Mas não desse jeito que o título fez parecer (sem querer!): a marca italiana quer apresentar suas coleções de maneiras alternativas e mais criativas. Há tempos o povo da moda tá prestando atenção no mundo em volta pra perceber que existem jeitos legais de se mostrar uma coleção – e de se firmar imagem de marca – sem entediar o comprador/a imprensa. Gareth Pugh fez filminho, Viktor & Rolf fizeram instalação e mais. Diz que Angela Missoni, diretora criativa da marca que seus avós fundaram, pensa o tempo todo numa alternativa “menos fria e distante” de desfilar suas criações, e que até 2010 quer definir esse novo caminho pra Missoni. E disse também que empregar Gisele – oi, Colcci? – ou Naomi é uma bobagem (tipo isso, tradução livre) e que prefere convocar meninas novas e desconhecidas pra mostrar a roupa, pra que o foco seja esse mesmo – a roupa, e não o “espetáculo”. Melhor de tudo: a entrevista ao Telegraph (de onde veio toda essa info) termina com Angela dizendo que quer muito fazer alguma coisa com a H&M, por acreditar que esse é um jeito poderoso de alcançar meninas mais jovens hoje. Muita inteligência-fashion junta, não?!??
tamos aguardando as cenas dos próximos capítulos ;-)
Tendência agora é pisar bem o pezinho no chão, aceitar o próprio repertório e trabalhar da melhor forma possível com o que se tem. Vale pra tudo nessa vida – especialmente pro mercado de moda, pra nossa moda em frente ao espelho e pra auto-estima de cada uma de nós. ;-)
Henry Holland, estilista britânico do círculo de Gareth Pugh, é super gente como a gente. Assim que desceu do palco após sua palestra/conversa, correu para se sentar ao lado de sua amiga/PR Mandi Lennard (que também falou no Pense Moda), suando, e perguntou (como eu estava logo atrás dos dois, ouvi tudo): “foi tudo bem? eu falei tudo direitinho? nossa, estou suando! está tão quente aqui! mas foi tudo bem mesmo?”. Bom saber que o melhor amigo de Agnyess Dean e Gareth Pugh, que desfila na London Fashion Week e que já recebeu uma ligação da toda-poderosa Vogue América interessada em suas criações, também fica inseguro em situações que, à primeira vista, nos parecem mais simples do que desfilar numa semana de moda como a de Londres.
As coisas na vida de Holland aconteceram muito rápido. Após transferir sua faculdade de jornalismo para um curso de fashion designer, começou a trabalhar em revistas de moda ‘teen’ e de celebridades. Como estas, as celebridades, sempre usam camisetas com frases de efeito, de manifestação de amor ou protesto ou de piadinhas, Henry se inspirou e desenvolveu algumas camisetas com rimas usando o nome de estilistas britânicos. O ‘boom’ aconteceu quando seu amigo Gareth Pugh (estilista também britâncio que hoje desfila em Paris) apareceu usando uma camiseta de Holland escrita “UHU GARETH PUGH”. Depois disso tudo aconteceu. Henry recebeu uma ligação de Sarah Mower (da Vogue América e Style.com) interessada em suas camisetas. Mandi Lennard conseguiu que ele vendesse na Dover Street Market (loja de Rei Kawakubo em Londres). Viajou para NY com sua musa Agyness Dean e acabou conhecendo Anna Wintour em si e Julie Gilhart, compradora da Barneys New York. Foi fotografado por Steven Meisel (top fotógrafo internacional) para a Vogue Itália, voltou a Londres e foi convidado a desfilar na London Fashion Week como participante do projeto Fashion East (ufa!). Duas temporadas depois ele já estava se apresentando independentemente.
Henry Holland já participou de quatro temporadas de desfiles com sua marca House of Holland e vem amadurecendo a cada uma delas. Seu lado street, colorido e divertido ainda permanece (afinal, é sua marca registrada), mas criações mais sofisticadas vêm tomando espaço em sua passarela. Além disso, está mais focado nos processos de produção, estoque e distribuição – exigências naturais de uma marca em expansão.
Ao final, a sensação que podemos ter da palestra de Henry é a mesma que podemos sentir do Pense Moda de maneira geral – existe um frescor de jovialidade e inocência típicas de quem tem talento e começou no caminho certo, mas ainda tem muita estrada pra percorrer.
A gente não curte essa bota pata de bode, amigos. Porque encurta e engrossa a perna de quem usa, visualmente (de um jeito não-bom). Porque a plataforma é desproporcionalmente pesada. Porque ninguém anda com graça quando está calçando a botchinha – a Nina Lemos experimentou e disse que é tipo andar com dois banquinhos nos pés. Porque a gente acha feio, bem feio. Porque aqui faz calor e essa bota não combina com nada levinho, de verão. Porque no frio é a meia-calça que faz o pé ficar quentinho. E porque pijama também é confortável, mas ninguém usa fora de casa.
O Gareth Pugh desfilou um genérico da pata de bode num palhacinho. E aqui tem uma lista de outros sapatos feiosos: alguns apareceram por aqui, outros só no outro hemisfério. Mas é engraçado rever!
