A foto que ilustra esse post é a do dia em que eu, a Cris e o Fabio Ishimoto trabalhamos juntos pela primeira vez, em 2002. A gente tinha se conhecido duas semanas antes e depois disso nunca mais se desgrudou. Eu e a Cris viramos Oficina de Estilo e o Fabio virou o produtor de moda mais bem sucedido que a gente conheceu desde sempre – agora ele também faz styling e edita editoriais sozinho, depois de anos quase exclusivos de Vogue. Ele virou unanimidade em assessorias, com fotógrafos, modelos e com todos os profissionais com quem lida: todo mundo admira a educação, a seriedade, o trabalho duro e a elegância do Fabio. Então, se a gente aprende um tanto com ele, todo mundo daqui do blog pode aprender também, né? Olha só.

COMO COMEÇOU?
Tinha interesse e quase nenhum conhecimento na área de moda em geral e fui pesquisar algum curso bacana. Acabei conhecendo e estudando com a Ilana Berenholc. Não poderia ter começado melhor, pois foi uma das primeiras pessoas a me orientar e aconselhar. Depois estagiei um tempinho com a Manu Carvalho, com quem também aprendi muito e finalmente fui fazer um curso com o Giovanni Frasson, meu maior e eterno mestre, que me chamou pra trabalhar com ele na Vogue, onde fiquei por uns 6 anos. Read more
Conquista de amigos é nossa conquista também, e a gente quer comemorar junto! A gente conheceu o Fabio Ishimoto na ocasião em que se conheceu (Fê e Cristi), ele viu a Oficina de Estilo acontecer e esteve por perto desde então, o tempo todo. O Fabio já levou o blog pra dentro de um editorial sendo fotografado, pra dentro de um desfile da Dior e também pra uma prova de roupa antes de um desfile – tudo por amizade, tudo pra dividir informação legal com todo mundo (clica que os links valem a pena!). Ele trabalha há tempos com stylists bacanérrimos, sempre como assistente, e pela primeira vez ele assina um editorial de Vogue sozinho! A gente quer comemorar! O editorial de acessórios da Vogue BR de junho foi feito pelo nosso amigo, e ele contou mil coisas pra gente sobre como foi legal pensar, fazer acontecer e entregar essas fotos. Olha só!

Diz que no início a idéia da pauta era fotografar acessórios étnicos, acompanhando o tema da revista toda. Daí ele começou a pensar em acessórios étnicos e maxi, bem grandões. Daí pra pensar em muitos acessórios juntos foi um pulo. Read more
Quem é stylist e quem é personal stylist trabalha com a imagem que a roupa comunica sobre quem veste. A roupa é a linguagem que os dois profissionais utilizam pra narrar suas “estórias visuais” – o que cada um conta, e como conta, é que faz diferença. Stylists contam estórias “de mentirinha”, com personagens (modelos) e ambientações idealizadas (cenário/locação, maquiagem, luz, design, música). Na estória que o stylist conta, a roupa pode estar presa por alfinetes, pode estar colada com fita-crepe, pode não facilitar mobilidade e mais. Stylists contam estórias de moda, fazendo a gente enteder direitinho temas e inspirações e tendências e idéias vindas das pasarelas (quase sempre) – dando inspiração pra gente usar essa moda.

Personal stylists têm que contar estórias de verdade: quem contrata esse serviço já tem uma história pra ser contada (de vida!), com ambientação também de verdade – casa, local de trabalho, rotina, hobby, deslocamentos, filhos, profissão e mais. A roupa tem que funcionar pra valer, de todo jeito. Em qualquer luz, em todo ambiente – muitas vezes durante o dia inteeeiro! Personal stylists fazem a inspiração fornecida pelo stylist se materializar, acontecer no armário e na vida de clientes – e aí a gente entende que o stylist trabalha pra moda e o personal stylist trabalha pra gente (é isso mesmo?). Personal stylists amam mais o pé do que o sapato – e essa lição a gente aprendeu quando entendeu essas diferenças!
Esse texto tem colaboração da Tati Rodrigues, que transcreveu uma aula que a gente deu na Escola SP tratando do mercado e da profissão de personal stylists. Ontem a gente fez essa mesma aula pras turmas calouras de moda daqui do Senac/SP e pensou que nunca tinha postado essas diferenças aqui no blog! Na próxima aula a gente aproveita pra fazer vídeo! ;-)
Mais de stylists e personal stylists:
O super trabalho dos stylists
Personal stylists na tv e na vida real
Biblioteca de personal stylists
Muitos links sobre stylists daqui do BR
A gente ama as Vogues francesa e americana aqui na Oficina, são as duas leituras que não faltam em mês nenhum. As duas servem de guia pro nosso trabalho, as duas inspiram, as duas são super consideradas pelos fashionistas – mas as duas são super diferentes, porque têm editoras super diferentes: a Anna Wintour e a Carine Roitfeld. Bom é que as duas meio que são complementares, e a gente resolveu pensar porque a gente curte cada uma delas. E a gente pensou em grupo, junto com os amigos stylists Fabio Ishimoto e Heleno Jr., porque amigos fashionistas sempre acrescentam. =)

