A primeira vez que a gente “cobriu” o SPFW com o blog foi na edição de inverno 2007, em janeiro do ano passado. Foi quando a gente começou a enxergar tudo com olhos de quem quer pensar, entender, dividir e conversar sobre o que vê. Nessa mesma edição do SPFW a gente trabalhou com um grupo de outros bloggers e muitos viraram amigos queridos – contribuíram um tanto com o nosso crescimento e ajudaram (ajudam ainda!) a ampliar a nossa visão e conhecimento da nossa área de trabalho. Um desses amigos é o Michell Zappa, que desde então colabora com o blog com referências e inteligências e pontos de vista e companhia mas, principlamente, com fotos incríveis. =)
vale o passeio pra ver tudo com os olhos de quem tava com a gente o tempo todo: super super super obrigada, michell!
A gente (todo mundo!) vê sempre fotos iguais, com o mesmo formato, não vê? E daí o Michell mostra pra gente as mesmas coisa com ângulos diferentes, detalhes diferentes, mais cores, mais gente, mais luz. A mania de câmera na mão desse amigo já foi recheio de um post logo que a gente grudou nele – nosso jeito de agradecer pela amizade e pelas imagens mais que legais. Depois daquela edição, nessa última nosso ‘fotógrafo muito chique’ (como disse a Thais) acompanhou a gente de novo na Bienal, desde antes do evento começar até o último desfile: a gente ganhou de presente a visão dele nesse mega álbum com ‘bastidores’ da Oficina, encontros com amigos, momentos lindos dos desfiles que vimos juntos e muitas, muitas risadas.
quer passear por onde o michell passeou com a gente?!??
A querida Luiza do blog Favoritos indicou nesse post o link dessa mega galeria de capas da Kate Moss, com fotos da modela desde 1992 até hoje. Tá cheio de imagens incríveis, tipo com ela beeem novinha. Super passeio. =)
No Pense Moda os fotógrafos e os stylists participantes de mesas de debates tocaram num assunto-bafo: a coisa das referências literais na hora de se trabalhar imagens de moda aqui no BR, seja em revistas, seja em catálogos e afins. A coisa toda parece meio cíclica: eles (fotógrafos e stylists) reclamam que são sempre chamados pra repetir referências literalmente, dizem que os editores mostram editoriais/imagens feitos por profissionais incríveis fora do país e pedem pra reproduzir igualzinho. E falam ainda que não têm tanta liberdade pra propor coisas novas porque os editores dizem que os leitores “não estão preparados” ou que não vão entender.
Vogue Paris x Vogue Brasil: o editorial-matriz saiu primeiro na revista de lá de fora e foi republicado aqui nessa edição da Vogue BR – na mesma edição em que a versão brasileira saiu. Oooops.
Não tinham editores lá no Pense Moda na hora pra rebater ou pra debater, então a gente ouviu só um lado dessa história. Porque a gente imagina que eles poderiam reclamar que quem não traz nada novo são eles (fotógrafos e stylists!), ou que eles topam fazer o que é pedido sem reclamar ou sugerir outro caminho – não dá pra saber, né? Mas a gente imagina.
Vogue América x Vogue Brasil: relfetidas no espelho, com canudinho e tudo
O fotógrafo Bob Wolfenson chegou a dizer que é meio obrigação de editores e clientes em geral pedirem referências novas e frescas. Ele disse que é preciso que se produza imagens novas e inspiradoras até pra “educar” o leitor/consumidor, pra que cada vez mais todo mundo compreenda e saiba “ler” imagens de moda mais elaboradas, mais sofisticadas e moderninhas. A gente também acha, e também quer ser ‘educada’! Porque repetição faz com que o olho se acostume e se acomode, e a gente vai mesmo perdendo o jeito de decifrar códigos e elementos das imagens de moda que vemos – especialmente quando a Vogue repete tanto assim, ó:
Vogue América x Vogue Brasil – e aqui a gente tem um ‘plus a mais’: tem na revista dizendo que “o editor de moda Giovanni Frasson foi quem decidiu que um jardim tropical seria perfeito para destacar as cores do editorial”. A gente acha que quem decidiu isso foi o casal Inez e Vinoodh que fotografou o editorial-matriz na Vogue América, não foi não? E olha que a gente a-do-ra tudo do Giovanni!
