Um filme antes da primeira modelo pisar na passarela denuncia: a tristeza chegou. O vestido branco é picotado e tingido de preto e o semblante tranquilo de quem o usa dá lugar ao desamparo. Desolados, os modelos – entre eles Alexandre Herchcovitch, Fabia Bercsek, Lara Gerin e Dudu Bertholini – caminham sem rumo na passarela coberta de carvão e restos queimados. É difícil manter o equilíbrio ou enxergar um caminho na neblina, mesmo usando coturnos. É difícil se libertar das cordas que prendem e oprimem, mesmo em trajes de modelagens amplas e confortáveis. Essas cordas foram parar até nos pescoços dos modelos – um símbolo forte, daqueles com o qual Marcelo Sommer está acostumado, já que canceriano gosta de ícones e objetos que carreguem simbologia ou tragam sorte. Todo mundo se perguntou se era tudo reflexo dos tempos de crise ou de um momento pessoal. A gente refletiu muito sobre o que foi mostrado/sugerido naquela sala 1 da Bienal. E sem chegar a uma conclusão a gente se agarra na ideia da esperança que surge – em forma de Luciana Curtis, linda, vestida de verde e grávida – e segura com força na mão Do estilista.
A gente AMA coordenações de estampas, de todo jeito, desde que a gente escreveu nossa fórmula usando a Ugly Betty como modela (clica pra ler!). Hoje o desfile Do Estilista, marca do Marcelo Sommer (que é lindo, não, Brasil?) deu outra aula de coordenação de mil padronagens diferentes. Em peças diferentes combinadas ou numa mesma peça, e sempre do jeito que a gente mais gosta: repetindo as mesmas cores. Era tudo azul e branco (os sapatos às vezes eram coloridos!), e tinha listra com bolinhas com xadrez com “motivos holandeses”, tipo moinho e tals (o tema do desfile era Holanda). O segredo que a gente ensina na vida real pras clientas, “o estilista” explicou hoje com seus looks de passarela: pra coordenar estampas, uma delas sempre é dominante à outra, tipo sem competir: ou em tamanho (uma maior e outra menorzinha), ou em espessura (uma mais fininha e outra mais grossa), ou em espaçamento (desenhos mais juntinhos e desenhos mais separados), sabe como?!?? É olhar na figura e treinar em frente ao espelho.
mais fotos do super charles naseh! ;-)
Mas calma: é de treinar mas também é de esperar chegar na loja (vende em mointos lugares, sabia?!??), que os vestidinhos com mangas de barrado plissado (bem bonitinhas!) são tudo de bom! E são o jeito perfeito de usar vestido tipo chemise, seriozinho, mas sem ficar com cara de escritório – por conta das estampas e das sacadas de modelagens super jovens (e animadas!) do Marcelo Sommer. ;-)
P.S. 1 Os meninos Do Estilista são os que a gente mais curte até agora! Meninos que leem a gente, se jooooguem na loja que as coisas todas são bem bonitinhas!
A gente já sabe que a inspiração no country vem com tudo nesse inverno e além da óbvia camisa xadrez, a gente pensou que um jeito bem legal de entrar na tendência é usar botas cowboy.
Com essa motivação acabamos no Waltão, uma loja pequenininha no meio do Itaim que tem um tanto de modelos de bota cowboy e que ainda faz sob encomenda… é só escolher material (couro liso, bordado, croco, lezard), cor e shape (mais longa, mais curta) e esperar uns quinze dias que a bota “hand made” vira sua!!!
Tem um fotolog da marca com mais várias outras opções!!!
O jeito mais legal de usar bota cowboy nesse inverno é com vestido – pode ser vestido de tricô, chemise, redingote, com a saia mais rodadinha ou mais sequinha – e com comprimento na altura dos joelhos de preferência!!! Foi assim que a gente viu nos desfiles do Reinaldo Lourenço de Do Estilista. Nesse último a gente viu bota cowboy com calça xadrez e dá pra pensar em calça alfaitaria também. Só não vale usar com calça jeans, né!?! Fica parecendo fantasia!!!
Eu tava só provando… bota cowboy com calça por dentro, nunca, nunquinha, OK!?!