olha umas capas da vogue américa

e umas da vogue paris
A Carine Roitfeld é mais jovem, mais moderna, mais ousada e mais sexy – a Vogue Paris também é tudo isso porque é mointo a cara da sua editora. A Anna Wintour é mais tradicional, mais clássica, se arrisca menos e é mais classuda, mais elegante – e a revista que ela comanda, a Vogue América, também tem essa cara certinha, mas chique. A Vogue Paris é inovadora, é provocadora, tem um projeto gráfico todo não linear, quase maluco. A Vogue América é politicamente correta, não dá chance pra ser criticada, é mais conservadora. Carine põe nas capas da VParis modelas magérrimas, peles e cigarros. Dona Wintour põe atrizes de Hollywood (ninguém mointo magra pra não reclamarem das questões de distúrbios alimentares e tals), com mointa jóia que a mulher-vogue-américa é rica.

essa é carine. oi, carine, muito prazer. =)
Fabio Ishimoto lembrou que a VAmérica pode até ser caretinha, mas que mostra a roupa como ela deve ser usada – sempre do jeito mais glamouroso, da forma mais elegante e ao mesmo tempo mais atual. Inspira e faz sonhar, mas o que se vê é um sonho alcançável: a gente pode ser daquele jeito. O Heleno defendeu a VParis e disse que tem que fazer sonhar mais alto, tem que sacudir quem lê a revista com mais que o possível – ele entende que imagens de moda precisam ser inusitadas, precisam causar algum estranhamento, pra que a gente estude mais, tente decifrar códigos, leia elementos e assim, cresça em inteligência-fashion. O Fabio contou que Anna Wintour uma vez explicou porque a VAmérica ama tanto a Carol Trentini: diz que a Carol é (na opinião da editora) supermodela linda magra e tals, mas que tem cara de gente de verdade e gera identificação com a leitora da revista. E aí o Heleno disse que as modelas de VParis não são tão “vida real”, mas vendem desejo, mexem com a imaginação.

e essa é anna. oi, anna, a gente já se conhece.
Os dois amigos disseram pra gente ficar bem de olho nas próximas edições das duas revistas, por conta de uma troca de profissionais de uma e de outra: o diretor criativo da Paris foi trabalhar numa outra revista (a Interview) e uma editora de moda, também da Paris, foi trabalhar na Vogue América! A gente vai prestar atenção sim e vai continuar lendo as duas, que a VAmérica é mais vida real, é mais comercial e é mais a nossa cara meishmo, mas a vida real se abastece de sonho e a VParis cuida disso aqui pra gente. Alguém mais tá empatado em preferência? Ou acha que vale mais o $$$ de uma ou de outra (que elas são caaaaras, né, minha gente?)?!??
• A gente é bem fã das imagens que vemos nos desfiles da alta costura (falamos na semana passada, aqui e aqui). Porque é tudo mointo rico, tudo encanta, sempre cheio de detalhes e trabalhos inacreditáveis. Quer entender porque é assim e como tudo na alta-costura funciona? O Cajon DeSastre fez um post curtinho e mega explicativo, passa pra ver que vale.
• Bolsas da moda: um monte de parcerias de fazedores de bolsas e estilistas legais, tipo Thais Gusmão e Fábia Bercsek e Simone Nunes fazendo bolsas pra Le Postiche (eeeee! baratinhas!), com fotinhos no Novidadeiras e tudo. Quer mais?!?? Tem Stella McCartney fazendo bolsas pra LeSportsac – essas são in-críííí-veis e diz que vão ser vendidas pela internet! Vamos todos torcer pra entregar no BR e juntar dinheiros desde agora, que as bolsas vão ser bem menos caras que as da marca principal da estilista, mas ainda assim… é em dólar, né?

