Denise Dahdah é editora de moda da Revista Quem, escreve no blog Estilo Quem e é amiga querida dessa Oficina! Hoje ela bateu papo e deu sua opinião sobre um monte de desfiles legais que aconteceram. Além de conversarmos sobre roupa e música (!!!), ainda demos boas risadas.
A partir de hoje a gente vai postar aqui no blog uma série de entrevistinhas. Amigos de várias áreas do “mundo da moda” falaram sobre seus trabalhos – tipo moda na prática, no dia-a-dia. Todo mundo respondeu as mesmas perguntas: como começou, quando começou a ganhar dinheiro, que conselhos tem pra dar etc etc etc. Muito legal ver como os pontos de vista são diferentes de “setor” pra “setor” (haha!). A gente vai ler aqui, então, as respostas de profissionais de assessoria de imprensa, de internet, de styling, de site, de produção, de fotografia, de marketing e de estilismo (ufa!). E se o interesse for crescendo a gente vai perguntando pra mais gente!!!
Nossa primeira colaboradora é a Denise Dahdah, editora de moda da revista Quem e dona do blog Estilo Quem, no site da editora Globo. A revista da Denise é semanal e ainda assim ela tem idéias lindas sobrando, a gente fica impressionada. Olha quanta opinião sincera – e que trajetória mais legal!
COMO COMEÇOU?
Eu sempre gostei de moda. Minha avó fazia roupinhas pra minha Barbie sob a minha supervisão. Fiz vestibular para estilismo e não passei. Quase morri. Aí fiz jornalismo e comecei a me envolver com o mundo da moda. Fiz um fanzine sobre a primeira edição do Mercado Mundo Mix em BH. Fui estudando moda, fiz cursos livres de estilismo, de desenho, de cinema. Logo depois que me formei fui fazer um mestrado em Londres e a minha tese foi a Moda Brasileira e a Imprensa de moda no Brasil. Read more
• E esse novo programa de moda do GNT, o Tamanho Único, alguém assistiu? Quem apresenta é Chiara Gadaleta, diz que tem foco… em moda pra vida real (rá!). Clica no Novidadeiras pra saber mais – e conta no comentário se assistiu, se tem notícia, se é legal de verdade (tem tudo pra ser, né?!??).
• Pra colocar na agenda desde já: o Pense Moda, top evento bom de discussão de tudo pertinente ao nosso mercado, já tem data pra acontecer – e tem um twitter sendo atualizado desde agora!
Tempos atrás a Susie Bubble (musa) ensinou a usar cardigans como saias, a Cristi até fez post pra contar a estória toda (clica pra lembrar!). A Denise Dahdah (editora da revista Quem Acontece, outra musa!) também fez post mostrando como usar o cardigan de trás pra frente, pra ter decote atrás (quer ver?) – e um dia eu encontrei a editora usando na vida real, ela mesma, o cardigan assim: tava o máximo! Agora foi a Jeanine do The Coveted quem fez um post com um novo jeito de usar o cardigan. Ela mostrou um jeito de usar o cardigan de cabeça pra baixo, pra peça parecer um bolero – curto atrás – com o drapeadão do tecido caindo na frente. Na foto tá legal – o que a gente acha?!??
A gente aqui na Oficina é usuária voraz de cardigan e faz campanha contra essa idéia de que “é roupa de velhinha”. Especialmente agora, em tempo de outono e de temperaturas diferentes num mesmo dia, os cardigans podem ser peça-chave de looks bons e funcionais. Então vamos listar aqui tudo que o cardigan oferece de bom pra humanidade (rááá!) e a lista pode crescer com os comentários. Let’s, pessoal:
todo mundo moderninho usa, como pode ser de velhinho?!?? ;-)
• cardigans são levinhos e podem ser frescos ou bem quentinhos, dependendo do material: frescos se feitos em algodão e misturas com viscose ou quentinhos se confeccionados em lã e cashmere
• os quentinhos são ótemos pra looks de frio-de-verdade porque aquecem sem acrescentar volume!
• eles vêm do guarda-roupa dos meninos, então são perfeitos pra coordenar com peças bem fofuchas e brincar de masculino/feminino
• super substituem bem as pashminas e estolas em festas super formais, acompanham lindamente vestidóns e roupas sofisticadas
• acompanham tendências de moda – nessa temporada tem, além do blazer-do-namorado e do jeans-do-namorado, o cardigan mais longuinho e fino também, como se fosse do namorado!
• cardigan também é tela em branco pra gente usar broche: dá pra fechar a peça de um jeito assimétrico – a gente fez no vídeo aqui embaixo! ;-)
Ó só quanto jeito bom de usar cinza: quem quer parecer mais calma, mais discreta e mais formal (mesmo com materiais confortáveis e informais!) pode coordenar cinza com branco, com preto, com cáqui (lindo!) e com outros neutros. Quem quer animar o cinza e parecer mais descontraída, mais acessível e mais informal (mesmo em materiais luxo!) pode combinar com rosa, com amarelo, com laranja, com lilás e com turquesa – com todos os coloridos do mundo, né, Brasil. ;-)
Lembra de quando a gente postou aqui as dicas da Manu Carvalho pra quem quer trabalhar com moda? Tipo isso, tem dois posts sensacionais que precisam ser lidos por todo mundo que quer ser alguém na noite (em moda), que quer trabalhar mais e melhor, que se interessa ou que quer aprender coisas legais. Que essas dicas são universais e tals, mas se são selecionadas/ditas por gente que sabe tu-do desse universo, e se são repassadas por gente que também sabe mointo, então é pra se prestar atenção. E pra anotar no caderninho.
