Junto com a crise apareceu também o conceito de confort wear, tão vendo? Tipo malhas fininhas e gostosas, com cara de pijama, calças mais soltas, tops que lembram lingeries e transparências que remetem a esse mesmo universo. Meio que “um novo sexy”, que vem velado e muito muito ‘à vontade’. Se a gente tinha dúvidas sobre essa coisa feminina transparente confortável pijaminha de se vestir, o desfile de alta costura da maison Dior tirou todas ontem – e as transparências apareceram SUPER nas partes de baixo dos looks! Claro que essa interpretação (pra vida real) não é literal, claro que as coisas não vão aparecer assim em lojas. Mas a alta-costura ainda é a mola que empurra todos os outros níveis de moda no universo, desde os designs mais sofisticados até os que a gente encontra nas araras da loja do bairro. Então é esperar pra ver essas idéias diluídas nas peças com que a gente vai abastecer nossos armários pro verão, né?
No blog de Ana Clara Garmendia tem um post SENSACIONAL sobre esse desfile, tem que clicar pra ler. Ana Clara é jornalista e vive em Paris, muito fina, recebe convites com o nome dela (tem no blog também!) e assiste a tudo lá, de verdade. Ela contou – com mointas fotos! – como foi a chegada no atelier da maison Dior (esse desfile foi tipo os de antigamente, lá dentro da “sede” da marca!) – como estavam as convidadas, o que ela achou de tudo e mais. Um passeio super “por dentro”.
Peep toes são aqueles sapatos abertos na frente, que deixam aparecer só as pontas dos dedinhos, sabe!?! Esse tipo de sapato era super popular no comecinho da década de 50 e faz um tempinho que voltou definitivamente pros nossos guarda-roupas!!! Não é a toa que quando todo mundo quer ficar mais mulherzinha, um acessório que fez sucesso na mesma época que o new-look da Dior re-viva com força, né!?!
Acontece que o peep-toe é um modelo bem, bem prático, porque ele é abertinho, mas não deixa o pé muito de fora – perfeito pra qualquer ambiente profissional (até os mais formais) em dias de calor. Ou não, porque a vantagem desse sapato é que como ele é só um pouquinho aberto, no frio dá pra usar com meia-calça opaca!!!
Tem uma infinidade de tipos de saltos e talões: saltos mais grossinhos (perfeitos pra usar com meia), saltos anabela ou plataforma, sem salto (tipo sapatilhas, suuuuuuper confortáveis), fechados atrás ou tipo chanel, só com uma tirinha… A gente até já elegeu o peep toe como um dos sapatos essenciais na vida!
A feminilidade vem do fato dele mostrar um pouco mais do pé do que um escarpin (ou sapatilha) normal!!! Sabe o que é muito legal? Pintar a unha do pé de uma cor bem colorida e bem contrastante com a cor do sapato, tipo unha vermelha com sapato preto, unha laranja com sapato dourado, unha pink com sapato marrom, unha café com sapato bege, unha vinho com sapato rosa-pele. Tem mais?
O vídeo aqui embaixo mostra um desfile do Yves Saint Laurent em 1962 (!!!), cheio de pivôs e opiniões – tá tudo em francês, mas tem legendas em inglês e assim a gente pode ouvir os comentários de quem assiste. Tem gente que diz “nossa, é super difícil de usar” e mais “daria uma ótema foto” – a gente (às vezes) também pensa assim, mesmo hoje nos nossos dias, né? No vídeo ainda tem a irmão da Jackie Kennedy – tão elengante quanto! – dizendo que super curte o YSL e que desejava que o povo nos Estados Unidos não copiasse suas criações, que ela “não queria ter o mesmo tailleur o mesmo vestido as mesmas roupas que todo mundo”. Tá bom pra você?!??
Numa certa altura do vídeo alguém pergunta pra essa jornalista francesa, Edmonde Charles-Roux (que diz que era amiga de Chanel e depois virou sua biógrafa oficial), se o futuro da moda é o pret-à-porter. Sabe o que ela responde? Que não! Que o futuro da moda depende da criação – e ela diz da criação da alta-costura, de onde o pret-à-porter pode até tirar idéias e usar, mas só. Seria uma discussão bem boa pros tempos de agora, não?!??