mochila de coelho de stellinha para lesportsac: quero uma tipo agora!
• Sabe o que a gente tá adorando? Blogs de jornalistas e de editores de moda. Deglícia saber dos pensamentos de gente super inserida no meio, conhecer a visão de quem tá pertinho de tudo que acontece na indústria e no ferrrvo (como diz a Gabi!). A Simone Esmanhotto, editora da revista Elle, acabou de inaugurar um blog e foi lá que a gente viu que pro próximo inverno não basta só a gente escolher um floral qualquer pra atualizar o look, tem que prestar atenção num floral específico: a mensagem que se comunica com o floral ‘da hora’ faz toda diferença!
• Lembra que a gente comentou da Victoria Beckham como modela pra uma campanha/caridade do Marc Jacobs? Depois de estrelar a campanha grande da marca (é ela aqui, acredita?!??), a foto da Posh Spice tá estampada nessa camiseta – eu suuuper queria uma! =)
• Transmissão de pensamento: a Márcia postou no blog dela o que ela achou da coleção de inverno da Osklen e a gente achou tudo igualzinho (tipos a gente ainda tá estudando o desfile pra escrever sobre, mas é bem isso meishmo). E o mais legal é que ela diz o que pensa (super penso igual!) e no fim diz que vai ter alguma coisa dessa coleção, nem que seja uma camisetinha – quem viu o documentário Lagerfeld Confidential naquele dia que passou na internerd viu o Lagerfeld em si dizendo que o amor pela moda só vale mesmo quando a gente USA a moda de verdade, né?!?? Arrasante.

fabio ishimoto e carol trentini: best friends forever (oooolha!)
• Pra terminar, uma homenagem (quase) gratuita ao amigo mais que querido Fabio Ishimoto. Porque ele é um produtor/stylist mega talentoso, porque ele já teve série de posts aqui no blog (quer ver de novo? aqui, aqui, aqui, aqui e aqui), porque ele já me levou de assistente pra acompanhar uma foto incrível e um desfile da Dior (tá?) e porque tem super chances da gente trabalhar junto com ele logo logo – e a gente tá feliz da vida com a possibilidade! =)
Sustentabilidade é assunto de moda, e desde que a designer inglesa Anya Hindmarch resolveu fazer “a bolsa que não é uma bolsa de plástico” a gente tá nessa onda de sacolas eco-fashion. Tipo todo mundo tem que ter uma sacolona pra carregar coisas de trabalho e compras de supermercado e afins – de preferência de tecido pra não estragar o planeta ao usarum zilhão de sacolinhas de plástico.

essa é uma das versões da louis vuitton
Mas se a idéia é não usar mais as sacolinhas de plástico, uma sacolona em qualquer material e não somente em tecido) super funciona, não? E as sacolas de tecido sempre sujam mais, precisam ser lavadas… O Chic já tinha feito matéria sugerindo modelos de bolsas reutilizáveis e mostrando um monte de gente legal que já usa. A gente resolveu que a nossa bolsa reutilizável favorita é a bolsa de plástico da feira.

essa é a charlotte gainsbourg carregando a bolsa dela no filme
Que a Louis Vuitton fez a versão da feira com seu logo no desfile pro verão, meio que implicando com os chineses que atrapalham as vendas com as cópias que produzem lá (diz que eles carregam tu-do nessas sacolonas). E Charlotte Gainsbourg usou uma dessas em Science of Sleep – não tem nada mais legal do que essa moça, alta magra super cool e linda, carregando essa sacola de feira. Tá tendo aqui em SP essa exposição de bolsas reusáveis (diz que vai rodar o BR todo!) que dá uma força na hora de fazer a moda pegar na vida real – que é bem fácil a gente ter vontade de carregar essas sacolas quando elas são incríveis, né?

essas são as da feira de quinta-feira aqui nos jardins (bem glamour!)
A gente usa umas sacolas bem tipo essas pra carregar nosso material de trabalho quando vamos às casas das clientes; as nossas são listradas e super coloridas – o Fabio Ishimoto também usa e ele é beeem chique! E custam tipo R$ 15,oo, não é uma delícia?!?? Em qualquer feira tem e dá até vontade de carregar uma dessas pra cima e pra baixo pra não perder oportunidade de usar E de ser eco-fashion.
Na última FFW Mag teve um editorial todo roxo que a gente amou, produzido pelo Fabio Ishimoto, com uma super linda Michelli Provensi acompanhando o gatchinho dessas fotos aqui.

Na Vogue desse mês, tem Camila Pitanga na praia (com direção de arte do Giovanni Bianco) e as fotos têm esse mesmo filtro roxo, que a gente tá MEGA amando.

E aí que a Wendy ganhou a versão dela em roxo, feita pelo Michell. Só falta ter bolinhas pra ficar mais temática ainda, né?!?? =)

Tive a grande sorte de assistir ao desfile da Iódice sentadinha do lado do super-stylist-mega-produtor-da-vogue Fabio Ishimoto, e além de dar muitas risadas (porque ele tem histórias ótimas) fiquei sabendo do que ele mais gostou da coleção de Waldemar… “Adoro os jeans sequinhos , de cintura alta, com debrum metalizado. Adoro também o batom vermelho e o cabelo da Michelli Provensi, meio pra fora …ah! e o casting foi incrível!!!”. Não tem como discordar, né!?! E eu gostei também dos primeiros looks, com legging preta.