Claro que a gente considera que o nosso tempo é de liberdade, claro que cada um pode ter o estilo que quiser, usar as coisas que quiser. Mas a gente considera mais ainda que tudo que a gente veste é lido por quem tá em volta, todo mundo interpreta os sinais do que a gente usa no vestir. E quando a gente vê alguém super bacana usando pata de bode, nosso primeiro pensamento não é considerar que o calçado foi um erro – mas sim que a parte bacana aconteceu por acaso (não é ruim?). Mas a gente não tá em campanha nem nada, a gente acha que todo mundo tem que ser feliz mesmo. Arrasa, Natalie.
Depois teve a palestra do Gareth Pugh (que tinha um dos looks mais incríveis do dia – alguém tem foto?!??). Foi o máximo conhecer a trajetória de um mocinho fofo de 26 anos que desde sempre soube muito bem o que queria e que já tem um trabalho tão legal, tão reconhecido por todo mundo como bacana. A gente ouviu histórias do comecinho da carreira (o primeiro desfile dele foi na boate que ele mais frequentava, tipo no meio do povo dançando e das strippers!), do apoio do Fashion East e do Rick Owens (outro estilista, desfila em Paris) e mais. Gareth integra hoje o time que desfila na semana de moda de Londres e ainda tá no comecinho do trabalho comercial da sua marca (ele começou a vender só na última estação!), mas cria imagens de moda impactantes e faz a gente repensar toda a coisa dos volumes tradicionais com que aconstumamos nossos olhos! pra ler tudo tudo tudo sobre ele tem que clicar no site do Pense Moda (ou aqui enquanto o texto não aparece lá!).
Por último teve palestra com o Pedro e o Edson que trabalham na Melissa. Contaram a história do reposicionamento dos sapatinhos de plástico e mostraram que a marca super se preocupa com a alegraia e coma diversão da consumidora. Eles querem que a Melissa não seja só um sapato, mas uma experiência – daí colocam pra vender nos lugares mais bacanas, criam campanhas que geram identificação, acertam em parcerias com gente bacana que tem a ver. Foi bem beeem legal. E eles não parecem estar perto de desanimar ou de perder o fôlego, então a gente pode esperar que essa fase legal ainda dure bastante – diz que pode ter parceria com o Oscar Niemeyer e tudo! Aqui tem o textinho inteiro pra ler (e logo logo no site do evento!). Amanhã é dia de ouvir o diretor bonitão do Marc Jacobs (diz que ele é ga-to!) e de assistir a discussão dos fotógrafos de moda mais legais que a gente tem aqui! =)
A Alexandra Farah perguntou pro Edson sobre “a ameaça das crocs“. E ele disse que não considera as crocs uma ameaça e que gostaria de tê-las inventado – tudo no vídeo aqui em cima. Olha, aqui no blog a gente é bem anit-crocs, não tá fazendo falta e a gente só as considera ameaça ao look!
O Pense Moda é um evento pra quem quer ficar mais inteligente em moda, organizado por gente bem descolada, que sabe das coisas – portanto não tem como não ser super legal. Quem pensou tudo antes foi a vizinha de blogolândia Camila Yahn, junto com Barbara Bicudo (filha de Doris, um dos nossos ícones fashion na vida real) e Marcelo Jabur. A gente mega acredita no formato ‘intercâmbio de informações’ embalado nesse pacote mais jovem e fresco. Fomos ao último Fashion Marketing e fizemos uma cobertura incrível (aqui e aqui), que nos rendeu mega aprendizado e boas risadas e tals – estamos mais empolgadas ainda pra conhecer e participar do Pense Moda.
Que diz que vai ter todo ano (a gente já fica ansiosa!) e dessa vez o megatema das mesas de discussão e debates é a criação na moda brasileira. Por isso os profissionais envolvidos nessas conversas trabalham de algum jeito nas “áreas de fotografia, styling, direção de arte, edição de revistas e marketing”. Na programação tem convidados ilustres e internacionais, tipo o estilista Gareth Pugh, o diretorzão da marca do Marc Jacobs Hugo Scott e o power stylist Judy Blame – esse Hugo Scott vai falar dos novos formatos da comunicação de moda e isso muito nos interessa, a gente mega não vai perder. Mais o que? A gente tá doida pra ver o debate entre novos estilistas (Fabia Bercsek, Amonstro, Rita Wainer, Wilson Ranieri e Neon) sobre os novos formatos de lançamentos e de vendas e a ‘mesa’ de stylists (com ninguém menos que Maurício Ianês no meio de Daniel Ueda, David Pollack, Thiago Ferraz, Flavia Lafer e Chiara Gadaleta) debatendo o surgimento dessa nova profissão.
Pra gente que tá inserida nesse meio novo, atuando em profissões novas, interessadas num mercado novo e encantadas por esse universo, pra quem tá dentro e quer entender mais e melhor ou pra quem tá fora e quer entrar (!!!), não tem como não participar. Mesmo. Que eventos assim fazem a gente ficar mais inteligente e é disso que todo mundo, nesse universo-moda, precisa de verdade pra fazer a coisa funcionar e dar certo. Não?!?? O Pense Moda vai acontecer no Shopping Iguatemi em SP, de cinco a nove de novembro, sempre pela manhã e custa R$ 700 (tem desconto pra estudante!) – dá pra se inscrever pelo site e lá tem mais informações. A gente vai e espera que todo mundo que for também venha dar oi pra gente na vida real! =)