A revista Cláudia desse mês tem uma entrevistona com João Braga, top professor de disciplinas de moda aqui no Brasil. O João é o maior especialista em história da moda que a gente tem no nosso mercado e todo mundo que a gente respeita já fez aulas com ele – e recomenda. Hoje ele dá aula em faculdades, dá palestras pelo Brasil e também uns cursos ótemos na Casa do Saber aqui em SP (vale o investimento e até a viagem). Na entrevista ele dá um monte dessas aulas só pela leitura – corre pra banca que é imperdível. Aqui tem as partes favoritas dessa Oficina que aprende mais um tanto a cada contato com o professor. Olha só!

Sobre desfiles, o professor diz que “as tendências desfiladas são só propostas. Quem dita a moda é a rua, ao legitimar a proposta. Quando o estilista faz o desfile não está lançando moda, mas propondo idéias que têm a ver com seu estilo e que poderão ou não encontrar ressonância no desejo de consumo que validará esta ou aquela tendência.” Entendeu?!?? Read more
Quem desenhou essa capa de disco de Gilberto Gil, na década de 60, foi um ‘artista-intelectual’ chamado Rogério Duarte. Ele é considerado um artista-intelectual porque fez muitos trabalhos gráficos incríveis, ao mesmo tempo em que esteve envolvido com movimentos contrários à ditadura no Brasil – ele foi, inclusive, um dos pensadores do movimento tropicalista. As cores e formas da capa do disco têm a ver com brasilidade, com a coisa psicodélica da época (eram as décadas de 60-70), com os valores da juventude daquele tempo e mais. Mais que tudo, é uma capa super bonita, não é?

Tempos depois a estilista Helô Rocha fez (para sua marca Têca) uma coleção inspirada em elementos do Tropicalismo – entre eles capas de disco contemporâneas ao movimento. E aí, amigos, se a gente sabe dessa estória aí de cima (no primeiro parágrafo), o vestido que homenageia o design da capa de disco passa a ser mais que só um vestido! Pode ser que a estampa, muito linda, seja mais: além de ser a inspiração da estilista ela também pode também carregar reflexos de um comportamento (da sociedade ou de pedaço dela!), de política, de economia, de ideologia… Informação na roupa! Informação que faz a roupa ter algum outro valor, não é mesmo?!??

A gente aqui acha que quem conhece, reconhece. E que quanto mais a gente vive, mais repertório (de tudo no mundo!) a gente tem pra identificar representações. E pode ser super legal pensar no significado do que a gente usa – não só nos significados literais, mas no que cada elemento do nosso visual representa pra gente mesmo. Não pra ser politizado ou intelectualizado e tals – mas pra (se) conhecer, e só. Ou pode ser só divertido, pode gerar conversa e pode fazer sorrir!
Na contramão (a gente adoooora!):
o pensamento (gênio) da dra. Vodca sobre a comunicação não-verbal
a reinvindicação do direito de se vestir só por diversão da Tati Rodrigues (gênia!)
O Oliveros chamou a gente pra participar de uma corrente: a gente tem que fazer uma listinha de cinco livros que foram importantes nas nossas vidas. O Oliveros em si já postou a dele, o Luigi também fez e ao longo da semana todo mundo que escreve no BlogView vai fazer também. No fim a gente vai ter uma listona de livros importantes de algum jeito pra quem estuda/trabalha com/se interressa por moda, né?!??
Eu estou fora de SP essa semana e – coincidência das coincidências! – trouxe cinco livros na mala. Dois pra terminar de ler e outros três pra estudar. São esses, ó:

Ready to Wear de Mary Lou Andre: ela é especialista em planejar, construir, organizar e manter guarda-roupas. Tem um jeito especial de selecionar critérios e de colocar teorias em prática que faz o trabalho virar uma experiência. Super me serviu de bibliografia pra fazer a coluna dessa semana no BlogView.
No One Belongs Here More Than You de Miranda July: eu sou obcecada pelo jeito de pensar da Miranda July por causa de ‘Eu, Você e Todos Nós’ e mais. Essa é uma coletânea de contos dela que eu ganhei de um amigo querido e tô terminando de ler bem devagarzinho, com pena de acabar.
I Don’t Have a Thing to Wear de Judie Tiaggart e Jackie Walker: elas têm um programa de TV nos EU que trata também só de “reformas” e adequações de guarda-roupas. O livro é uma MEGA aula e tá mudando a minha vida no trabalho, na prática.
Ele Simplesmente Não Está a Fim de Você de Greg Behrendt e Liz Tuccillo: I know, I have issues. Super ajudou no post do BlogView também. Tô relendo.
Diana, Princess of Wales de Michael O’Mara: é uma seleção de fotos que a princesa em si amava, mostra Diana desde a infância e adolescência até o namoro, casamento, descasamento e a parte feliz que ela teve da vida, no finzinho. Não é só de figuras, eu juro! Tem textos também.
A listinha da Cris ficou incrível, cheia de dicas cinéfilas, olha:

Bonequinha de Luxo de Truman Capote: sempre amei o filme (quem não?) e li o livro recentemente… uma surpresa muito boa!!!!! O livro é tão, tão tão, tão incrível que o filme perdeu a graça. Na edição da Companhia das Letras tem mais três contos e o “Memória de Natal” é um dos textos mais lindos que eu já li.
Antologia Poética de Manuel Bandeira: foi amor à primeira lida. Desde o colegial virou meu poeta preferido pra todo sempre. E não por causa de Passárgada, mas por causa de Teresa e suas pernas estúpidas!!!!!
Hitchcock Truffaut Entrevistas: tem Truffaut, tem Hitchcok, eles falam de cinema e foi a Fê que me deu de presente. Precisa mais?
Toda Mafalda de Quino: todas as tirinhas da Mafalda – “da primeira a última”. Mesmo tendo lido umas cem vezes ainda choro de rir. Tem “perfume” de infância, aprendi a ler pra enteder o que ela tanto sussurrava pro “mundo”.
A Linguagem Secreta do Cinema de Jean-Claude Carriere: depois de ler esse livro passei a assistir os filmes (qualquer filme) com o olhar muito mais esperto, com muito mais carinho. E passei a prestar mais atenção nos meus sonhos e nos dos outros, eles podem ser fontes pra idéias maravilhosas – se funcionava pra Buñuel porque não pode servir pra mim também?