No blog Estilo Quem, da Denise Dahdah, tem uma lista com dez dicas de Louise Wilson (que ela chama, inclusive, de mandamentos). Louise, que já veio falar aqui no BR num Fashion Marketing, é diretora dessa escola londrina de moda chamada Saint Martins (que diz que é tudo de bom), e por isso sabe do que tá falando. A dica (ou mandamento) que a gente aqui mais curte é
Que essa, gente, é uma lição sobre humildade. A lição número 4 também arrasa, e as duas listas de dicas precisam ser lidas. E se algum dia a gente for fazer uma lista de dicas pra quem quer entrar/estar no meio da moda, a nossa ia começar com “não pode esquecer que tudo que a gente faz (de bom e de ruim) sempre volta pra gente mesmo”. E ia ter também “é bom fazer tudo tudo tudo com um sorrisão no rosto, acreditando que no fim vai dar certo”. E mais.
No ano passado foi assim também, e a gente ficou feliz de ver que a eficácia do Pense Moda é real e se estende super, mesmo depois do evento ter acabado. Na primeira edição teve uma chuva de textos bons pra ler, resultado das reflexões propostas pela programação que a gente assitiu. Nessa segunda edição não foi diferente: algumas questões colocadas lá estão se desenvolvendo até agora, nos blogs que a gente mais curte e respeita. Aliás, um bom complemento (esse daí) pra mesa de discussão sobre novas mídias: enquanto no palquinho não se falou tudo que tinha pra se falar – por melindre, por preguiça, por medo ou qualquer outro motivo, na blogolândia a conversa tem acontecido de jeito aberto, fundamentado e em forma de diálogo (mesmo! com perguntas e respostas!) – e essa não é uma das contribuições do “formato blog” para a moda em si (!!!)?!??
A conversa passa pelas revistas e pelo seu modo de fazer. Os blogs Moda sob Medida (da Renata Piza, jornalista da Elle), Hypercool (do Sylvain Justum, colaborador da Vogue, da Wish e de mais), Fora de Moda (do Ricardo Oliveros, editor de moda da Playboy), 1988 (do Romeuuu, editor da U_Mag) e Estilo Quem (da Denise Dahdah, editora de moda de Quem Acontece) escreveram sobre isso com muita muita propriedade. Mercado editorial não é a nossa praia e a gente já fez comentários em todos esses textos. Sem comentar muito mais, a gente é da opinião de que ‘falta de tempo’ e ‘obrigação de vender cem mil exemplares’ não é desculpa pra não ser criativo/original, não exercitar estéticas diferentes, não experimentar o novo. E olha, pelo que foi falado no Pense Moda e até depois, via email anônimo, tem editoras sendo injustiçadas por aí, sendo negligenciadas, não ouvidas: porque elas tão sempre certas, né, obedecendo o mercado e não o seu propósito como editoras, e suas equipes nunca são criativas ou profissionais o bastante. E ai de quem contestar, esses é que tão errados. Então a gente continua aqui quietinha, só consumindo o refluxo das filiais estrangeiras dessas revistas, bem felizinha. (Sugestão pro ano que vem: o PM podia reunir essas editoras e suas equipes de colaboradores pra conversar com todo mundo, não? A Renata Piza sugeriu pautas ótemas, super pertinentes.)
Sobre blogs de moda, a conversa começa por querer definir o que é um blog. Tem texto no blog Dus Infernus (de Vitor Ângelo) tratando da definição de blog – e a gente defende a importância de se discutir a essência pra se aprofundar no que se faz. Tem texto-resposta no Caminho Dourado (de Jorge Wakabara) – e a gente concorda super que os blogs de música contribuíram/contribuem ativamente para que sua indústria evolua, e que os blogs de moda, aqui no BR, ainda não têm esse alcance (ou esse interesse, ou essa força). No Filme Fashion tem comentário (da própria Alexandra Farah, musa das novas mídias em moda) que diz que “blog legal tem que dar serviço, tem que ser útil”, e a gente mega hiper concorda. No blog O Avesso do Espelho (da queridíssima Tati Rodrigues) tem post chamando atenção para o fato da “balança da moda ser cravejada de cristais swarovski”, e desse tanto de brilho pesar (e ofuscar) a mais – a gente concorda bem com isso daí. E a maior concordância de todas é a pluralidade de razão dessa conversa: não tem uma verdade absoluta, não tem uma opinião certa e outra errada, todo mundo tem questões válidas.
