Pra individualizar, pra deixar a moda com a nossa cara, a gente tem que variar as lojas onde faz compras, procurar referências pessoais pra interpretar nas roupas e – melhor de todos! – exercitar coordenações. Esse exercício pode começar com todo mundo treinando outras além dos conjuntinhos. Começa assim: se tá tudo muito combinadinho, troca alguma coisa e experimenta o que na teoria não funcionaria – usa essas direções daqui e conta se não deu (mais!) certo. ;-)
SAPATO E BOLSA
Sapato e bolsa também não precisam ser iguais – nem em materiais e nem em cores! Essa estória de combinar o que se usa nos pés e o que se carrega nas mãos é tão antiga que a gente nem lembra de quando é. A ordem é priorizar a harmonia entre roupa e sapato, e então complementar o equilíbrio com bolsa coerente com o resto todo. Pra saber o que combina com o que com mais detalhes, revisita esse post aqui (clica!).
ACESSÓRIOS
Nem os menores detalhes precisam ser iguaizinhos! Brinco, anéis, colar(es), pulseira, relógio e broches podem ser super diferentes entre si. É bom ter alguma coisa em harmonia, tipo forma, finalidade (mais formal, mais informal), peso, tema, material… mas só. Não precisa nem ser tudo dourado ou tudo prateado.
No Fashion Gazette teve post tempos atrás falando da diferença entre combinar e coordenar: “combinaré mais fácil, não exige tanto trabalho, raciocínio; coordenar não é tão simples – é preciso autoconhecimento, personalidade e ter coragem pra tentar o diferente.” É esse o espírito! E esse post também podia se chamar “Pelo não-estreitamento do olhar”. Ou ainda “Pela expansão das nossas possibilidades ‘coordenatórias’”. Haha. ;-)
Pro próximo inverno Samuel Cirnansck super fugiu da idéia mais óbvia! Tweeds fininhos – material parecido com tailleurzinhos tipo Chanel – confeccionaram vestidóns de festa, com caimento desestruturado e bem feminino. Legal pensar que as formas mais atuais (como os ombrinhos) e também as mais originais (como volumes feitos com dobraduras) podem aparecer em superfícies tradicionais (como vestidos de festa e tweed!). Valeu a inspiração de pensar além, de misturar elementos e tempos e referências e direções de dresscode.
O jeito-Samuel-Cirnansck de misturar leve e pesado (hit pra próxima temporada) apareceu na própria roupa e também na coordenação com acessórios – duas fórmulas super fáceis pra gente exercitar. Os vestidóns de lã tinham barra de mini-cascata de babados em seda, vestidinhos-nada de renda transparente foram usados debaixo de casacos pesados em lã. E looks delicados de festa foram desfilados com sapatos-botinhas fechadas, com correntes e tudo. Mix de peso visual até na festchinha!
Sacada extra: o xadrez de todo inverno não precisa aparecer em forma de tecido já estampado (e nem ser personagem principal): o estilista BORDOU seu próprio xadrez – tido como informal! – num vestido super elegante, apenas como detalhe-coadjuvante do look!
Sabe quando a gente tem coordenações já prontas – e previsíveis – pra peças do próprio armário? Tipo “ah, essa blusa estampada de azul e branco eu uso com… calça branca!” ou “vestidinho cáqui com verde eu sempre uso com coletinho cáqui”?!?? Derivação do pensamento: “blusa pink eu uso com jeans” OU PIOR!, “qualquer top super colorido eu uso com… calça preta!” Essa é a primeira idéia de que a gente tá falando! E é dessa primeira idéia que vem à mente quando se pensa em coordenar qual-quer-coi-sa, dessa idéia mais óbvia e segura, que a gente tem que fugir!
Quase sempre as alternativas que a gente se força a achar pra essas primeiras idéias são mais legais, mais originais e mais autênticas. E nem sempre é fácil – às vezes a gente só pensa num tipo de coordenação, e é assim que vale mais o esforço: tem que tentar de um jeito, tentar de outro, provar até o que na teoria tem tudo pra dar errado… até dar certo. E tentar pensar em outras cores, em outras estampas, em outras texturas e outras mensagens. Tipo: com uma saia longa e super étnica a gente pensa logo em regata branca e colar de madeira, né? Pois mais legal seria caminhar pra direção contrária e juntar essa saia com uma camisa de botõezinhos, mais larga, e com um colar de correntes douradas, por exemplo. Sacou?
Isso daí vale pra tudo: pra peças específicas, pra sapato, pra bolsa, pra acessórios menores… e funcionam na prática com pequenas mudancinhas, mas gerando grandessíssimos resultados. A gente aproveitou pra fazer esse exercício nos provadores da MOB, onde a gente trabalhou durante toda uma tarde! Porque idéias que parecem conflitar, quando colocadas em prática, só acrescentam interessância – e originalidade! – ao look. Oficinas na MOB em campanha contra a obviedade do look!