A história de YSL é boa de um jeito que demora pra ter mais histórias boas assim pra contar (na moda). O estilista saiu de casa com 17 anos (de-zes-se-te!) pra trabalhar com ninguém mais ninguém menos que Christian Dior. Quando Dior morreu, em 1957, foi o YSL quem passou a comandar a maison – nesse tempo ele tinha 21 aninhos (gente, vin-te-um!). Em 1962 ele saiu da Dior e abriu sua própria marca – bem a época do vídeo! – e daí pra frente a história só melhorou: teve vestido trapézio, teve jaquetas tipo safári, teve inspiração na pop-art (com os vestidos Mondrian), teve smoking pra meninas, teve silhuetas dos anos 20, 30 e 40 (diz que YSL foi o primeiro estilista a revisitar épocas). Foi o primeiro também em muitas outras coisas, tipo abrir loja de pret-à-porter (a Rive Gauche), tipo colocar modelas negras na passarela, tipo ainda vivo ter exposição-solo no Metropolitan Museum of Art (o MET, que todo ano recebe a festona mais glamour do povo da moda, sabe? comandada pela Anna Wintour por conta do Costume Institute do museu!) e mais.
Fora que a história pessoal dava uma novela, das bem animadas (e lhindas). YSL teve um namorado/parceiro de vida toda, teve passagem pelo exército (em guerra!) e por um hospital psiquiátrico (pra tratar um nervous breakdown), teve musas-amigas incríveis, conviveu com o top glamour, top sucesso, top reconhecimento, com o que a gente imagina que tenha de mais legal no mundo da moda. Alguém podia contar essas histórias, néam?!?? Outras histórias você pode ler aqui:
Na temporada passada de desfiles em Paris, a coleção de John Galliano pra Dior já anunciava todo esse climão masculino-feminino como tendência fácil pra vida real. A trilha do desfile era “English Man in NY” do Sting e as modelas desfilaram looks cheios de referências à Marlene Dietrich e ao filme O Grande Gatsby, com elementos das décadas de 20, 30 e 40:terninhos, risca-de-giz e muitas outras padronagens tradicionalmente masculinas, ombros marcados, suspensórios, sapatos tipo oxford, gravatinhas e mais. (O Alexandre Herchcovitch fez sapatinhos masculinos para a Melissa que são umas graças!)
Coco Chanel foi quem primeiro incluiu peças dos meninos nos guarda-roupas das meninas, tipo na década de 20. Diz que ela mesma vestia tudo mais soltinho e confortável – caimento bem mais parecido com o das peças masculinas do que das femininas, que um pouco antes ainda eram corsetadas e apertadas – e daí ela começou a adaptar esses elementos na hora de criar suas roupas, que criavam desejo pela inovação e pelo conforto!
Aqui no BR a gente viu masculino-feminino do jeito mais fofo do mundo na coleção da Maria Bonita Extra. A inspiração veio de uniformes de meninos de outras épocas, tipo os do filme Fanny e Alexander, com direito a meião e tudo (a gente amooou esses meiões, super na lista pra comprar!). O mais bacana na hora de montar o look é equilibrar elementos de meninos e de meninas: só tem graça se o look tiver alfaiataria e coletes e suspensórios junto com laços, babados, tecidos delicados e super doces. Vale também peças femininas, tipo vestidinhos curtos e fofuchos, derivados do guarda-roupa masculino: vestidos chemise que vieram das camisas, saias em príncipe de gales e espinha de peixe, bem tecido de fazer terno.