Fotos do EP e Chic
** post gigantesco escrita à quatro mãos, por mim e pelo Luigi,
que não ia rolar sem a Cris e o Fabio Ishimoto…
somos quantas mãos ao todo?? **
Eu e a Cris somos personal stylists: trabalhamos o “conceito de imagem” – estilo, aparência – de cada cliente nosso, individualmente e de forma personalizada (por isso personal stylists). Se a gente tirar o ‘personal’ e ficar só com o stylist, estamos tratando de outro profissional, com função diferente da nossa (mas relacionada, em outra proporção, claro!).
O stylist é o profissional que concebe, junto com a marca e seus estilistas, a “cara” da coleção a ser apresentada primeiro no desfile e depois ao mercado (”conceito de imagem = estilo, aparência!). Desde o início da criação das peças o stylist trabalha em parceria com a equipe de estilo: juntos eles pesquisam referências, determinam formas, modelagens e cartela de cores a serem trabalhadas e desenvolvem peças-chave que trarão em si as informações de moda mais importantes de cada coleção.

Hoje à noite eu, Cris e Luigi acompanhamos uma prova de roupas na fábrica de uma marca bem importante que vai desfilar no SPFW (a gente também acha um saco não poder – ainda! – contar qual é…), capitaneada pelo Giovanni Frasson: super stylist, editor da Vogue Brasil. Depois da coleção pronta, o stylist agrega a função de editor e seleciona peças especiais, cria looks incríveis com essas peças, ordena os looks e define que modelos vão usar o quê na hora do desfile. Os looks ficam agrupados em araras, numerados e pendurados na ordem de entrada (dos modelos).

modelo (quem?) sendo fotografado e carol trentini provando seu look
O stylist faz o casting (seleção de quem vai desfilar) junto com os estilistas da marca, e os modelos têm um dia reservado antes do desfile só pra provar seus looks. Nesse dia todos vão até a fábrica (ou o showroom ou whatever) e, um por um, provam as peças separadas pra eles, desfilam com elas, são analisados e fotografados. A equipe* que acompanha esse processo presta atenção nos tamanhos das peças (muitas calças ficavam largas nos modelos!), em possíveis ajustes, faz anotações, observa caimentos e movimentos e cuida pra que tudo esteja perfeito na hora do desfile de verdade.
*No caso da marca que visitamos hoje, a equipe tinha mais ou menos 20 pessoas! Eram 5 estilistas (1 de masculino, 1 de acessórios, 1 que só faz jeans e 2 de feminino), funcionários de marketing e assessoria de imprensa, modelistas, estagiários, diretor de desfile, donos da marca… e os stylists!
Durante a prova a equipe toda é guiada por um super quadro de referências: os looks são fotografados em ‘modelos de prova’ e colados em sequência nesse quadro, pra que se tenha uma idéia geral de como está a edição do desfile. Quando as provas são feitas nos modelos que vão mesmo desfilar aqueles looks, tudo é fotografado pra que um quadro igual a esse – mas com as fotos dos modelos “definitivos”- seja levado pro backstage do desfile pra guiar os profissionais que trabalharão lá, na hora.
O stylist ainda pensa em referências para cabelo e maquiagem e define esses elementos em parceria com o profissional escolhido (na nossa experiência, o Giovanni escolheu o Max Weber – super colaborador da revista Vogue – para cuidar da beleza desse desfile). Às vezes o maquiador/cabelereiro até dá opiniões, mas quase sempre o stylist já sabe bem o que quer.

And that’s not all for today, folks. A assessoria dessa marca (grande e estabelecida!) não nos deixou falar mais nada…. até quinta, quando acontece o desfile. Juntando esse monte de pistas que a gente deixou all over this text, vamos aos comentários tentar adivinhar onde fomos hoje???
Se você chegou até aqui, saiba que o primeiro a acertar vem conhecer a gente no lounge da motorola na quinta-feira e ainda bate um papinho com o Fabio Ishimoto, que é um mega talento da nova geração de stylists, assistente do Giovanni nesse ‘trabalho-mistério’ e um amigo querido. Tá?
Pro Fabio Ishi e pra todo mundo que, tipo eu, ainda precisa de um tempo pra deixar de ser adolescente: Justin Timberlake fazendo ‘what goes around…’ ao vivo, sábado passado no SNL.
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