Nem tão de outrora assim, porque ela continua arrasando no trabalho! Arianne tem um currículo que muita gente gostaria de ter: trabalhou com gente bafônica do mundo pop e grandes nomes da moda – tipo Madonna e Tom Ford. E desde os fim dos anos 80/início dos 90 ela faz figurino de filmes bem famosos. Foi ela a responsável pelos looks de Garota Interrompida, Hedwig – Rock, Amor e Traição, O Corvo, O Povo Contra Larry Flynt e Johnny e June (com indicação pra Oscar inclusive!)
Arianne fez o styling da Madonna na turnê The Confessions, em 2006. Também trabalhou como personal stylist de Justin Timberlake e Courtney Love. Fez fotos pra The Face, Vogue Itália e mais. Ela consegue contar estórias de pessoas (personal stylist) e estorinhas inventadas (editoriais) com o mesmo bom tom, com o mesmo cuidado de detalhes – e por isso é reconhecida como ‘rara’ no meio onde trabalha. Read more
No fim de semana eu fui pela primeira vez a um show do Quinteto Villa Lobos, um grupo só com instrumentos de sopro. A música era linda (clica pra ouvir!), o auditório do Masp é um passeio por si só (e tem o museu todo pra visitar junto, né?!??) mas o figurino dos músicos me fez pensar… no nosso jeito de usar moda (!!!). O combinado pra “roupa do palco” pareceu ser calça preta + camisa colorida usada assim, pra fora, “descontraída”. E as escolhas de cores tavam super variadas – essa é a parte legal: uns escolheram coloridos-coloridos, uns escolheram coloridos-neutros, uns criaram contraste entre instrumento e camisa, uns procuraram mesclar tanto quanto possível o que usavam com o espaço e com o próprio instrumento. Vê que na foto (que não é a do ‘meu’ show mas que super tá no clima) tem músico que aparece mais que os outros, e tem quem quase some na imagem. Tudo porque a roupa não existe só na gente, mas no espaço em que a gente vive e com as coisas que a gente “carrega”.
A gente também pode pensar nessa interação: a gente não tá no palco, não tem suporte pra folha de música nem toca instrumento… mas tem escritório, tem lugar em que vai almoçar, tem mesa, tem sacola, tem cadeira em que senta e mais! Se a gente pensa como figurinistas de si mesmas, ó quanta coordenação de cores extra a gente tem pra fazer. Vale como exercício de cores e também como exercício de personalidade – isso do contraste faz com que a gente apareça super ou desapareça. E tem dias que a gente faria de tudo por um poder mágico desses, o de aparecer ou de desaparecer – não é mesmo? ;-)
Branca de Neve é uma das primeiras histórias que a gente ouve na vida, né!?! Agora imagina se a princesa do conto de fadas vestisse criações de Jean Paul Gaultier? E a Rainha Má, o rei, o príncipe, os anões e todos os súditos do reino também. Quem não gostaria de ter conhecido essa versão da história?
Não é sonho não, minha gente! Preljocaj é uma grupo de balé francês que por conta do ano da França no Brasil apresentou a sua adaptação de Blanche Neige – uma versão bem sombria e sensual – com o figurino todo elaborado pelo estilista.
Dava pra ver o dedo de Gaultier nas amarrações por cima de túnicas que criavam a ilusão de corsets, na ousadia do micro vestido/maiô da Branca de Neve, no fetichismo do body de metal, meias 7/8 e saltos altíssimos e finíssimos da Rainha Má, na coordenação de xadrezes do sete anões, nos capacetes com “crinas de cavalo” das cortesãs. Se a gente prestar atenção a gente exerga elementos super similares na turnê Blonde Ambition da Madonna (lembra?). Read more
No fim de semana eu assisti À Deriva, do Heitor Dhalia. O filme mostra a separação de um casal e a estória é contada do ponto de vista da filha mais velha deles (Filipa, nome ótemo), uma adolescente em férias de verão que, no meio da coisa toda, amadurece um tanto e vira uma mulherzinha fofa. É uma imagem maravilhosa atrás da outra, como se o fime fosse um álbum maravilhoso de fotos de sonho em movimento – lindeza de luz e cores e… figurinos!