Diz que foi assim: uns aventureiros toparam desbravar o oeste americano e meio que domar os índios que ocupavam esse pedaço de terra pra fazer com que o progresso chegasse lá. Era uma gente que não tinha nada a perder, que trabalhava com terra e com gado, o lugar era todo deserto e o uniforme deles era o jeans (pra dar conta do trabalho todo). Junta o jeans com camisas em algodão xadrez, franjas e camurça (influência desses índios), tons terrosos (do deserto!) e botas de vaqueiros, pronto: a tendência country pro inverno que vem tá explicada. =)
Pra vida real o country acontece mais sutilmente (a gente acha!), mais calmo – perigo de fantasia! Looks feitos com peças rústicas e refinadas, usadas juntas, já entram no clima. Detalhes como pespontos, debuns e viéses (ãhn?!??), estampas xadrez, lenços e xales, botas cowboy e florais bem campestres também estão super valendo. Camisas com mangas curtas ou compridas em cores quentes tipo laranja, amarelo, mostarda, vermelho são bons complementos pra saias jeans na altura dos joelhos, calças em alfaiataria, coletinhos de tricô, macacões e ponchos. E acessórios feitos em couro desgastado, com fivelas grandes ou com franjas provavelmente vão mega aparecer na rua e em volta da gente (mointo!).
Os looks do post são dos desfiles do Marcelo Sommer pra sua marca Do Estilista e do Reinaldo Lourenço – que trabalhou essa referência western do jeito mais chique e elegante do mundo (a bota cowboy dele é ma-ra-vi-lho-sa!). E aqui em cima tem Madonna super super vanguarda, mil anos atrás (quando?) no clipe de Don’t Tell Me, fazendo o velho oeste ter cara de moda (e de desejo). Quer mais?!?? Teve matéria bem legal no Chic.
Nesse último dia de SPFW de inverno a gente só viu desfiles lindos (foi uma temporada de desfiles-looks-tudo bem bonito!) e tem mil momentos incríveis pra lembrar forever and ever, tipo o desfile da marca Do Estilista do Marcelo Sommer hoje à tarde. O desfile aconteceu no bosque do parque Ibirapuera, atrás do prédio da Bienal (onde todo o resto do SPFW acontece), num fim de tarde embalado por Arnaldo Antunes ao vivíssimo, ali no meio das mega árvores.
As modelas desfilaram looks super ‘country’, bem amarelos e laranjas e azuis e brancos que a cartela foi inspirada no fogo e nas suas chamas – ficou o máximo! A gente tava com medinho de chover (todo mundo ganhou capinhas de chuva bem simpáticas), mas não choveu e a gente saiu, de novo, se achando mega sortudas por trabalhar com o que a gente trabalha e ter oportunidade de participar de momentos bacanas como esse. =)
A gente tá com vontade de conversar mais com os meninos desse blog há tempos, e de aprender mais de moda masculine também. Daí convidamos o Sylvain pra uma “coluna pros meninos” e ele topou! Eeeeeee! A gente é fã do C’est Hypercool, blog que o Sylvain edita (entre Vogues e GNT’s Fashion, que ele é mointo chique!), e da liguagem dele lá – o blog é cheio de referências jovens e eshpertas e mega vale a visita! Agora a gente tem que cruzar dedinhos pro Sylvain topar aparecer mais e mais por aqui: meninos, façam coro nos comentários! =)
Verão chegando e as dúvidas de como estar bem vestido debaixo de uma lua de 35 graus são bem normais e freqüentes. Afinal, quem agüenta manter a linha e se preocupar com moda na estação mais quente do ano quando o que mais se quer é tirar tudo e vegetar a beira-mar? Antes de tudo, obrigado meninas, pelo espaço e por poder falar um pouco mais pros desamparados homens brasileiros que gostam de moda. Achei um ótimo complemento pro c’est hypercool poder postar aqui alguns dos meus pitacos. Vou tentar dar umas dicas básicas, com peças-chave do momento, pra não fazer feio e ainda assim ficar confortável.
looks de john galliano, osklen, do estilista, v.rom e ivan aguilar
Quem acompanha a moda masculina de uns tempos pra cá já deve ter ouvido falar da calça dhoti, folgada no cavalo e seca nas pernas. Espécie de saruel light – ou seja, o cavalo não é tão baixo assim -, é indicada pra quem tem menos de um metro e setenta e não quer parecer anão vestindo uma saruel tradicional, principalmente se for de cor clara. No Brasil, recomendo as da Osklen, que já aposta no formato há algumas estações e domina bem o shape. Quem puder comprar a da coleção nova do John Galliano (na foto aqui em cima), melhor ainda. Prefira uma cor escura, sempre. É mais fácil de combinar e vai durar mais de um verão no seu armário. Se tiver uma clara e não sabe mais como usar, mande tingir. Fiz isso com uma saruel cinza antiga e ficou ótimo. Quando for usar uma calça dhoti, combine com uma parte de cima mais seca, próxima do corpo. Valoriza a calça e alonga a silhueta. Nos pés, tênis flats, tipo Converse completam bem.