“Quando dizemos: uma mesa, quando pronunciamos o nome de mesa, quando formamos o conceito de mesa, designamos sempre apenas essa mesa aqui ou nos remetemos realmente a uma entidade mesa universal que fundamenta a realidade de todas as mesas particulares existentes? A idéia de mesa é real ou pertence apenas ao nosso espírito? Nesse caso, porque certos objetos são semelhantes? É A LINGUAGEM QUE OS AGRUPA ARTIFICIALMENTE E PARA A COMODIDADE DO ENTENDIMENTO HUMANO EM CATEGORIAS GERAIS, OU EXISTE UMA FORMA UNIVERSAL DA QUAL PARTICIPA TODA FORMA ESPECÍFICA?” Esse é um trecho do romance que a Cristi tá lendo agora, chamado “A elegância do ouriço”, de Muriel Barbery. Tudo a ver, não?!??
Sobre a quantidade de gente, o preço da inscrição, o interesse do próprio meio da moda e mais, a Camila Yahn (uma das idealizadoras do Pense Moda) escreveu com propriedade no seu blog (rá!) e a gente concorda com tu-do. Ela citou o diretor de cinema Heitor Dhalia, que, participando de uma mesa no primeiro dia do evento, falou que a gente aqui no BR se acha tão legal (em tudo) que não se aprofunda, que se contenta com um (suposto) hype e deixa de estudar, deixa de se esforçar pra ser melhor – tá tudo no vídeo aqui em cima. É um recado bom, válido pra todo mundo (pra gente, inclusive!).
Tamos agradecidas pela oportunidade de participar desse evento, de conversar com gente tão inteligente, de aprender coisas novas e de exercitar pensamento e opinião. E que venham mais discussões, até que o Pense Moda do ano que vem aconteça. =)
E aí que a revista Key da Erika Palomino tem um canal do YouTuba, com vídeos de gente famosa (rá!) e de making ofs de editoriais de lá. A revista mais nova sai hoje e é bem legal ver tudo que precisa acontecer pra que a gente veja as imagens impressas na revista: um monte de gente, mega estruturas de luz e de equipamentos, o Max Weber nosso amigo querido maquilando, a Erika em si na locação, a locação em si, um povo dançando, mil coisas. E dá pra ver que o trabalho não é pouco, mas dá pra ver também que o povo se diverte! A gente participa, conhece e se diverte junto, que o vídeo é entretenimento fashion garantido. =)
Com fotinho e tudo! A Denise Dahdah, editora de moda da revista Quem e amiga mais que querida, convidou a gente na semana passada pra comentar os looks de mil celebs na festona do Met. A gente é muito fã da Denise, admira mega a trajetória e o trabalho dela, e quanto mais a gente a conhece, mais a gente respeita. Olha que a gente suuuper falou tudo tudo tudo que a gente achou de cada look: tanto que um monte de aspas precisaram ser editadas!
O resultado ficou bem legal, as fotos ficaram incríveis, a gente tá fofa na fotinho (!!!) e a matéria rendeu sete páginas na revista! Nossas opiniões tão acompanhadas das da própria editora da revista e da Sandra, editora de moda da Marie Claire e também super querida desse blog. Tamos super agradecidas (lisonjeadas!) e felizes com o resultado, doidas pra mostrar pras mães! Passa na banca pra ver a gente e conferir a edição da Denise – que a versão na íntegra tá aqui embaixo! =)
Liv Tyler: A gente achou correta. Não tá espetacular, mas bem bonita: o make é bom, o cabelo ficou jovem com as ondas, o decote é legal. Mas podia ser madrinha de casamento, né? Pro Met podia ser mais tchan – e um vestido preto assim, liso, podia vir acompanhado de super jóias: ou um brincão, ou uma pulseira incrível. Não podia?
Kristen Davis (a Charlotte): Olha, não ficou bom. Ela tem contraste entre cores de pele e cabelo, então a cor muito pálida (sem contraste com nada!) deixou ela feia. A escolha podia ter ido pro lado das cores vivas e intensas: ela ia ficar incrível de vinho, vermelho, roxo, azulão…. tipo cores de pedras preciiosas. E a modelagem também não rolou: a moça ficou com peitão, com quadrilzão, mais curvilínea do que naturalmente é (ou do que precisava parecer). Não dá impressão que o vestido tá muito apertado nela?
Anna Wintour: Sendo a editora da revista de moda mais poderosa/importante do mundo, ela pode tudo. Ninguém mais ia carregar com propriedade um look da alta costura da Chanel inspirado na Princesa Lea, mas ela representa algo mais do que só uma convidada da festa: ela é quem convida, junto com o Museu. E ela comanda quem idealizou toda a festa, a Vogue América. A gente espera que ela seja a mais fashionista de todas. E tá no clima super heróis, tá “temática” do jeito mais chique que existe. Fora que esse vestido não ficaria bem em quase ninguém (com tantos volumes), mas ela tem esse corpinho de quem acorda todo dia às 5h da manhã pra jogar tênis – e arrasou. Sabe uma lição boa? Dá pra “estudar” a festa que a gente vai pra se vestir de acordo.