O responsável pelos looks das personagens é o Alexandre Herchcovitch, que contou ao Lilian Pacce que buscou nas suas próprias memórias os elementos que resgatou pra compor os visuais do filme. Deborah Bloch, a mãe da Filipa no filme, usa plataformas e tamanquinhos e tomara que caia e shorts com cintura alta – gente a minha mãe usava exatamente esses looks na minha infância!!! Read more
No sábado à noite teve show de Roberto Carlos e o povo do Twitter tava todo ligado no Globo. Todo mundo twittando tudo, com comentários não só sobre o show mas sobre o que todo mundo tava usando no show – povo da moda é fogo, não desliga nunca! E Patrícia Poeta, apresentadora lindíssima à frente do Fantástico, foi quem conduziu o público telespectador pelo show do Rei (clica pra ver em vídeo!). Com um vestido que gerou uma conversooona no Twitter, tão legal que vale a pena ser trazida aqui pro blog!
Bom de acompanhar clientes durante um tempão é ajudar a achar um “caminho de evolução” pra aparência e estilo de cada um. As proporções continuam as mesmas, mas personalidades e vontades mudam de tempos em tempos – e a vida que acontece em volta, que também evolui e muuuuda!, influencia cada escolha. Fazer personalidade, momento e vontade se encontrarem em forma de look é uma alegria pra gente, é o melhor resultado de um trabalho. E essa semana a gente teve um resultado bom desses, no palco pra uma platéia enorme confirmar! A Bruna Caram fez show de pré-lançamento do seu segundo cd com um figurino LINDO da Oficina de Estilo!
A gente cuida da Bruna desde 2007 e, do início do trabalho pra cá, ela amadureceu como mulherzinha e como cantora. Natural, então, que o figurino acompanhasse: a gente trabalha aparência e estilo pessoal de cada cliente pra tudo na vida – lazer, trabalho, balada e tals. A vida profissional da nossa cliente Bruna é no palco, mas nem por isso ela assume uma personagem e deixa de ser ela mesma! Essa estória tá contada inteirinha aqui, clica pra conhecer mais dessa extensão do nosso trabalho e pra entender como tudo funcionou – em equipe! Read more
Porque além de ter estorinhas com que a gente pode se relacionar (de vários jeitos), tem um figurino genial que sempre faz o nosso olho brilhar. Porque mesmo as primeiras temporadas têm referências (visuais) super atuais, que inspiram a gente até hoje. Porque as coordenações de cores que as personagens fazem em seus looks podem ser estudadas e cada uma quer dizer uma coisa – o que é o máximo! Porque mesmo se as personagens se vestirem de preto total, ainda assim a gente enxerga personalidade nos looks de cada uma, nos acessórios de cada uma – não é?
Porque a Samantha é quase ninfomaníaca, seus looks são bem sexies mas também ultra elegantes. Porque a Charlotte é a mais romântica de todas, mas seu visual é doce e não bobinho. Porque a Miranda tem um dresscode formal e rígido, mas a imagem que ela transmite é de originalidade. E porque os looks da Carrie dão liberdade pra gente pensar que é possível coordenar tudo nessa vida – que as coisas mais improváveis de funcionar juntas podem sim funcionar, e direitinho. Porque Patricia Field, figurinista da série, é gênia de figurino e, com o seu trabalho, ensina pra gente lições valiosas sobre identidade visual. Porque a gente entende o uso de acessórios de um jeito novo cada vez que a gente assiste Sex and The City – eles são mais que complementos de estilo, na série eles são afirmadores de personalidade! Porque Carrie e suas amigas ajudaram a gente a por em prática o conceito de high&low nos looks de todo dia (consideradas as devidas proporções, não é mesmo?!??).