Daí que na semana de moda de NY, terminada na última sexta-feira, também teve tendencinha meninos-meninas: na coleção da marca Bill Blass teve terninho com laço no pescoço, blusa de babados com calça em alfaiataria, saias galmourosas feitas em tecidos de terno, paletozinho com vestido e saia e mais. Teve uma versão de um vestidinho meio smoking bem no clima da coleção de verão 2008 do Alexandre Herchcovitch (do novo!) – lembra que nessa coleção ele interpretou o smoking em forma de roupas pra meninas? A notícia boa é que essa coleção tá em liquidação agora (mesmo pela internerd!), incrível oportunidade pra gente acrescentar peças que vão fazer diferença ainda no inverno! =)
Quem não adora passear por uma gift shop? Porque passear por um bom museu é maravilhoso, mas não tem nada mais gostoso do que depois de ter se suprido de cultura, se entregar ao prazer das comprinhas!!!! Eu costumo ficar horas nessas lojinhas cheias de coisas úteis-fúteis, remexendo em tudo e procurando presentinhos originais e posso fazer uma lista de gifts shops incríveis… mas tem uma que é a minha preferida disparado – a do Victoria & Albert Museum em South Kensington!!!!!!!!!!!
O V&A é um museu de arte decorativa e design com um dos maiores e mais importantes acervos do mundo e tem uma ala inteira só sobre moda que dá pra ficar horas e horas sem piscar (onde está acontecendo a mega exposição The Golden Age of Couture e deve ser inacreditável!!!!!!!!).
E foi passeando pela lojinha que eu achei The Little Dictionary of Fashion escrito por Christian Dior!!!! Foi amor à primeira vista… ele é rosa, tem capa dura, pequenininho e gordinho, super 50’s. E na definição do autor é um livro sobre moda “nem tão longo, pois se tornaria entediante, nem tão curto, pois seria insuficiente”.
Recheado de “dicas” de moda e elegância, achei coisas incríveis como “algumas vezes apenas um botão bem situado tem um efeito muito melhor do que uma erupção de botões” ou “elegância é a combinação exata de distinção, naturalidade, cuidado e simplicidade – fora isso, eu posso garantir, não existe elegância, apenas pretensão”!!!!!!
E mesmo tendo sido escrito pra mulheres da década de 50, Christian Dior dá lições valiosas pra qualquer pessoa em qualquer época… e aí vai a que eu mais gosto (na íntegra e sem tradução que fica bem mais legal):
“ZEST
This is a happy word with which to end my dictionary of fashion. Anything you do, work or pleasure, you have to do it with zest. You have to live with zest… and that is the secret of beauty and fashion, too. There is no beauty that is attractive without zest. There is no fashion which is good without care, enthusiasm, and zest behind it. Zest in designing… zest in making… and zest in wearing your clothes”.
Ontem a temporada de desfiles de alta costura abriu em Paris com um mega show da Dior. A marca tá comemorando 60 anos e 10 de John Galliano na direção, por isso a festona. O estilista fez coleção super Maria Antonieta (o filme), e pesquisou o trabalho de artistas que influenciaram o prórpio Christian Dior pra apresentar uma releitura do trabalho da maison. Tudo na visão pessoal do estilista: exagerado, barroco, com excesso de maquiagem e colorido, como a gente já conhece. A passarela tinha neotops tipo Gisele e Carol Trentini e tops ‘antigas’ (pode falar assim?) tipo Naomi, Linda Evangelista e Amber Valetta.
A gente nem curte tanto os desfiles de alta costura, mas o trabalho do John Galliano pra Dior é sempre um estudo: a gente já tinha amado a última apresentação dele. No desfile de ontem, cada vestido desfilado representava uma ‘era artística’ e teve vestidos bem belle époque, tailleurs anos 40 e vestidos coluna de chiffon. Pára pra pensar que foi tudo feito e bordado à mão!?!! É super inspirador! (mais aqui e aqui. aqui tem celebs que foram ao mega evento, usando Dior, of course.)
Mais off-spfw (não tô conseguindo ainda!): todo mundo tá falando do desfile da alta-costura da Dior, semana passada. Tem vídeo com os 40 minutos de duração do desfile (40? sério? sério!) no Filme Fashion da Alexandra Farah e tem resenha + fotos no style – fotos amazing, por sinal.
O que eu achei de mais legal foi o link com a imagem (linda!) que inspirou um dos vestidos, de uma gravura desse artista japonês Katsushika Hokusai. A gravura é de 1931 e o vestido é da semana passada, não é louco? E incrível?