Foi o dia mais animado até agora! O Hugo Scott é gato mesmo (e por milagre não é gay!!!!) e contou do seu trabalho nessa loja chamada Dover Street Market, em que trabalhou junto com a Rei Kawakubo, estilista da marca Comme des Garçons. Esse é um projeto super legal, de “loja com lojas dentro” e vários estilistas e trabalhos diferentes num mesmo lugar – no caso um power galpão em Londres. Vale a pena ler mais pra saber como funciona e vale passar no site pra ver as fotos incríveis de lá (a gente viu tudo no telão da sala de cinema onde as palestras acontecem: essa parte é o máximo, né?) – dá pra ler mais no site do Pense Moda (que já já aparece todo arrumadinho – pelo menos a gente torce!) ou aqui. O moço ainda contou da experiência de trabalhar com o Marc Jacobs e no fim deu falsas esperanças de que eles podem abrir uma loja própria aqui no Brasil – a gente torce, mas não leva muita fé…
Depois do Hugo Scott teve mesa de debate entre top fotógrafos de moda e foi o máximo. No texto do Pense Moda a gente dividiu a conversa toda em tópicos pra facilitar – porque eles falaram muito mesmo, porque teve muita participação de editores e jornalistas e outros fotógrafos da platéia e porque tem muita muita muita informação bacana. Teve muita opinião sobre referências-cópias de editoriais feitos fora do BR, teve opinião sobre jovens fotógrafos em início de carreira, sobre identidade brasileira e mais. A gente super tem certeza de que, assim que passar a correria, essa conversa ainda vai render mais mil posts aqui. De novo, enquanto no site oficial do Pense Moda os textos não sobem arrumadinhos (dedos cruzados junto com a gente, cats!), tem o texto todo aqui pra todo mundo pensar e aprender junto com a gente. =)
Aqui no vídeo tem o fotógrafo Daniel Klajmic questionando se tá todo mundo preparado pra entender e gostar de imagens diferentes das que nos aconstumamos a ver nas revistas de moda daqui – baaafo! E aqui tem Mario Daloia (outro fotógrafo) resumindo diretchinho o que é ‘fotografia com identidade brasileira’. E tem mais videozinhos do seminário aqui no nosso canal no YouTube. Quer ver?!??
A gente conheceu a marca Rödel LA por causa do blog, eles já estiveram aqui (a gente AMA desde que conheceu!) e agora eles deixaram a gente de queixo caído com o projeto mais legal do mundo: mostrar as criações da marca usadas pelas consumidoras, de um jeito criativo, democrático e muito lindo. Tá tudo explicadinho no BlogView, passa pra ver lá – que as terças estão batendo recordes e recordes de visitação e de comentários e a gente a-doooooo-ra! =)
E se todo mundo na moda pensasse inteligente assim, a gente não ia estar tão entediada com as mesmas campanhas, mesmas ações, mesmas roupas. E a gente ia se identificar com marcas de um jeito mais fácil, ia se aproximar de um jeito menos complicado e ia ser mais feliz no fim. Não?!??
O blog The Fashion View, do Matheus, juntou num mesmo post um monte de campanhas incríveis de marcas nacionais, com ficha técnica e tudo. Dá pra ver as imagens em tamanho grande e dá pra comparar (adoro!). Vale o clique, de verdade.
Aqui tem imagem da campanha do Reinaldo Lourenço, que além de querer vender roupas quer vender esmaltes também. Achei bem Carol Trentini na Vogue, com pulinhos e cabelos voando – mas curti (sério!).
Dentro do site do ShowStudio tem um portfolio super bonito com dez imagens dessa campanha – e diz que essas dez são só o começo dessa ação que quer “trazer a marca YSL de volta às ruas”. No portfolio online as dez imagens são expostas de um jeito que no futuro vai permitir a inserção de animações, filmes e transições que vão deixar a comunicação das marcas mais rica e interessante – e que vão permitir o surgimento de mais e mais meios experimentais de se apresentar uma coleção! (Bom pra gente, não?!??)
(Essa campanha faz parte do mega projeto da YSL junto com o ShowStudio, que inclui uma série de seis filminhos feitos com roteiros colaborativos, cujas filmagens foram transmitidas ao vivo pela internet – a gente contou na época aqui e aqui.)
No site oficial de YSL tem espaço pra se cadastrar e receber novidades da marca e do site por email. No meio dessas novidades eles oferecem nos avisar, tipo super em primeira mão, do manifesto que estão preparando pra distribuir em NY, Paris, e Londres. Tipo vão imprimir dois milhões de manifestos desses (ahãm!), todos em papel reciclado, e vão colocar gente nas ruas dessas cidades-fashion entregando pras pessoas (sortudas!) em datas específicas. Ninguém sabe ainda o conteúdo desse manifesto, mas diz que mais imagens da campanha e mais pistas do que tem pra vir vão sair amanhã – tomara que a gente seja mesmo avisado pelo email, né?!??
