo pra gente. Por isso deu vontade de escrever aqui pra gente conitnuar pensando juntos. Que os jornalistas (de moda) tão dizendo que a gente têm dois caminhos pela frente: ao mesmo tempo que a mode reflete a realidade ela também tem função de fazer sonhar. Paradoxal mas muito verdade!

Dependendo de onde a gente enxerga, a estória toda muda. Em momentos de crise financeira, a gente (a gente aqui da vida real) tende a parar de comprar ou só comprar o que é durável, o que tem qualidade que garanta o não-consumo por mais um tempo, o que não é espalhafatoso demais pra não marcar e poder ser usado repetidas vezes (tem que ser versátil). Então é natural que existam estilistas preocupados em oferecer isso, roupas basiquetes, cores não chamativas demais, formas bem mais tradicionais. Por outro lado, tem uma gente mointo rica no mundo – especialmente na China, na Rússia, na Índia e aqui meishmo na América do Sul – que não tá muito preocupada com preços de roupas porque nunca teve essa preocupação anyway. Pra esses a crise não faz diferença, pelo menos não na hora de consumir moda, e pode ser que existam estilistas dispostos a ignorar a falta de dinheiro no resto do mundo pra continuar propondo luxo, ostentação e riqueza nas roupas de passarela.
Os estilistas mais importantes do planeta são, ao mesmo tempo, os que fornecem idéias pra todos os outros criadores de moda e os que vendem de verdade pra essa gente mointo rica. Então se eles propõem luxo e riqueza, os outros criadores se inspiram nisso e também ignoram a crise? Ou abstraem a parte rica e se inspiram de maneira mais pobrinha, mais adequada à realidade? A gente só vai saber como as águas da moda vão rolar (sem dinheiro) nas próximas temporadas, porque o que se viu nos últimos desfiles internacionais foi pensado antes de se falar em recessão. E aqui no Brasil, provavelmente, a gente vai ter chance de ver antes – já que nossa próxima temporada, em janeiro, chega bem no tempo da expectativa de como as coisas vão ficar. Dá um medinho, néam?!??
Então pode ser que a gente queira ser bem básica, pra esperar (bem calminha!) a crise toda passar, bem comportada, sem excessos. Ou pode ser que a gente tenha vontade de fingir que não é com a gente e ser bem rica (pelo menos visualmente!), com muita estampa e cor e forma pra animar o tempo ruim. E provavelmente vai ser um tempo (se for mesmo, tá, que ninguém sabe) de reciclagem de idéias, de fazer funcionar o que a gente já tem, de comprar pouco pra conseguir muito resultado. E de usar (bem!) a criatividade porque, né, a moda tem essa função de fazer sonhar que a gente não vive sem. Pelo menos não por aqui. =)
Mais textos de moda na crise do mundo:
No About Fashion
No Caminho Dourado
No Style (de onde veio a idéia desse post)
No Telegraph
Todo mundo tem seu dia de crise com o guarda-roupa, né!?! Parece que não tem nada, mesmo com ele abarrotado… dá vontade de sair correndo comprar alguma coisa nova!!! Mas e quando não dá pra responder imediatamente ao nosso impulso consumista (por um milhão de motivos)? A solução é tentar dar cara nova às nossas peças não tão novas…
A gente sempre tenta mostrar pros nossos clientes que não vale a pena ter um armário lotado de coisas que nunca usamos, vale muuuuito mais ter uma boa quantidade de peças que podem ser usadas de formas variadas, em ocasiões diferentes, pra todas as estações (se é que isso ainda existe) do ano. Otimização da roupa!!! Daí quando aquela pecinha amada tá que só dá pena a gente substitui…

as “cardi skirts” de Susie.
Vamos botar a criatividade pra funcionar? A mestre da originalidade Susie Bubble ensina em seu blog como usar um cardigan como se fosse saia… e não é que deu certo!?! Incrível… ela dá super dicas de como esconder/mostrar as mangas!!! E ainda elenca as vantagens de passar seu cardigan pra parte de baixo do seu look: “a) able to get more wear out of cardigans, b) buy less skirts and c) get button-down skirts which I lo-ove”. Fofa!

Um vestido, dois looks capturados por The Sartorialist
E pra quem não é tão ousado assim tem outros jeitos de inovar as roupas… uma regata de algodão pode virar um coletinho se usado por cima de camisas justinhas, camiseta polo no inverno fica bem bacana por cima de malhas fininhas de manga longa, saia longa pode virar vestido tomara-que-caia, vestidos tipo camiseta ou camisa ficam lindos com calças sequinhas. Sobreposições existem pra isso, certo!?! Aquele top levinho que você comprou no verão e usava com bermuda e rasteirinha pode passear por aí nos dias frios também – é só usar com calça de lãzinha, colocar um canguru por cima, meia opaca com sapatilha e pronto!!! E o vestido que só saiu do armário pra ir pra balada, pode ir pra um almoço se no lugar do salto for coordenado com uma flat, uma bolsa-sacola e óculos escuros.
Corre pro armário que com certeza tem um milhão de possibilidades pra serem explorados lá!!!