E porque o amor continua com o filme das moças, logo logo – a saga dos looks pensados, inteligentes e mais que incríveis vai continuar no cinema. Mais “material” pra gente estudar, mais inspiração pra gente coordenar as nossas coisas de jeitos nada caretas, mais sugestões de como inserir acessórios no look pra causar mega impacto, mais suspiros por conta da Carrie e do Mr. Big. =)
Na hora de trabalhar a imagem de uma cliente, a gente tem que pensar em quem ela é em to-das as situações do dia-a-dia – tipo no fim de semana, no trabalho (e nas reuniões de trabalho), nas viagens, nas festas e tals. Quando a gente tem uma cliente-cantora que trabalha no palco e que vive situações de personagem – tipo a gravação de um clipe – a gente faz o quê? Estuda, estuda, estuda. Foi isso que a gente fez pro clipe da música “Um Blues” da Bruna Caram.
Na hora de fazer um figurino pra clipe, a gente pensa que tem toda uma estoria pra ser contada. A gente tem que trabalhar em conjunto com quem idealizou essa estoria (o diretor do clipe) e com quem vai interpretá-la (a cantora). Marília Carneiro (mestra!) ensina: “quando ator, diretor e figurinista se entendem bem (…) o vôo é alto; a relação com o diretor, pra início de conversa, é fundamental; mas também faz parte da fórmula secreta de sucesso saber ouvir o ator, porque ele precisa se sentir bem com as escolhas”. A gente então ouviu mointo o blues da Bruna, que conta de um amor meio desencontrado. Ouvimos o Gabriel, nosso diretor, que pensou numa estoria-draaaama de um casal que se ama e se odeia ao mesmo tempo. A referência visual dele era o filme “Amor à flor da pele”, um filme oriental, também super dramático, cheio de sombras e cores quentes.
Então a Brunoca usou um vestido incrível da última coleção da Antes de Paris: a modelagem é japonesa, tipo vestidinhos típicos, em seda bem verde e estampa de rosas grandonas. A gente super pensou que a cor intensa tava bem no clima drama da música, que a estampa floral tinha tudo a ver com as coisas do Balenciaga e que ao mesmo tempo era tudo clássico. O vestido ainda tem um decotinho inteligente que mostra sim um pouquinho de pele, mas de m jeitinho bem sutil. Vê o resultado aqui em cima e diz pra gente se funcionou pra você – pra gente suuuuper funcionou! =)
Que ela é uma menina mas canta como um mulherão! No vídeo tem música-trabalho pra gente: a Bruna vai gravar o clipe dessa música em dez dias e a gente já tá cuidando desde agora do figurino dela pro filminho. Vai ficar incrível e a gente já fica ansiosa pra ficar pronto logo pra postar aqui!
Ainda estamos tendo Mostra de Cinema aqui em SP, amigos. E jo filme novo do Wes Anderson (que fez ‘Excêntricos Tenembauns’ e ‘Steve Zissou’ – filminhos que a gente a-do-ra) vai passar pela última vez nesse fim de semana, antes de estrear de verdade. O filme chama ‘Viagem a Darjeeling’ e conta a história de três irmãos que estavam de mal há tempos e ficam de bem pra viajar juntos à Índia, atrás da mãe deles, uma história bem louca. Os irmãos são o Jason Schwartzman, o Adrien Brody e o Owen Wilson, e o figurino deles e as malas que usam são motivos suficientes pra gente correr e assistir logo, ansiosas.
Que os irmãos usam o mesmo terno durante o filme todo, cada um o seu. O Wes Anderson acredita que o figurino faz com que o ator personifique com mais convicção seu personagem, e acha que figurinos-uniforme reforçam essa máxima – nos filmes que a gente citou ali em cima os personagens também não usam nada muito diferente. Pra fazer esses ternos, o diretor e sua figurinista, Milena Canonero, recrutaram ninguém menos que Marc Jacobs! O estilista estendeu sua participação com o desenvolvimento das malas com que os personagens viajam, aproveitando a expertise da Louis Vuitton, né?
Diz que o cineasta visitou os arquivos da maison e, junto com MJ, desenvolveu o padrão de palmeirinhas, rinocerontes e zebras que decoram as malas do filme. Uma graça, não?!? E dá pra ver a mala aberta, por dentro, aqui. Tem mais do Wes Anderson, desse filme, dos figurinos e das malas aqui nessa entrevista incrível pro LA Times. E eu vou mesmo assistir no domingo à noite, quem mais quer ir junto?!?? =)