Quando rolar de verdade a gente posta tudo aqui! =)
A gente já tinha falado do ShowStudio, site-projeto do top fotógrafo Nick Knight, aqui e aqui. Apesar do entusiasmo em relação a esses dois projetos (bem incríveis), o site ainda me assustava. Not anymore! Depois da palestra da editora Penny Martin, hoje no Iguatemi Filme Fashion, eu virei master mega fã. E super expliquei ‘como e porque na coluna de terça do BlogView, passa pra ver que tem “foto de tiete” e tudo! =)
É muito muito muito legal mesmo, tipo um bilhão de razões (com links!) pra amar. Clica pra ler lá!
A V Magazine publicou um editorial de beleza em que a modela foi maquiada virtualmente. É bem doido: o fotógrafo fez as imagens da modela com a pele limpinha, sem nada. Daí o “artista digital” (é assim que eles chamam!) fez as cores usando a referência de produtos de verdade, citados na matéria e tudo, e foi colorindo a moça, pixel por pixel. O resultado é de arrepiar, de verdade. Super mega vale o clique!
Os grandes veículos para os editoriais de moda sempre foram as revistas. Haarper’s Bazaar e Vogue, com seus legendários diretores de arte (Alex Brodovitch, um dos maiores diretores de arte de todos os tempos, foi durante séculos o diretor de arte da Bazaar), são históricas pela sua visão de moda mas, entre nós, designers gráficos e diretores de arte, são verdadeiras escolas de design editorial e, por extensão, de tipografia. E isso vai permanecer sempre. Até hoje, apesar da falta internacional de inspiração nesse sentido, ainda existem exemplos brilhantes. As magníficas Purple Fashion Magazine e Self Service Magazine, duas revistas internacionais que estão surgindo com muita força, têm seus projetos gráficos e editoriais baseados e calçados em sólidas composições tipográficas, e não mais em tours de force fotográficos. A Nylon, outro exemplo, possui um trabalho tipográfico em suas capas que foi determinante para a criação da identidade da revista – e para seu sucesso.
A tipografia está lá, sempre esteve. O que acontece é que o trabalho tipográfico se torna mais evidente para o público em geral na medida em que a publicidade de moda a adota como linguagem. A partir da década de 90, pode reparar, as marcas trocaram seus emblemas e escudos pelos seus nomes por extenso – Giorgio Armani numa elegante tipografia romana, serifada, Dolce&Gabbana numa grotésk, e assim a coisa vai. Aqui, pra citar uma, a Forum fez isso (lembra da plaquinha?), todo mundo foi por esse caminho – e isso, sem alarde, é pura tipografia. Até a super hyper Kate Mossencomendou um logotipo (para o diretor de arte Peter Saville) e recebeu um alfabeto completo.
Atualmente, como linguagem publicitária, a tipografia está crescendo, porque só quem consegue manter o esquema foto-da-gisele-logo-no-canto são as grandes marcas internacionais. O pessoal que briga mais embaixo precisa aparecer de formas mais criativas e renovadas, e aí os designers e diretores de arte entram em campo com suas tipologias, pois esse é um dos caminhos que a publicidade hoje explora. Se vai continuar? Pode ser que sim, acho que sim, mas não vai ser o único caminho, nunca foi. Agora, por exemplo, as agências e estúdios estão sendo invadidas por bureaus de ilustração hiper-realista, 3D e photoshops inacreditáveis. O projeto SHOWStudio, do fotógrafo Nick Knight, está pesquisando novas formas de representar a moda – não mais com foto, mas com som, vídeo, sensações tácteis, pulsos eletromagnéticos, luz, sei lá. Talvez, pros próximos tempos, essas novas ferramentas, que são novidades irresistíveis, possam voltar a obscurecer o trabalho de tipografia. Mas só por um tempo: ela sempre vai estar lá, nem que seja na legenda.
O André Felipe é diretor de arte e sócio da Ag_407, edita o blog mais que incrívelThe Bookshelf of Death, já deu aula pra gente aqui no blog (dessa e dessa vez) e dividiu com a gente esse texto que era pra Vogue RG, mas que veio pra cá. Sorte minha (nossa!) tê-lo de amigo. Thanx, André!
<3 rt @mariagranola a oficinadeestilo é tipo jamieoliver da moda né? desmitificando aquela balela de que só gente da moda anda bem vestido. 2 hrs atrás