Na França, calças pretas vivem um momento de hype absoluto, em seus mais diferentes cortes (look Osklen na foto). Os meninos da banda Phoenix estavam TODOS de calça escura no show do Nokia Trends. Vale skinny, tradicional e dhoti. Pro verão, eu acho lindo combinar com camisetas de cores suaves mas contrastantes, tipo lilás e verde-água. Nem precisa gastar muito nas t-shirts: a cartela de cores de verão da Hering tá uma delícia. Vai lá.
Esquentou demais? Troca a calça por uma bermuda…escura. É sempre a melhor base se precisar montar uma produção elegante. As largonas utilitárias estão em alta também. Se for uma produção urbana, com cara de trabalho, o shape seco ainda é o melhor. Looks monocromáticos dificilmente dão errado, por isso são uma solução prática. Dá pra acender com acessórios em cores vivas. Isso tudo pra um homem que gosta de pensar em combinações na hora de se vestir. Pra quem não tá nem aí pra combinações, boa notícia: pode misturar tudo! Claro, com bom senso, sempre. Essa é uma dica para os mais jovens, principalmente. Xadrezes e listras podem e devem conversar, já provaram a V.Rom e a Do Estilista, (na foto, aqui em cima) melhores exemplos nacionais dessa tendência. No entanto, se a intenção é valorizar uma peça estampada ou listrada, melhor completar com uma peça lisa. Seja na parte de cima ou na de baixo.
aqui tem mais v.rom (fotos 1, 2 e 4), mais ivan aguilar (colete) e por último mais osklen (cardigan)
A hora é das sobreposições. Abuse. E como eu adoro os tons pastel da cartela de cores do verão atual, não posso deixar de indicar as combinações dos tons entre si. Chique, fresco e atual. Por falar em frescor, sempre bate aquela brisa de fim de tarde, mesmo no verão (esses últimos dias têm sido assim em SP). Nessa hora, chega de moletom. Tire do armário outra peça-chave da estação e dê um toque mais elegante no seu look: o cardigan é hit na Europa toda e tem tudo pra pegar por aqui. Recomendo. Pronto. Já dá pra começar a pensar num verão mais elegante, né?
A gente quase não assiste ao desfile mais legal de hoje (in our humble opinion!), o do Marcelo Sommer – estávamos lanchando no restaurante do MAM e corremos pra sala de desfile com as luzes já apagadas. Assistimos de pé, atrás de uma multidão, mas ainda assim valeu super a pena (só a trilha, cheia de Chico Buarque, já valia!). Que essa coleção Do Estilista foi ainda mais legal que a primeira apresentada por ele, na última edição do SPFW.
A coleção tem tema Rio de Janeiro dos anos 20 e souvenirs e tem a cartela de cores mais calminha dessa temporada: rosa, azul, verde e amarelo bem clarinhos apareceram mil vezes, junto com um pouquinho de preto (tá cheio cheio de preto pro próximo verão, a gente tá passada – vai virar post daqui a pouco). Os vestidos são bem soltinhos e as formas são confortáveis, e a gente achou que a imagem feminina da marca amadureceu do último desfile pra hoje – é lúdico, é Marcelo Sommer, mas tá mais adulto!
Muitos plissados em detalhes espertíssimos enchem saias e nesgas em vestidos super desejáveis. As calças têm duas modelagens: soltinha, com a perna mais larga, ou bem skinny e cheia de bolsos (uma nova calça cargo? tipo adesiva?). Achei demais. Teve muita transparência, o que deixava as meninas fofas da marca um pouquinho menos fofas e mais sexy. Pra meninas e meninos teve muita sobreposição, especialmente com coletes – peça que a gente super acha que vai continuar acontecendo no verão.
Os meninos estavam incríveis, com bermudões bem soltos, camisetas com estampas do pão de açúcar (lindas!), terninhos em risca de giz reinventados por mega botões e tênis tipo vans em xadrez. Aliás, o xadrez marca registrada do MS veio lindíssimo dessa vez, em tons de verde, azul marinho e turquesa. E a gente vai considerar as sandálias tipo crocs apenas como styling e não como opção pra vida real, ok? =)